O VELHO DISCURSO DA NOVA DIREITA

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“A camiseta da seleção de vôlei não é laranja como a do Partido Novo, mas amarela. Jamais será vermelha.” (Bernardinho, técnico de voleibol e “Embaixador” do Partido Novo, no primeiro encontro nacional da legenda, no Rio de Janeiro, no último sábado).

E a cromofobia está de volta, com novos ares, mas com o velho discurso que faz lembrar os tempos da Guerra Fria e a ditadura dos generais que mandavam matar “subversivos vermelhos”. O Partido Novo reuniu-se no último sábado, no Centro de Convenções SulAmérica em seu primeiro encontro nacional, onde foram apresentados seus pré-candidatos a deputado federal e estadual. Bernardinho, que desistiu de sua candidatura a Governador e agora é “Embaixador” do partido, foi o ponto alto do encontro. Bernardinho é aquele outsider tipo “apolítico”. Mas ele era tucano e apoiou o Aécio em 2014. E agora está no Partido Novo, que é presidido pelo banqueiro João Amoedo, que também é o candidato do partido a Presidente da República.

O Partido Novo quer apresentar-se como uma nova alternativa na política. O nome da legenda já sugere. Mas, em essência, o partido nada tem de novo. E, a partir do momento em que a cromofobia faz parte de seu discurso, aí mesmo é que a velha ladainha ressurge, em um tempo que o fascismo sitia o nosso país. Dizer que a bandeira, a camisa, a calça ou seja lá o que for, jamais serão vermelhas, é entoar o discurso da extrema-direita à la Bolsonaro. Como se não bastasse a velha agenda direitista do Partido Novo, qual seja: privatizações, ataque aos servidores públicos, que o próprio Bernardinho chama de “privilegiados”, ataque aos direitos trabalhistas e a sorte de todos entregue ao “mercado”, agora o Partido Novo começa o expurgo ao vermelho, repetindo as antigas ladainhas das “donas-de-casa-moralistas colecionadoras de ursinho de pelúcia” que estiveram nas Marchas da Família com Deus Pela Liberdade pré-golpe de 1964.

Que o Partido Novo levante e defenda suas bandeiras liberais, que diga que o Estado é um “elefante branco”, que defenda todo tipo de reforma. Mas, por favor, não coloque ingrediente neofascista em seu discurso. Se assim continuar, em seu próximo discurso Bernardinho irá falar que “os vermelhos comem criancinha”. Certa vez eu falei, que até pela sua gênese e agenda que defende, o Partido Novo seria um “PSDB genérico”. Mas se o discurso do partido do banqueiro João Amoedo continuar nesse tom, eu direi que o partido é um “genérico do Bolsonaro”. Como o presidente do partido é banqueiro, é até capaz de ele lançar uma moeda virtual, tipo bitcoin. E, no câmbio, ela acabaria tendo a mesma cotação da “BolsoCoin”. Mas isso é assunto para outra ocasião.

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