A “SOLUÇÃO FINAL” DE GEISEL

geisel assassinoUm documento localizado pelo pelo pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Matias Spektor mostra que o general “alemão” Ernesto Geisel, ditador do Brasil entre 1974 e 1979, autorizou o assassinato de opositores ao regime. O documento em questão trata-se de um memorando redigido pelo então diretor da CIA, William Colby e afirma que o general-ditador Geisel decidiu dar continuidade à política de extermínio de opositores já praticada por seu antecessor, o igualmente general e ditador Médici.

A localização do documento vem sendo fartamente divulgada desde ontem pelas mais diversas mídias e, se para alguns causa espanto, para nós não representa nenhuma novidade. Aquela velha história de que Geisel iniciou uma política de “distensão” do regime é coisa que não tem relação com os fatos. Geisel, usando e abusando do AI-5, fechou o Congresso, cassou mandatos de parlamentares, editou o famigerado “Pacote de Abril”, que criou a figura bizarra do “senador biônico”. Segundo revelações do documento, Geisel havia autorizado o assassinato de “subversivos perigosos”, algo extremamente relativo em um regime ditatorial. Quem seriam esses “subversivos perigosos”? Os guerrilheiros? Então, por que a ditadura, não apenas no governo Geisel, assassinou pessoas que jamais pegaram em uma arma, como o estudante Edson Luís, o jornalista Vladimir Herzog e os operários Manuel Fiel Filho e Santo Dias, só para darmos alguns exemplos? E nenhum desses era guerrilheiro.  Dados da Comissão Nacional da Verdade atestam que, nos 21 anos de ditadura militar, 434 pessoas foram assassinadas. Segundo o documento, Geisel teria autorizado a execução sumária de 89 pessoas, dando continuidade ao extermínio de seu antecessor, o ditador Médici, que assassinou 104 pessoas.

O extermínio físico de opositores é, historicamente, um recurso nazi-fascista. Assim foi a “solução final” de Hitler em relação aos judeus. E assim foi a “solução final” também de Geisel no seu governo, o que não deixa dúvidas em relação ao que significou a ditadura militar no Brasil. O documento desfaz, ainda, aquela velha tese de que atos exagerados, como assassinatos, teriam partido de  escalões inferiores do regime, sem o conhecimento ou ordem vindas de cima. Ao contrário. Assim como Médici, Geisel foi um ditador tão sanguinário como seu antecessor e os extermínios vinham dos altos escalões, a começar pelos ditadores que davam as ordens. Hoje, Lula está preso por algo que, em termos de provas, é absolutamente inconsistente. Os ditadores militares, responsáveis pela morte de centenas de pessoas, jamais pagaram pelos seus crimes, ao contrário de outros países que viveram ditaduras das casernas, como Argentina e Chile, por exemplo. Assassinos e torturadores ainda foram beneficiados pela Lei da Anistia. Que este exemplo de nossa história não se repita em nosso país e aqueles que, de forma insana, ainda clamam pela “volta da ditadura” saibam que, além de cúmplices, estão no mesmo lixo fétido da história em que seus comparsas já se encontram há tempos.

 

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