BOLSONARO E A JUVENTUDE

bolsonaro apoiado por nazistas

Uma pesquisa do Datafolha feita no final do ano passado e que vem sendo muito divulgada nas redes mostra que 60% dos eleitores de Jair Bolsonaro são jovens, com idade entre 16 e 34 anos. Desses, mais da metade têm menos de 24 anos. Não questiono os números da pesquisa. Ao contrário, até percebo que, assustadoramente, muitos jovens tomaram o caminho da extrema-direita. Porém, tenho uma explicação para esses números, uma explicação diferente daquela dada por vários analistas políticos.

O que pode levar um jovem a votar em um candidato que, abertamente, defende a ditadura, a tortura, a censura e o autoritarismo, a ponto de exaltar um torturador da ditadura militar como herói? No meu entender, a questão não é propriamente ideológica e sim uma desvalorização daquilo que, para esses jovens, não foi conquistado e sim um ponto de partida. Os jovens entre 16 e 34 anos de idade, para a felicidade deles, não viveram a ditadura e não sabem o que foi esse período nefasto da nossa história. Eles já nasceram com eleições diretas para Presidente da República. Eles já nasceram com a liberdade de expressão e nunca conheceram a censura. Eles já nasceram em um país sem presos políticos e sem a barbaridade das torturas. Eles já nasceram com as escolas e universidades sem alunos-delatores e sem terem seus professores desaparecidos. Eles já nasceram com a liberdade partidária. Enfim, eles já nasceram sob a democracia. Tudo isso com o que essa juventude já nasceu se, para eles, foi um ponto de partida, para nós, de gerações mais velhas, foi resultado de lutas e conquistado à base do sangue e da morte de muitos brasileiros. Certamente por isso essa juventude não valoriza tudo aquilo que lutamos e conquistamos para que hoje eles possam desfrutar. Aí reside, em grande parte, um “choque de gerações”. Evidentemente a geração que lutou e conquistou certos direitos valoriza muito mais essas prerrogativas do que aqueles que só as consomem. Mas é bom lembrar que a democracia é, de certa forma, igual ao meio ambiente. Não basta consumir. Devemos preservá-la, mantê-la “sustentável”, preservar a sua “biodiversidade” e sempre cultivar os seus valores. E é aí que entra a juventude. A tarefa dela é manter esse meio ambiente. Se os valores da democracia forem deplorados ou usados de forma predatória, ela poderá nos levar a uma ditadura. E que, apesar dos pesares, ao menos serviria de lição para esses jovens transmitirem às outras gerações.

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