VEM AÍ O VOTO IMPRESSO

voto impressoAs urnas eletrônicas foram utilizadas pela primeira vez no Brasil nas eleições de 1996. Eram eleições municipais e o que acelerou a adoção dessa tecnologia foi a anulação, em 1994, no Rio de Janeiro, dos votos para deputados estaduais e federais, onde houve suspeita de fraude. A eleição foi repetida, mas os resultados não. Desde sua adoção, existem conspirações contra a urna eletrônica. Até o velho Brizola não confiava muito nessa engenhoca a serviço da democracia. Hoje, bolsonaristas e seres afins também duvidam. Eles exigem o voto impresso, para garantir a lisura da eleição. A reivindicação chegou ao Congresso que, em 2105, aprovou a Lei 13.165, que estabelece a impressão dos votos na urna eletrônica.

Muitos talvez nem se lembrem, mas o voto impresso já foi adotado em 1996. Havia uma impressora na máquina e uma urna plástica, de cor preta, acoplada a ela, para onde os votos digitalizados caíam já impressos. Em 1996 os tribunais eleitorais dos Estados fizeram vários testes, tanto para treinar os eleitores para o uso da máquina quanto para atestar a eficácia da ferramenta, exigindo-se a coincidência do que estava digitalizado com o que estava impresso. Nunca houve, em nenhuma eleição, mesmo já estando o Brasil com 100% de suas seções eleitorais usando a máquina, nenhuma comprovação de fraude. Só para darmos alguns exemplos: em 1998, o já falecido deputado federal Álvaro Valle, do PL, teve 36.432 votos e, acreditem, não foi reeleito por apenas um voto. Nem ele nem o seu partido duvidaram ou reclamaram da urna eletrônica. Nas eleições presidenciais de 2014, uma das mais disputadas da história do Brasil, Dilma derrotou o playboy do pó por uma diferença mínima. Os golpistas reclamaram de tudo: uso da máquina, verbas de campanha, caixa 2… Mas em momento algum duvidaram da urna eletrônica.

O voto impresso será utilizado nas próximas eleições, mas não em todas as seções eleitorais. Haverá impressoras em 23.000 urnas, o que corresponde a apenas 5% do total. O TSE chama a atenção para o alto custo. Serão compradas 30.000 impressoras, pois deve haver reservas e o custo, só para esse número, é de 57 milhões de reais. Além do alto custo, o TSE diz que, com o voto impresso, a apuração poderá ser mais demorada e há, ainda, o risco de o sigilo do voto ser quebrado. Já foi também anunciado que as impressoras só poderão ser usadas no segundo turno.

Seria bom fazer uma checagem. Por que tanto interesse pela volta do papel em uma era digital, quando já se fala até em, num futuro não muito distante, o eleitor poder votar  pelo celular? Os lobistas que pressionaram o Congresso pela aprovação da Lei 13.165/2015, que institui o voto impresso, possuem interesse na democracia, interesse econômico ou será apenas um mero “tesão papelítico“?

 

 

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