A CONSTITUIÇÃO DE CURITIBA

república de curitibaGilmar Mendes é, certamente, o magistrado mais odiado e hostilizado do Brasil. Mas, independentemente de suas decisões e, polêmicas à parte, na última quarta-feira, dia 11, na sessão do STF, ele fez denúncias muitos sérias que colocam a Lava Jato e a República de Curitiba sob suspeita. Na condição de Ministro da Suprema Corte, Mendes não mandou recado e denunciou desvios que maculam ainda mais a já parcial e seletiva Operação Lava Jato. O mínimo que se pode esperar é a apuração dos fatos.

Disse Gilmar Mendes que “a corrupção entrou no Ministério Público. Está havendo ingerência na escolha de advogados para acordos de delação premiada.” Gilmar Mendes denuncia ainda que, de acordo com advogados, os processos, obrigatoriamente, devem passar pelo escritório do advogado Rodrigo Castor de Mattos. Ele é advogado do marqueteiro João Santana. Também citou o caso do ex-advogado de Antônio Palocci, José Roberto Batochio, que teve que deixar a defesa do ex-Ministro porque “Curitiba assim exigiu.” Isso mostra que, na verdade, provas e delações parecem ser produzidas de acordo com os interesses de procuradores e do juiz Moro, o que desnuda ainda mais a putrefação em que se transformou a Lava Jato. Gilmar Mendes fala até de juízes que, quando têm que julgar algum habeas-corpus, “morrem de medo do Jornal Nacional e da Folha de São Paulo”. Aí, perguntamos: fora a ameaça do general, até que ponto a mídia vem influenciando as decisões de nossos impolutos magistrados?

O Ministro Gilmar Mendes faz as denúncias falando que, em Curitiba, as prisões provisórias do juiz Moro tornam-se prisões definitivas. Claro que tudo deve ser investigado, embora as denúncias não surpreendam. Há tempos juristas renomados estão denunciando as irregularidades dos processos da Lava Jato.  Por que será que Curitiba tudo pode? Neste ano, a nossa Constituição estará completando 30 anos e já vem sobrevivendo a muita coisa. Porém, com escolha de advogados, ingerência na escolha de quem fará delações e prisões provisórias tornando-se definitivas, estamos em dúvida sobre qual Constituição vigora atualmente em nosso país. Tudo leva a crer que estamos sob a vigência da Constituição de Curitiba.

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