GLOBO SENDO GLOBO

chico pinheiro defende lulka

Qualquer jornalista, no exercício de seu trabalho, deve seguir a linha editorial da empresa para a qual trabalha. Fora do trabalho, o jornalista é um cidadão como outro qualquer e tem o direito de se manisfestar, livremente, sobre qualquer assunto, através de qualquer meio. O áudio em que o jornalista e apresentador de telejornal da Globo, Chico Pinheiro, expressa sua indignação com a prisão do ex-Presidente Lula mostra a opinião do cidadão Chico Pinheiro. O áudio vem sendo muito divulgado e, nele, Chico Pinheiro diz, entre outras coisas que “a direita está louca, os coxinhas estão perdidos…Que Lula tenha calma, sabedoria, inspiração divina…”, dentre outras afirmações, onde cabe até uma crítica ao juiz Moro.

A linha editorial da Globo é clara: trata-se de uma emissora anti-petista, anti-lulista, anti-esquerdista e que, nas últimas eleições para Presidente da República, apoiou FHC (duas vezes), Serra (duas vezes) Alckmin e Aécio. Não há dúvida, também, de que é uma emissora tucana. Exigir que um jornalista, em seus telejornais e comentários, esteja sujeito ao crivo editorial da emissora, faz parte. Entretanto, fora dos estúdios e como qualquer cidadão, o jornalista tem a sua opinião própria. E o direito de expressá-la. E o que Chico Pinheiro expressou foi a sua opinião, em um tema que divide até juristas, que é o caso da prisão do ex-presidente Lula.

Agora chegou a notícia de que o diretor de jornalismo da emissora dos Marinhos, Ali Kamel, enviou e-mail aos jornalistas, onde proíbe os profissionais de se manifestarem através da internet. A censura imposta dá a entender, em princípio, que muitos dos jornalistas da Globo também devem ter opinião igual à do Chico Pinheiro. Proibir, fora do trabalho jornalístico, um profissional de se manifestar, é uma mordaça que lembra os tempos nada saudosos em nosso país. E parece que o artigo 5º da Constituição vai mesmo, cada vez mais, tornando-se letra morta. Depois de Lula ser considerado culpado e preso antes do trânsito em julgado, agora jornalistas da Globo não podem mais se manifestar. Para uma emissora que surgiu e cresceu nos porões da ditadura militar, nenhuma novidade. Qualquer dia eles vão exigir, para admitir um jornalista, o atestado de ideologia.

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