A ABDICAÇÃO DA DEMOCRACIA

amanhã vai ser outro diaE mais um 7 de abril entra para a história do Brasil. Em um longínquo 7 de abril, no ano de 1831, D. Pedro I abdicava do trono brasileiro. Aquela abdicação foi precedida de uma série de eventos que levara a popularidade do Imperador a zero e ele acabou mesmo foi assumindo o trono de Portugal. Mas, para muitos, o Brasil consolidava a sua independência, pois nosso país seria, enfim, governado por um brasileiro.

187 anos depois, e aí estamos novamente em um 7 de abril. O ex-Presidente Lula foi preso. Exatamente às 18 horas e 45 minutos ele deixou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e passou à custódia da Polícia Federal. Portanto, além da abdicação de D. Pedro I, os livros de história irão registrar um outro evento significativo nessa data. O problema é que hoje os jornais, os jornalistas e até os “focas” estão escrevendo a história antes mesmo dos historiadores. E eles pertencem a grandes empresas de comunicação. Seria, este 7 de abril, uma outra abdicação? Vejamos:

A prisão de Lula não está fora de um contexto que começou com as manifestações de junho de 2013. Manifestações difusas, sem liderança, sem pautas específicas e que deu a oportunidade, também, de levar muitas “naftalinas fascistas” direto dos armários para as ruas. Essas “naftalinas” frutificaram e acabaram vestindo, 3 anos depois, o amarelo da FIESP. Nas eleições de 2014,  faltou pouco para a direita retomar o poder. Aécio promete “incendiar o país”. Nisso, vem a condução coercitiva do Lula, o golpe que tungou o mandato de Dilma, um processo contra Lula em que um juiz agiu mais como um promotor do que como um magistrado, e em que uma das “provas” era uma matéria de “O Globo”, um Procurador que diz “ter convicções sem provas”, um ataque a artistas e censura a exposições de arte. Os que foram às ruas, bem ensaiados e mostrados até no desfile da Tuiuti, foram meros fantoches e calaram-se perante as corrupções enfastiantes do criminoso governo Temer. Mas isso foi o salvo-conduto para acabar com os investimentos em saúde e educação, acabar com as leis trabalhistas, terceirizar a economia, entregar o petróleo ao estrangeiro.

A celeridade do processo contra Lula é algo espantoso e inédito na Justiça brasileira. O afã de prendê-lo era tanto que, apenas 19 minutos depois da determinação do TRF-4, o mandado de prisão já estava escrito, assinado e divulgado. Claro que o mandado já estava escrito há muito tempo. E não foi cumprida a tradição de aguardar, mesmo sabendo que fosse negativa, a resposta dos últimos embargos.

Na quarta-feira, poucas horas antes do julgamento do habeas corpus que poderia aguardar o julgamento na terceira instância, o comandante do Exército brasileiro manda uma mensagem preocupante e ameaçadora à Suprema Corte, ao dizer que “não admitia a impunidade e que o Exército está atento à sua missão.” Não entendemos o porquê de o comandante do Exército não ter mandado, no ano passado, essa mesma mensagem à Suprema Corte por ocasião do julgamento que livrou o Aécio por 6 votos a 5. E mesmo assim, Carmen Lúcia, “se cagando de medo”, deu o voto de minerva livrando o bandido tucano. Como vemos, nem sempre o general se preocupou com impunidade ou missão do Exército.

O dia de hoje marca mais uma abdicação na história do Brasil. Na história recente, a teoria do refluxo vem causando indigestão nos ruminantes. Porque, quanto mais porrada leva, mais o Lula cresce. Hoje a democracia abdicou. Faz parte dela ser contra o Lula. Faz parte dela não votar no PT. Faz parte dela não ser de esquerda. Mas, em nome dessa mesma democracia que hoje abdicou, afirmo que não votar no PT ou ser contra o Lula não significa que alguém precise se tornar um fascista. Isso poderia fazer com que não apenas Lula e o PT acabassem, mas que a abdicação da democracia fosse definitiva.

Mas bastaram 55 minutos de discurso para perceber que os anos de ataques e achaques midiáticos não foram suficientes para diminuir a figura de Lula. Nesses 55 minutos Lula “tomou o meu lugar” e rasgou a mídia. O dia de hoje está quase terminando. Foi um dia longo para a democracia. Mas o apoio popular e suprapartidário ao ex-Presidente nos dá a certeza de que amanhã vai ser outro dia.

 

 

 

 

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