O DIA DA MENTIRA

primeiro de abril

“Há um plano comunista, o Plano Cohen, para a tomada do poder.” (1937)

“PT sequestrou o Abílio Diniz.” (1989)

“Filho do Lula é dono da Friboi.” (2013)

“Marielle foi casada com Marcinho VP.” (2018)

Parece até um sacrilégio o Domingo de Páscoa ter caído no “Dia da Mentira”. Claro que os cristãos não duvidarão da ressurreição de Jesus. Porém, o dia primeiro de abril de 2018 é bem adequado para falarmos das mentiras que, ao longo da história, foram (e ainda são) disseminadas com propósitos políticos. Só que hoje as “fake news” não possuem dia. Nem hora. Em épocas distintas da nossa história elas foram utilizadas para justificar golpes, denegrir imagens, mudar o curso das eleições, expandir o ódio. A coisa vem de muito longe, quando ainda nem existia internet.

Em 1937, jogaram nas costas dos comunistas a “culpa” pelo golpe do Estado Novo. Vargas, querendo manter-se no poder, afirmou ter “descoberto” um plano, chamado “Cohen”, em que os comunistas tramavam a tomada do poder. O general Mourão Filho, que fazia parte da Ação Integralista (fascismo) foi o redator do “terrível documento”. As eleições foram suspensas e instalou-se a ditadura do Estado Novo. Quando descobriu-se que o “tal plano comunista” era falso, aí já era tarde.

Na véspera do segundo turno da eleição presidencial de 1989, o empresário Abílio Diniz, dono da Rede Pão de Açúcar, foi sequestrado. Os sequestradores, presos. Mas antes de serem apresentados à imprensa para serem fotografados e filmados, os bandidos foram vestidos com camisas do PT. Pronto! “O PT sequestrou Abílio Diniz!”. O “Caçador de Marajás” ganhou a eleição. Pouco tempo depois, viu-se que os sequestradores nada tinham a ver com Lula ou o PT.

Mais recentemente, tentaram dizer, e chegou a “colar”, que o filho do Lula, e até o próprio Lula, eram donos da Friboi. Mas parece que não combinaram com o Joesley. A máscara também caiu. Porém, o estrago foi grande.

Há apenas duas semanas tentaram, também, denegrir a imagem da vereadora Marielle Franco, atribuindo a ela ligações e casamento com traficante, dentre outras mentiras. Até uma desembargadora cheia de ódio e um deputado federal do DEM entraram na onda. Nada, absolutamente nada, era verdadeiro.

Repetir maciçamente mentiras é uma das grandes armas nazi-fascistas. Não é à toa que o Ministério da Propaganda de Hitler era o mais importante. E, desgraçadamente, parece que Joseph Goebbels cumpriu sua missão. Muitos “entraram na onda” das mentiras “repetidas mil vezes”. Elas viraram “verdades” que mataram milhões de pessoas.

Muitas mentiras ainda virão. Mas, infelizmente, não mais com o objetivo de brincadeiras do “Dia da Mentira”. Eu sempre gostei da inocente brincadeira do “Caiu primeiro de abril!”. Porém, tomemos cuidado. O golpe militar de 1964 foi em primeiro de abril. E isso não é mentira. Naquele dia, não foi o “primeiro de abril” que caiu. Foi a democracia. E ela não pode cair outra vez.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s