MORO E OS MISTÉRIOS DA EXONERAÇÃO

exoneração de moro

O que levaria um juiz de direito, adorado e tido como “herói” por grande parte da população, a pedir exoneração do cargo de professor da Universidade Federal do Paraná, o Estado em que ele vive? O que poderia levar um juiz, que está envolvido em uma campanha para a manutenção do imoral auxílio-moradia para sua classe, a abrir mão do salário de professor em uma Universidade Federal? Pois bem, o Diário Oficial da União,  publicou, em sua edição de 13 de março de 2018,  a exoneração do juiz Sérgio Moro do cargo de professor da Universidade Federal do Paraná, onde o magistrado lecionava Processo Penal desde 2007.

Evidentemente, a exoneração causa espanto. Circulam comentários de que ele teria pedido exoneração para dedicar-se exclusivamente aos processos da Lava-Jato. Não acreditamos nesta justificativa, até mesmo por uma questão pecuniária. Se o cara não abre mão de um auxílio-moradia, por que abriria mão do salário de professor em uma Universidade Federal? Mas não faremos, como os fascistas fazem, ilações ou acusações irresponsáveis. Entretanto, alguns detalhes podem nos levar à reflexão. Estamos falando em reflexão, coisa rara em tempos difíceis de muitas pessoas pensarem.

Em primeiro lugar, o pedido de exoneração de Moro coincide com a iminente prisão do ex-Presidente Lula, sentenciado por Moro em primeira instância. Fala-se de uma grande reação popular em favor do ex-Presidente, que lidera a corrida presidencial em todas as pesquisas. Não sabemos se, de fato, esta reação ocorreria no caso de Lula ser preso, mas fala-se que Moro, temendo a reação popular, estaria planejando mudar-se para os Estados Unidos. Será que o juiz daria uma de Lacerda, que em 1954, após a morte de Vargas, fugiu do Rio de Janeiro com medo do povo?

Mas os Estados Unidos não param por aí neste episódio. Isto porque a sua exoneração da Universidade também coincide com a divulgação de vídeos que mostram claramente autoridades norte-americanas confessando que deram “cooperação informal” para a Lava-Jato, incluindo aí o famigerado caso do triplex do Guarujá. A chamada “cooperação jurídica internacional”, a denominação correta, deve seguir trâmites legais, sob o risco de torná-la nula e ao próprio processo.  Se houve cooperação internacional sem seguir os trâmites legais ou de modo “informal”,  é algo análogo a uma delação premiada não autorizada. Está fora do processo. Em outras palavras, é ilegal. E, não resta dúvida, os vídeos, queiram ou não, desconstroem em grande parte a Lava-Jato e dá a ideia de que a operação vem sendo tutelada pelos Estados Unidos. Então, inexoravelmente, temos a consequência política: que interesse os Estados Unidos teriam em tudo isso?

Exoneração a pedido, iminente prisão de Lula, colaboração não-oficial e ilegal por parte dos Estados Unidos… É… Parece que alguns castelos foram feitos de areia… E olha que em Curitiba nem tem praia…

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