INTERVENÇÃO, PARA QUE VIESTE?

intervenção militarPassado um mês da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, vejamos algumas notícias apenas da última semana:

“Vereadora do Rio é executada dentro do carro”; “Tiroteio na Presidente Vargas, no Centro, deixa um morto e dois feridos”; “Homem é morto em assalto no Cachambi na frente do filho de 5 anos”; “Tiroteio deixa baleados em São Gonçalo”;  “Policial militar é morto durante troca de tiros em Queimados”; “Enterrado menino morto no Complexo do Alemão”.

Quando o presidente golpista decretou a intervenção federal na segurança do Estado do Rio de Janeiro, há pouco mais de um mês, sabíamos que tratava-se de mais um golpe. Foi, no atual contexto, o único meio de Temer tentar captar alguma popularidade, que está bem próxima de zero. Mas a intervenção federal militar teve cerca de 80% de aprovação. Logo, seria uma agenda promissora para colher capital político em tempo de eleição. Tanto que parece (não se iludam!), apenas parece que ele abandonou a reforma da previdência, sobejamente repelida pelo povo. Fazer intervenção federal militar, colocar tropas nas ruas, ver soldados armados, tanques e carros de combate é uma visão de segurança que grande parte da população possui. De fato, a segurança no Rio estava (ou ainda está?) a níveis insustentáveis. Mas, e os outros setores? Hospitais que matam literalmente, porque faltam médicos e material. Escolas que não ensinam, porque faltam professores e material. Transportes urbanos, especialmente os ônibus, prestando péssimos serviços. Saúde, educação e transportes, a níveis igualmente insustentáveis, tal como a segurança. E por que não houve intervenção nesses outros setores? Porque não apareceria. Isso mesmo. Não seria algo visível. Escolas funcionando com professores e condições de trabalho, assim como hospitais funcionando com médicos e equipamentos,  são coisas “dos muros para dentro”. Coisas “dos muros para dentro” que farão muita diferença para fora dos muros. E é daí que vem a verdadeira segurança.

Intervenção requer planejamento. Ao que se sabe, até agora, não houve. Intervenção requer discussão com a sociedade. E sabemos que também não houve. Intervenção requer, principalmente, dinheiro. O general-interventor afirmou que são necessários 3 bilhões para que a intervenção possa ser levada adiante. Temer ontem falou em apenas 800 mil. Eles também parecem não se entender. O ministro Raul Jungman já mudou a versão sobre o desvio da munição que teria sido usada no assassinato da vereadora Marielle.

Mesmo quem apoia a intervenção quer resultados. Imediatos. É igual ao futebol. E, a grande verdade é que, em termos de resultados, a intervenção ainda não disse para que veio. Cadê o planejamento? Cadê a discussão com a sociedade? Cadê, principalmente, os recursos?  Intervenção supõe estado de emergência e de exceção e, portanto, os resultados devem ser bem mais rápidos. Se outras intervenções tivessem sido feitas, a longo prazo, não seria necessária essa. Onde as Forças Armadas foram se meter! Receio que, desta vez, quem sofreu o golpe foram os militares…

PS: No exato momento em que escrevíamos este artigo, chegou até nós a notícia de que bandidos quase roubaram o caminhão que transportava o figurino de Katy Perry, em plena Avenida Brasil. E em plena intervenção.

 

 

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