MARIELLE, POLICIAIS E OS DIREITOS HUMANOS

direitos humanos“A vereadora Marielle Franco, executada covardemente na noite da última quarta-feira, foi uma companheira incansável na prestação de auxílio às famílias de policiais mortos. Quando fui chefe de gabinete do comando, trocava informações diretamente com Marielle para que ela fizesse a ponte jurídica e ajudasse as famílias. Um trabalho muito grande no amparo, procurando agilizar na recepção de proventos, benefícios ou aposentadoria. É um trabalho silencioso e muito bonito que as pessoas, na maioria, ignoram. É uma bobagem dizer que ela não defendia policiais.”

A declaração acima foi feita por ninguém menos que que o coronel Ibis Pereira, ex-chefe de gabinete do comando da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O coronel Ibis Pereira lembrou, em uma entrevista concedida logo após o assassinato de Marielle, do trabalho que ela já realizava bem antes de ser vereadora. Marielle, muito antes de ser eleita para a Câmara Municipal, foi assessora da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ali, ela trabalhou por 10 anos prestando todo tipo de auxílio jurídico e psicológico aos familiares de policiais assassinados e aos próprios policiais que tivessem sido vítimas. Como assessora da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, Marielle desenvolvia um trabalho eficiente e silencioso de apoio a todos os familiares de policiais que procurassem a comissão. O depoimento de Rose Oliveira, mãe do policial civil Eduardo Oliveira, morto em 2012, ilustra ainda mais o trabalho em prol dos policiais desenvolvido por Marielle. Disse Rose de Oliveira:

“Ela fez por muita gente, para família de policiais, foi muito importante no caso do meu filho. Ela resolveu o meu caso. Resolver não, porque quem resolve é a Justiça. Mas me ajudou. Registrou todo caso, pegou o número do inquérito que virou processo. Ajudou com um abraço, uma palavra amiga, o acolhimento, a preocupação com a família.”

Os depoimentos do coronel Ibis e de Rose, mãe do policial Eduardo, falam por eles mesmos. A despeito de discursos  que tentam desqualificar a atuação de Marielle quando trabalhou na Comissão de Direitos Humanos, a resposta são os próprios fatos. Enquanto os fascistas rosnavam, Marielle trabalhava, silenciosa e incansavelmente, na prestação de auxílio a policiais vítimas de violência e seus familiares. Aqueles que falam com desdém dos direitos humanos, talvez tenham algum “desvio taxonômico” porque essas pessoas, certamente, não pertencem à espécie humana. Ou também pode ser que ainda não tenham evoluído. Enquanto em países com maior desenvolvimento, melhores condições de vida, inclusão social, melhor distribuição de renda,  os direitos humanos são “cláusulas pétreas”,  no Brasil os direitos humanos são vistos pela direita como “coisa de comunista e esquerdista.” O próprio Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948 e, em 70 anos da famosa declaração, nenhum governo retirou a chancela brasileira. Porém, lutar pelo seu cumprimento, é tarefa árdua. Que Marielle jamais abdicou. É sintomático quando vemos os adversários e inimigos de Marielle, defendendo a volta de um regime em que justamente os direitos humanos foram os mais violados. Marielle lutava para que esses tempos jamais voltem em nosso país. E eles não voltarão. Até porque, tem muita gente que, embora não apareça, nesse exato momento, trabalha na defesa dos direitos humanos para todos. Perguntem ao coronel Ibis e à dona Rose.

 

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