ENFIM, DELFIM!

delfim netto

“O meu negócio é números!”

Assim falava o personagem encarnado por Jô Soares que representava Delfim Netto, satirizando o fato de o economista estar ocupando o cargo de Ministro da Agricultura durante o governo do general Figueiredo. Agricultura não era lá a sua praia. O negócio dele era mesmo os números. E que números! Delfim Netto foi o condutor do nefasto “milagre econômico’ como Ministro da Fazenda durante a ditadura militar. Foi ele que falou que “o bolo tinha que crescer para depois ser dividido”. O bolo cresceu, mas ao contrário de se dividir, a concentração de renda aumentou. Ele também teve participação direta na elaboração do AI-5, o instrumento jurídico que acabou com o estado de direito no Brasil. Sua participação nos governos da ditadura coincide com os “anos de chumbo”, embora ele tenha tido a cara de pau de falar que não houve tortura durante o regime militar. Nos anos 1970 ficou conhecido como “Delfim 3%”, alcunha referente às comissões que embolsava com os empréstimos feitos junto a bancos estrangeiros. Foram muitas as suas falcatruas nos governos militares dos quais participou, mas jamais foi investigado por nada.

Ontem, chegou até nós a notícia de que Delfim, enfim, caiu na rede. Na rede da Lava Jato. As investigações dão conta de que as propinas pagas a Delfim na articulação do consórcio para a construção da Usina de Belo Monte, no Pará, chegam a 15 milhões. Beirando os 90 anos de idade, Delfim faz lembrar Maluf em um aspecto: tudo levava a crer que eles jamais cairiam na rede da Justiça. O Ministério Público Federal fala em contratos fictícios com pessoas jurídicas ligadas ao Sr. Delfim e também em fraude na licitação para a obra da usina. Na lista da Odebrecht, uma das participantes do consórcio que ganhou a obra, Delfim leva a alcunha de “Professor”.

Delfim, mesmo fora do poder, tornou-se eminência parda de vários governos pós-ditadura militar, tendo exercido grande influência nos governos Sarney, Collor, FHC, Dilma, Lula e também deu alguns “pitacos” para o golpista do Jaburu.

O que chama a atenção é que agora, e só agora, Delfim está formalmente sendo acusado de alguma coisa. E, mais uma vez, a Lava Jato indica que as irregularidades de Delfim ocorreram só e somente só no governo do PT, embora ele tenha tido participação e influência em todos os acima citados. Seria bom a Lava Jato esticar os seus tentáculos para outros governos. Até porque os malabarismos de Delfim são conhecidos desde sempre. Em termos de malabarismos e comissões, Delfim está acima de todos os partidos e de todos os governos.

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