EXÉRCITO E OS “MONSTROS VERMELHOS”

perigo vermelhoA União Soviética acabou. A “Guerra Fria” não existe mais. As pedras do Muro de Berlim viraram relíquias de tempos idos. Ao contrário do medo que se possa ter do esquerdismo, o que vemos é um avanço da extrema-direita no Mundo, incluindo o Brasil. Vivemos tempos sombrios e de discursos requentados e perigosos. A “cromofobia” voltou há tempos e, agora, na intervenção na segurança do Rio de Janeiro, parece que o inimigo do povo e das Forças Armadas é o “vermelho”, com toda aquela simbologia que faz lembrar os tempos de Nixon, do Macarthismo e da Aliança Para o Progresso.

Chegou até nós a notícia de que o Exército realizou, em uma de suas operações no último dia 2, sexta-feira, a distribuição de panfletos e gibis. Os gibis são edições do Recrutinha, revista que o Exército já publica há tempos e destinada ao público infantil. Nos panfletos, a mensagem sobre a cidade do Rio de Janeiro e seu momento: “Não basta ser maravilhosa, tem que ser segura.” Nos gibis distribuídos, ilustrações mostrando o Exército ajudando a população a se livrar de seus inimigos, que são os “monstros vermelhos”. É certo que, embora as Forças Armadas sejam aparelhos repressivos do Estado, em alguns momentos elas também assumem o papel de aparelhos ideológicos. Porém, usar a cor vermelha para identificar os inimigos do povo é um discurso que, além de retrógrado, é equivocado e perigosoRetrógrado porque recrudesce e corrobora a cromofobia e o ódio simbólico contra o que, outrora, era identificado como “terrorismo comunista”, discurso que não faz, hoje, o mínimo sentido. Equivocado porque o Exército não está em uma missão de luta ideológica. Os traficantes de drogas não possuem qualquer componente ideológico. São bandidos comuns, que só pensam em seus negócios. O Exército não está em luta contra grupos guerrilheiros como os que existiam nos anos 1960 e 1970. Perigoso porque, ao identificar o “vermelho” como inimigo, isso vai até agradar a quadrilhas de traficantes que são rivais do Comando Vermelho e que, eles próprios, execram a cor rubra. É bem provável que os traficantes do Terceiro Comando estejam rindo das ilustrações contidas nos gibis.

Vivemos em outros tempos e parece que o Exército está congelado. Ser vermelho, hoje, pode significar muita coisa, desde ser torcedor do América até ser traficante de uma facção criminosa. Seria melhor que o Exército distribuísse para a criançada joguinhos de caçar pókemons. E, para não dizer que eu sou cromófobo, os monstrinhos não precisariam, necessariamente, ser amarelos…

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