A LAVA-JATO DO FUTEBOL

lava-jato no futebolFlávio Costa, o famoso técnico da seleção brasileira da inesquecível e fantasmagórica Copa de 1950, dizia uma frase que parece ser uma máxima: “futebol não se ganha só dentro de campo”. A frase costuma ser rechaçada pelos “puristas”, quando limitam o escopo da afirmação a resultados combinados, suborno de árbitros ou articulações nos bastidores. Claro que Flávio Costa não se referia a isso, embora saibamos que ocorra. O que não resta dúvida é que uma boa preparação física, um bom departamento médico e, principalmente, dinheiro para montar um time são medidas extra-campo por onde começam as grandes vitórias. Mas, de onde viria o dinheiro?

Alberto Youssef, o doleiro mais famoso do Brasil, envolvido em vários processos, de vários políticos na Lava-Jato, vai virar livro. A obra sobre o doleiro será escrita pelo jornalista Pedro Marcondes e descreverá a biografia de Youssef, destacando fatos relevantes e declarações bombásticas do doleiro. O jornalista Pedro Marcondes está tão empenhado no trabalho, que até deixou seu emprego na revista Isto É para dedicar-se ao livro. E o que o livro sobre Youssef tem a ver com futebol e com o Flávio Costa?

Evidentemente, o trabalho do jornalista-escritor envolve muitas pesquisas e, em uma delas, Pedro Marcondes constatou que três clubes de futebol brasileiros, sendo dois da Série A e um da Série B pediram “socorro” ao doleiro Youssef para fazerem remessa ilegal de recursos para fora do país e também para obterem empréstimos. Claro que fica a expectativa. Quais seriam esses três clubes? Que dirigentes estariam envolvidos? O que acontecerá com os clubes e dirigentes? Será que algum desses clubes ganhou títulos com o dinheiro ilegal e sujo vindo do propinoduto de Youssef? A conferir. Não seria demais conjecturarmos também o envolvimento de empresários de futebol nos esquemas e até o financiamento do futebol dos clubes para posterior lucro do próprio Youssef com negociação de jogadores, já que doleiro “não dá ponto sem nó”.

O livro está previsto para ser lançado ainda este ano. Escritor e biografado assinaram contrato com a Editora Objetiva e tudo indica que será uma obra bastante robusta: estima-se que o livro tenha 400 páginas.

Já sabemos que a Lava-Jato descobriu diversas corrupções ligadas às construções de estádios para a Copa de 2014. Mas parece que a coisa está chegando em clubes. E não nos esqueçamos de que um dirigente de primeiro escalão de um grande clube da Série A já foi preso na Lava-Jato por sua participação na quadrilha de Sérgio Cabral. E, só para lembrar aos desavisados, não foi o Eurico.

Esperamos que, com os nomes dos clubes revelados, bem como as provas, os órgãos competentes, como Ministério Público, Ministério da Fazenda, Polícia Federal e Poder Judiciário tomem as medidas cabíveis, já que o livro mostrará que um dos tentáculos do que é investigado pela Lava-Jato é o futebol. E que também a CBF, como entidade esportiva, tome providências. Claro que a afirmação do velho Flávio Costa não se referia ao que estará publicado no livro. Que tudo seja investigado e que as denúncias com provas que estarão no livro não caiam no esquecimento, como no caso da Portuguesa de Desportos em 2013, quando vendeu sua vaga na primeira divisão do campeonato brasileiro.

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