AS OUTRAS INTERVENÇÕES

Doctor holding stethoscopeeducaçãoA intervenção federal na segurança do Estado do Rio de Janeiro justifica-se, oficialmente, pelo caos e descontrole a que a mesma chegou no Estado. E, é verdade, o próprio figurante que se diz “governador” entregou os pontos. Temos visto manifestações calorosas de apoio. É o velho discurso de que a presença das Forças Armadas, por si só, resolverá o problema, embora um célebre e experiente militar, o general Eduardo Villas Boas, tenha dito que essas intervenções são “desgastantes e inócuas”. Mas não vou entrar nesse mérito. Vamos sim, admitir que a segurança chegou a um nível insustentável. Mas, e a saúde? E a educação? E os transportes? E a situação dos servidores? O que parece é que aqueles que comemoram a tal intervenção e dizem que ela já veio tarde nunca pediram uma intervenção nos outros setores. Nunca matou-se tanto nos hospitais estaduais. Quem trabalha e estuda nas escolas estaduais sabe o caos em que o ensino e as escolas se encontram. O sistema de transportes no estado faliu. Servidores, literalmente, morreram de fome sem salários. E por que, apenas, intervenção na segurança?

Talvez aqueles que aplaudem a intervenção na segurança tenham seus planos de saúde e não sintam o caos dos hospitais do Estado. Seus filhos também não estudam nas escolas estaduais, então eles não imaginam o caos da educação. Eles possuem automóveis, e não sabem o que é depender de transportes públicos. Então, ter ônibus ou não, para eles não faz a mínima diferença. Mas a tal falta de segurança, isso eles sentem.

A tal intervenção demandará recursos. E muitos recursos, por quase um ano. Portanto, não faltam recursos. A questão são as prioridades. Imaginem se tudo o que for gasto até o final da intervenção, em 31 de dezembro, fosse remanejado para os outros setores igualmente caóticos do nosso Estado? Eu arrisco uma resposta: a segurança melhoraria muito. A verdadeira segurança está nas intervenções sociais, nas políticas públicas que beneficiem a maioria e que não promovam exclusões. Todos aqueles que hoje podem cuidar de sua saúde, estudar em boas escolas, ter acesso à renda, ao lazer e a outros direitos, certamente ficariam muito mais seguros se esses direitos fossem universalizados.

Há muito tempo eu cito uma frase de Josué de Castro que, embora aplicada ao mundo, de certa forma ilustra o que dizemos. Disse Josué de Castro: “Metade da humanidade não come; e a outra metade não dorme com medo da que não come.” Então, para que todos possam comer e dormir, são necessárias outras intervenções. Intervenções que trarão segurança para todos. E sem insônias.

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