INTERVENÇÃO PARA QUEM?

intervenção federalImaginem um time de futebol que perde um título importantíssimo ou é eliminado de uma competição. Logo depois da derrota, o seu presidente, visando desviar o foco de insatisfação e também para capitalizar apoio, anuncia a contratação de um grande jogador e diz que já está quase tudo fechado. Esse craque será a solução. Assim a tal “intervenção” na segurança do Rio de Janeiro anunciada por Temer nesse final de semana. Ele perdeu, e feio, aquele que seria o seu grande triunfo: a reforma da previdência não sairá. E, o mais feio ainda, a reforma da previdência vai perder por “W.O.” Pelo menos por enquanto. De nada adiantaram as chantagens e pseudo-promessas do golpista para aprovar aquilo que é compromisso dele com o grande capital estrangeiro e nacional: a reforma que acabaria com os direitos da população mais pobre, porque com juízes e militares ele não teria nem compromisso e nem testículos para mexer.

Então, malograda a reforma da previdência, eis que Temer anuncia a “Redentora”: a intervenção militar na segurança do Estado do Rio de Janeiro. É uma proposta que já fez soar seus ecos positivos, Temer ganhou apoio de alguns setores, meninas bem-comportadas que ainda votam no fantasma do Lacerda aplaudiram. Mas todos se esquecem (e até o general) de que Temer é uma “águia” política. Sabe transformar retumbantes derrotas em possíveis triunfos para ele e para os seus.

Ao decretar a intervenção na segurança do Rio, Temer está pensando nos dividendos políticos da medida. Todos sabem que o governo Pezão morreu. Acho que até ele próprio morreu,  porque o que vemos sempre é um fantasma. Mas o governo do Rio é PMDB. E Temer é PMDB. O PMDB no Rio está esfacelado moral e politicamente e seus principais caciques e bandidos presos. E Temer é PMDB. Como recuperar o partido no Estado, com alguma agenda positiva, mesmo sendo o presidente mais impopular da história? A resposta é simples e foi clichê da campanha de Newton Cruz ao governo desse mesmo Estado em 1994: “Chame o general!”

Moreira Franco, vulgo Gato Angorá,  ganha. Isso dá um gás para que ele e sua trupe retomem o controle do partido que, apesar de criminoso, tem várias prefeituras no Estado. É uma máquina irrecusável. Um bom naco de poder (e de verbas federais) serão direcionados para que a intervenção traga alguns resultados aparentes. Rodrigo Maia, o fantoche de Temer, perde. Ele sequer foi ouvido e foi “o último a saber” (sem querer ofendê-lo ou à sua dileta esposa). Maia, que tem pretensões políticas no Rio, não foi sequer coadjuvante da ação.  E Bolsonaro também perde. Perde porque chamaram o general antes dele. O eterno “bucha” metido a Rambo vai ter que dormir com mais essa.

Ontem, quando terminou o horário de verão, exatamente no primeiro dia da intervenção, rolou na internet uma brincadeira para atrasar os relógios para 1964. Gostei da brincadeira mas, falando sério, temos é que adiantar os relógios. Sabe-se que enquanto vigorar a intervenção, a Constituição não pode ser alterada e, portanto, a reforma da previdência, que é emenda constitucional, está descartada. Porém, Temer pode preparar terreno para que a reforma seja votada até mesmo depois das eleições de outubro. Fiquemos atentos. A intervenção passa. Teve até uma que durou 21 anos. Só que Temer não teria vida para esperar 21 anos. Portanto, fiquemos atentos. Como dizia o robô da série Perdidos no Espaço: “Perigo, Perigo!”

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