OS PALCOS HISTÓRICOS DO SAMBA

Hoje, continuando a história dos carnavais, falaremos sobre os palcos dos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro, da Praça Onze até o Sambódromo. Acho que alguns irão se surpreender.

praça onze

sambódromo

A Praça Onze é o berço dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. O primeiro desfile, realizado em 1932 e vencido pela Mangueira, ocorreu naquele que, historicamente, é o grande reduto do samba. Porém, o samba não tinha o “glamour” dos dias atuais e a Praça Onze podia até ser considerada um “gueto”, visto que o samba era marginalizado pela elite, que fazia dos desfiles das grandes sociedades o seu ponto alto. Naqueles tempos, sambista era sinônimo de “vagabundo”, “marginal” e até o preconceito o samba teve que vencer para sobreviver.

Com a demolição da Praça Onze, para a construção da Avenida Presidente Vargas, os sambistas ficaram órfãos. Em 1943 e 1944 os desfiles aconteceram na Avenida Rio Branco. Mas um novo palco os aguardava: em 1945, sem local para se apresentarem, o desfile oficial foi realizado em São Januário, o estádio do Vasco da Gama. A Portela foi a campeã daquele ano. E o Vasco entraria para a história por ser o único clube do Brasil cujo estádio sediou um desfile oficial das escolas de samba. Ao abrir as portas para as escolas de samba, o clube da colônia portuguesa dava mais uma prova inconteste de sua trajetória popular.

A partir de 1946 os desfiles passaram a acontecer na Avenida Presidente Vargas, quase que ininterruptamente, até 1977. Durante esse período, as únicas exceções foram os anos de 1974 e 1975, em que os desfiles foram deslocados para a Avenida Presidente Antônio Carlos, em razão das obras do metrô, o que impossibilitou a realização dos desfiles na Presidente Vargas.

A partir de 1978 os desfiles passam a acontecer na Avenida Marquês de Sapucaí. A primeira campeã na Sapucaí foi o Império Serrano, com o inesquecível enredo “Bumbum Paticumbum Prugurundum”, a onomatopeia que representava o samba em suas origens e criticava as “super-alegorias”. Mas ainda continuava a farra das empreiteiras com o “monta-desmonta” das arquibancadas, o que só acabou com a inauguração do Sambódromo, em 1984, pelo então governador Brizola. Na nova passarela do samba, a primeira campeã foi a Mangueira, com o então “Supercampeonato” instituído pela LIESA. Portanto, o Império Serrano foi a primeira escola campeã da Sapucaí e a Mangueira, a primeira campeã do Sambódromo. Com o enredo sobre Braguinha, a Mangueira foi a única escola que realizou a apoteose, que deveria ser o auge do desfile, com todos os componentes ali concentrados. O que deveria ser o ponto alto do desfile, no projeto de Darcy Ribeiro, virou o ponto de dispersão. Mas ao menos uma vez, Darcy Ribeiro viu o seu conceito de apoteose materializado. E não nos esqueçamos que o nome oficial do Sambódromo é Passarela Professor Darcy Ribeiro.

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