50 ANOS DO “SUBLIME PERGAMINHO”

Hoje,  prosseguindo com as histórias do Carnaval, falaremos dos 50 anos do samba-enredo “Sublime Pergaminho”, da Unidos de Lucas, um dos mais belos sambas-enredo da história do Carnaval.

unidos de lucas

O ano de 1968, no Brasil, não nos reservava apenas o famigerado AI-5 e a “Passeata dos Cem Mil” na Avenida Rio Branco. Há exatos 50 anos, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Lucas, o “Galo de Ouro da Leopoldina”, entrava na Avenida Presidente Vargas com o antológico samba “Sublime Pergaminho”. Era domingo de Carnaval, dia 25 de fevereiro de 1968, e em uma obra-prima composta por Nilton Russo, Zeca Melodia e Carlinhos Madrugada, a escola de samba da Leopoldina falava da saga dos escravos, desde sua chegada ao Brasil até a libertação, em 1888.

O carnavalesco da escola era o inesquecível Clóvis Bornay e a quinta colocação obtida no desfile foi o de menos. O que ficou foi um dos mais espetaculares sambas-enredo de todos os tempos e que, ao longo desses 50 anos, sempre figurou em todas as antologias. A composição tornou-se o “hino” da Escola e, até hoje, todos os anos o samba é cantado na hora do “aquece”. Martinho da Vila, Nara Leão e Emílio Santiago, dentre outros, já gravaram este belíssimo patrimônio histórico do carnaval carioca.

No final dos anos 1960 era comum a Unidos de Lucas ensaiar no GREIP da Penha, o clube comunitário localizado no IAPI e em funcionamento até hoje. E foi exatamente no GREIP da Penha que aconteceu a final em que “Sublime Pergaminho” foi escolhido como o samba oficial da Unidos de Lucas do ano de 1968. Abaixo publicamos letra e áudio do samba, em gravação de Martinho da Vila.

Sublime Pergaminho (1968)

Unidos de Lucas

Quando o navio negreiro
Transportava negros africanos
Para o rincão brasileiro
Iludidos
Com quinquilharias
Os negros não sabiam
Que era apenas sedução
Pra serem armazenados
E vendidos como escravos
Na mais cruel traição
Formavam irmandades
Em grande união
Daí nasceram festejos
Que alimentavam o desejo
De libertação
Era grande o suplício
Pagavam com sacrifício
A insubordinação
E de repente
Uma lei surgiu
E os filhos dos escravos
Não seriam mais escravos
No Brasil
Mais tarde raiou a liberdade
Pra aqueles que completassem
Sessenta anos de idade
Ó sublime pergaminho
Libertação geral
A princesa chorou ao receber
A rosa de ouro papal
Uma chuva de flores cobriu o salão
E o negro jornalista
De joelhos beijou a sua mão
Uma voz na varanda do paço ecoou:
“Meu Deus, meu Deus
Está extinta a escravidão”

 

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