CARNAVAL NOS TEMPOS DO EROBALDO

carnavalguaraná antárcticaErobaldo foi um personagem que teve vida curta. Poucos se lembram dele. Ele foi criado no início dos anos 1970 e, na época do Carnaval, ele personificava o folião alegre, que se divertia, brincava o carnaval na rua e só bebia guaraná. Isso mesmo. Erobaldo era o folião sempre alegre e sempre sóbrio. Lembro-me da musiquinha do Erobaldo:

“O Erobaldo tomou conta da cidade. Tremenda curtição… Lá vai ele, no meio da multidão. Vivo de cabeça erguida. Com a garrafa na mão. Erobaldo é que é o bom, Erobaldo é que é o bom…”

Erobaldo pertenceu a uma época bem diferente e foi o carro-chefe de uma publicidade que queria mostrar às pessoas que era possível brincar o carnaval sem precisar ingerir álcool. Era um caso de utilidade pública. Erobaldo é do tempo do Sujismundo, o bonequinho usado na campanha “povo desenvolvido é povo limpo”. Sujismundo ficou muito famoso. Na Copa do Mundo de 1986, no México, foi criado o personagem Arakém, o Gol Man, símbolo da torcida brasileira. Arakém também ficou famoso e até hoje é lembrado. No mesmo ano de 1986 veio o Zé Gotinha, ícone da campanha de vacinação contra a poliomielite. Zé Gotinha também ficou famoso e é lembrado até os dias de hoje.

Mas o Erobaldo não ficou famoso. Quase ninguém sabe que ele existiu e a maioria nem se lembra dele. Erobaldo era de um tempo que não volta mais, em que a Quaresma tinha que ser respeitada e a porrada comia com a Polícia quando o Bloco Chave de Ouro, no Engenho de Dentro, desfilava na Quarta-Feira de Cinzas. Erobaldo é do tempo em que a comissão de frente da escola de samba vinha elegantemente trajada de fraque e cartola. É do tempo do carnaval da Presidente Vargas, quando não era preciso comprar ingresso para assistir ao desfile das escolas de samba. Coisas que não mais existem.

Claro que ainda vemos muitos “Erobaldos” por aí. Mas nos dias de hoje, com as cervejarias patrocinando as escolas de samba e os camarotes do Sambódromo e com os quase 500 blocos que desfilarão no Rio de Janeiro, Erobaldo não seria nada bem-vindo. Hoje certamente a maior campanha publicitária do Carnaval é a do combate aos mijões. Talvez o nosso esquecido personagem fosse um antídoto contra os mijões. Ele não seria bem-vindo nos blocos, no Sambódromo e também seria a ruína dos negócios das fábricas de cerveja. Então, que ele fique só na memória. Mas não nos esqueçamos de que ele também foi de uma época em que o carnaval era muito mais do povo do que hoje. E, do jeito que as coisas mudaram, talvez ele até aceitasse beber uma cervejinha. Claro, com muita parcimônia e sem mijar na rua.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s