E SE LULA NÃO FOR CANDIDATO?

lula huckA pesquisa do Datafolha, divulgada ontem, foi a primeira após a confirmação da condenação de Lula pelo TRF-4. E a pesquisa mostra que o placar de 3 a 0 dos desembargadores gaúchos contra Lula em nada mudou o placar eleitoral. Lula continua, e muito, à frente de seus adversários e inimigos, chegando a 37%. Em todos os cenários onde aparece, Lula oscila entre 34% e 37% e ganharia, também, de qualquer adversário, no segundo turno. Nos cenários em que Lula aparece, o utra-fascista Bolsonaro aparece em segundo lugar, variando entre 16% e 18%.

O grande problema é se Lula poderá ou não ser candidato. Não apenas a esquerda, mas também a direita estão na espreita de um possível “espólio eleitoral” caso a candidatura do petista seja barrada pela Justiça. Nas simulações da pesquisa sem Lula, Bolsonaro seria o primeiro, mas no segundo turno ele perderia em todos os cenários. Mas a grande questão que se discute hoje, fora os aspectos jurídicos da elegibilidade ou não de Lula, é para onde iriam os seus votos caso ele não seja mesmo candidato. É necessário ressaltar que os votos de Lula não são partidários, ou seja, não são votos do PT, e sim do próprio Lula. Basta para isso dizermos que, nos cenários em que o nome de Lula não aparece, o outro possível candidato do PT, Jaques Wagner, aparece com parcos 2%. Logo, a pesquisa mostra que Lula não transfere os seus votos para outro candidato de seu partido e isso é um problema que o PT terá que enfrentar caso Lula não possa mesmo ser candidato. A situação do PT é um dilema: o partido insiste em manter Lula candidato, o que lhe daria a vitória,  mas, por outro lado, caso ele realmente não possa disputar a eleição, quanto mais tarde o partido lançar outro nome, mais difícil será trabalhar esse nome e vinculá-lo à figura de Lula para transferir os votos.

O possível “espólio eleitoral” de Lula gira em torno de 50 milhões de votos. E, evidentemente, outros candidatos do mesmo campo, ou próximos ao campo ideológico de Lula, iriam herdá-lo, como Ciro Gomes, Marina Silva e Manuela D’Ávila, por exemplo. Essa pulverização, com toda certeza, fortaleceria a direita, visto que fatalmente levaria a um realinhamento na distribuição dos votos que possibilitaria a ida de dois candidatos da direita para o segundo turno: Bolsonaro e “mais algum”. E quem poderia ser esse “mais algum”? Em nossa avaliação, Luciano Huck, o “tucano sem partido”. É possível que até o apresentador global herde parte dos votos lulistas. Chegam notícias de que Luciano Huck animou-se com a pesquisa, pois chegou a 6%, junto com o tucano Alckmin, mesmo ao afirmar que não seria mais candidato. A direita poderia, tranquilamente, prepará-lo para derrotar Bolsonaro em um eventual segundo turno. O ultra-fascista faria o papel de “boi de piranha”  na segunda etapa da eleição.

Parece que a direita tem fetiche por nariz. Em 2014 foi o furioso nariz do Aécio. Agora, surge a possibilidade de aposta no caridoso, apolítico, empreendedor e bem-comportado nariz do Huck. Se não vingar, aí eu acho que em 2022  eles chamarão o Pinóquio mesmo…

 

 

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