O TAPETE E A POEIRA DO JUIZ

poeira debaixo do tapetejustiça tucanaO juiz Ricardo Leite que, com extremo rigor, ordenou o confisco do passaporte do ex-Presidente Lula, não demonstrou ser rigoroso em outras situações, especialmente envolvendo altos funcionários de bancos privados envolvidos na Operação Zelotes, que apura corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.

Ricardo Leite tornou-se muito conhecido durante esta semana ao tomar uma medida que até mesmo a mídia anti-Lula considerou absurda e desnecessária. Como considerar possível fugitivo alguém que informa à Justiça o dia,  a hora e destino de seu embarque? Como muitos, a impressão que se tem é a de que o ilustre magistrado quer tirar “uma onda” de fama no caso que envolve o ex-Presidente. Mas é bom que todos saibam a poeira que está debaixo do tapete desse juiz.

Ricardo Leite já vinha sendo investigado por sua atuação na Operação Zelotes, que sempre foi dificultada por ele. O rigor com Lula não se repetiu em pedidos de prisões preventivas de envolvidos na operação. Do mesmo modo, o juiz Ricardo Leite determinou o fim de interceptações telefônicas que poderiam elucidar e comprovar crimes cometidos por altos funcionários dos bancos Bradesco e Santander. Ele também sustou operações de buscas e apreensões da referida operação. Mas viu grande perigo em Lula fazer uma rápida viagem, de não mais de três dias, tendo informado a data e o destino. Claro que debaixo do “tapetão” dos gabinetes de alguns magistrados exite muita poeira.

Sérgio Moro, por exemplo, “não viu” os 500 milhões do Escândalo do Banestado envolvendo tucanos. Também absolveu Cláudia Cruz, mulher de Cunha, apesar da farta documentação comprobatória de suas contas no exterior. Adriana Anselmo, a “bandoleira do Leblon”, também foi absolvida por ele. Agora, Ricardo Leite demonstra ter a mesma lente seletiva de Moro para tomar decisões contra alguns e poupar outros. Isso sem falar que os processos de crimes contra tucanos mofam, apodrecem e prescrevem no tribunais. Os crimes de Serra foram declarados prescritos no mesmo dia da confirmação da condenação de Lula. Os de Eduardo Azeredo e Aécio estão indo para o mesmo caminho. Todos tucanos. Só para darmos um exemplo, o “mensalão tucano” é de 1998 e seus responsáveis jamais foram punidos. O do PT é de 2003 e todos já foram julgados, sentenciados e presos.

Não podemos acreditar em uma Justiça severa para uns e suave para outros. Se os escândalos dos tucanos tivessem o mesmo rigor da Justiça, poderíamos acreditar em isenção. Mas ninguém é obrigado a acreditar na Justiça. E eu não acredito em “Justiça seletiva”. Muita poeira deve ser apurada (e depurada) debaixo dos tapetes desses tribunais!

 

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