A NOVA AVENTURA DO “JÂNIO DE GRIFE”

doria e jânioSe há uma coisa que João Dória nunca quis ser é Prefeito de São Paulo. Ele foi eleito em 2016, graças à onda anti-petista que tomou força, principalmente com o golpe do impeachment. Com apoio de cardeais do tucanato e a pecha de “apolítico”,  ficou fácil para o “Engomadinho do Tietê” ganhar. Mas, para quem se dizia “apolítico” e logo depois de eleito iniciar uma campanha em nível nacional, percebe-se que seu projeto acabaria indo muito além. Dória tornou-se um prefeito absenteísta por um bom tempo em 2017, visitando cidades pelo Brasil afora, em um delírio que fazia lembrar “Alice no País das Maravilhas”. Era sério. Ele queria ser Presidente da República, embora não fosse “político”. Mas, parafraseando Drummond: “E agora João? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu…”

A coisa era tão séria, que ele vestiu-se de gari, pegou na vassoura, viajou de ônibus, comeu pastel na lanchonete, em atos que lembravam Jânio Quadros. Ele já estava em campanha em seu primeiro dia como prefeito.  Mas Dória não seria um “Jânio qualquer”. Ele penteia os cabelos, veste-se impecavelmente e, em tempos de e-mail e WhatsApp,  não manda bilhetinhos manuscritos. Também não come pão com mortadela e usa anti-caspa da melhor qualidade. Seu populismo rasteiro permite-nos chamá-lo de “Jânio de Grife”. Talvez ele tenha se inspirado em seu protótipo para sua atitudes, mas não teve o gás suficiente.

Agora, ele surge como candidato dos tucanos a Governador de São Paulo. Está sendo articulada uma aliança com o o DEM e com o PSD de Kassab. O novo sonho do “Jânio de Grife” ficou mais possível com a saída de Serra da disputa. Serra anda mais torrado do que torresmo de botequim e as últimas denúncias de recebimentos estratosféricos de propina e caixa 2 também bombardearam as pretensões oníricas do “ET”.

Tudo leva a crer que Dória, mesmo assim, terá muito trabalho, muito mais do que pegar na vassoura e varrer a Avenida Paulista. Sua aceitação já caiu consideravelmente nas últimas pesquisas e os paulistanos ludibriados que nele votaram já perceberam que ele odeia ser Prefeito. E perceberam, também, embora não entendam, como que um “gestor apolítico” ousa alçar tantos voos no mundo político, inclusive quebrando etapas?

Quando o protótipo de Dória elegeu-se prefeito de São Paulo, em 1985, não existia onda anti-petista. Jânio foi eleito, derrotando FHC, candidato da situação, quando este, liderando as pesquisas, disse que era ateu e deixou-se fotografar já na cadeira de Prefeito. Perdeu. E, a partir dali e para sempre, Fernando Henrique passou a acreditar em Deus. O contexto, em certos aspectos, lembra o de 1985. Dória será candidato da situação, terá apoio da mídia, é tido como gestor moderno e São Paulo é o território tucano por excelência. Mas, cuidado. Política não é ciência exata. E eleição não se ganha achincalhando pessoas que a mídia odeia.  A eleição para Presidente do Vasco da Gama, ocorrida no último dia 19, que nos diga…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s