TRUMP E OS “PAÍSES DE MERDA”

países de merdaNa mesma semana em que, no Brasil, Bolsonaro disse que “comia gente”, Trump vomitou, nos Estados Unidos, mais uma de suas verborragias xenófobas: disse que o seu país não era obrigado a receber imigrantes vindos de “países de merda”. O assaque do ultra-direitista que preside os Estados Unidos teve como alvos, especialmente,  países da África e da América Central. Dois vizinhos da América Central foram especialmente ofendidos: El Salvador e Haiti. O Haiti, um dos países mais pobres do mundo, vítima da miséria, doenças e tragédias, como terremotos, foi o único do continente americano cuja independência, em 1804, foi resultado de uma revolta de escravos, que expulsaram os franceses e decretaram a primeira república negra livre da América. Talvez isso ainda cause calafrios em Trump e seus assemelhados.

O discurso tem, nitidamente, um viés nazista, quando reforça a ideia de que os americanos não devem se misturar. E também porque os imigrantes seriam os responsáveis por mazelas em seu país. Foi o mesmo discurso de Hitler, até tomar o poder em 1933. É como se os Estados Unidos fossem “puros”, “originais” e tudo o que eles possuem, material e culturalmente, é resultado apenas do que eles construíram. Para casos como esses, onde o etnocentrismo vai além de repulsas momentâneas e não procura se superar, nada como algumas anotações de Antropologia. Há um texto interessante do antropólogo e professor Roque Laraia, intitulado “A Difusão da Cultura”, em que são elencadas várias contribuições culturais estrangeiras que hoje formam o “modo de vida americano”. Sem essas contribuições, o estilo de vida de um americano típico não seria do modo como conhecemos. São muitos os exemplos, mas basta citar alguns para chegarmos a uma simples conclusão: os Estados Unidos são muito mais do que uma mente tacanha e que sofre de bitola da retina como o Trump pode pensar. Pensemos em um dia típico de cidadão dos Estados Unidos:

Ao acordar, ele levanta-se de uma cama, cujo padrão original é do Oriente Próximo. Ele usa pijama, vestuário típico da Índia. Costuma, ainda pela manhã, fazer a barba, que é um ritual masoquista vindo da Mesopotâmia ou do Egito. Também usa muito o vidro, invenção igualmente do Egito. Em época de chuvas ou nevasca, calça galocha, originária dos índios da América Central, onde Trump disse que os países são de merda. Ele adora consumir e para isso usa moedas, inventadas na Líbia. Usa faca de aço, liga criada na Índia. Bebe café, que veio da Etiópia e saboreia melão, vindo do Irã. Fuma cigarro, invenção do México e charuto, que veio das Antilhas.

Em relação ao cidadão Trump, além dos exemplos citados, ele próprio já foi capa de uma famosa revista que encantava o mundo masculino. E essa revista era impressa em um material inventado na China e por um processo criado na Alemanha.

Talvez, por tudo isso, Trump ache que ele, seu povo e seu país devam ser “cem por cento americanos!” Ele só não diz se é com ou sem os “países de merda”.

 

 

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