CRIVELLA, CARNAVAL E O “BLOCÓDROMO”

arena carnavalCrivella odeia o Carnaval. Crivella odeia o samba. Crivella odeia as escolas de samba e os blocos carnavalescos. Crivella odeia a cultura popular. O pastor-prefeito nem sequer cumpriu, no primeiro Carnaval de seu governo, o protocolo da entrega simbólica da chave da cidade para o Rei Momo, a tradicional cerimônia que decreta o início dos festejos carnavalescos no Rio de Janeiro. Ele simplesmente “não deu as caras”. Como também nem apareceu no Sambódromo para os desfiles.

Agora, com a proximidade do Carnaval, vai ganhando força o projeto do pastor-prefeito de criar um espaço na Barra da Tijuca, que seria a “Arena Carnaval Rio”. O local seria montado onde funcionou o Parque dos Atletas na Olimpíada e onde, até 2015, acontecia o Rock in Rio. Oficialmente, a Riotur, empresa municipal que organiza os eventos da cidade, afirma que o local daria mais “conforto e segurança” aos foliões, com toda a infra-estrutura. A capacidade seria para 80 mil pessoas.

Evidentemente que vemos com desconfiança uma iniciativa ligada ao Carnaval partindo de alguém que odeia carnaval, como é o caso do pastor-prefeito. Com que finalidade ele estaria tirando o “carnaval de rua” das ruas? A quais interesses a medida atende? Muitos foliões ligados ao carnaval de rua são contra a iniciativa, especialmente pelo risco de a mesma acabar com a espontaneidade dos blocos de rua. O local, apelidado de “blocódromo”, acabaria se transformado no grande palco de apresentação dos blocos, que sairiam das ruas e ficariam ali concentrados. Então, não teríamos mais carnaval de rua?

Claro que a coisa pode partir para uma elitização. Foi o que aconteceu com os estádios pelo Brasil afora. Acabaram com o Maracanã, que não tem mais geral, está privatizado, elitizado, virou um grande “teatro” e, ao que tudo indica, neste ano terá mais shows do que jogos de futebol. Já imagino o futuro do “blocódromo” do Crivella: camarotes, setores vip, ingressos caros e, tal como o “Sambódromo”, os inevitáveis guetos: deverá haver algo que lembre o setor 1 e a Apoteose. Talvez, a grande massa ainda faça um setor zero do lado de fora. Será que teríamos, também, a venda de pulseirinhas bentas, abadás e colares milagrosos, além da fatídica corda para separar aqueles que pagarem pelas suas salvações a partir da Quaresma? Haja cinzas para o eterno retorno…

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