TEMER ENCONTROU-SE COM A GLOBO

temer e globoO caso faz lembrar o vergonhoso Escândalo da Parabólica de 1994, onde o então Ministro Ricúpero combinou a elaboração de uma matéria no Fantástico para beneficiar FHC e prejudicar Lula nas eleições que se avizinhavam. Só que a conversa entre Ricúpero e o jornalista Carlos Monforte foi captada e a máscara caiu.

Dessa vez, o encontro foi entre os pesos-pesados. O JB on line noticiou que, no início de outubro, Temer reuniu-se reservadamente com João Roberto Marinho, o manda-chuva das Organizações Globo. Foi o encontro da lama com o esgoto. Soube-se que Temer reclamou da cobertura dada pela Besta do Jardim Botânico ao escândalo da gravação do diálogo subterrâneo entre ele e o dono da JBS. Na conversa, também falou-se da cobertura da Globo sobre seu governo e, o principal de tudo: Temer pediu apoio da Globo à reforma da previdência, que penaliza trabalhadores jovens e aposentados e da qual estão excluídas, dentre outras categorias, juízes e militares. O pedido de apoio da Globo à reforma da previdência é desnecessário. Todos os veículos de comunicação do Império dos Marinhos defende veementemente a reforma criminosa de Temer e seus comparsas. A Globo aberta, a Globonews e seus comentaristas, os editoriais de O Globo, todos são veículos em defesa da reforma da previdência. Temer deve ter falado o mesmo que falou a Joesley Batista: “Mantenham isso!”

Temer aproveitou ainda para dar uma espetada,  lembrando a João Roberto Marinho que a Globo também foi citada em delações no escândalo de corrupção da FIFA. Em outras palavras, “temos telhado de vidro, somos todos bandidos.” É evidente que esse encontro é absolutamente absurdo e anti-republicano. De certa forma, é uma ameaça àquilo que a Globo tanto diz defender, que é o “jornalismo independente”. Mas eles, como Temer, nunca foram independentes para nada. Sempre mamaram nas tetas do governo, principalmente na ditadura militar e nos governos Collor e FHC.  Certamente, após esse encontro, mais verbas federais de publicidade vão rolar para a Globo. E tome alpiste para o passarinho…

 

OLARIA PEDE CHOQUE DE ORDEM

linha 484484O absurdo que acontece ao lado da estação de Olaria jamais aconteceria na Zona Sul. Aliás, “choque de ordem”, desde a gestão do Sr. Dudu Paes, nunca foi para a Zona Norte. Há tempos que vários ônibus da linha 484, da Viação Breda Rio,  que faz ponto final na Rua Angélica Mota, se enfileiram no muro ao lado da estação de trem, na Rua Leopoldina Rego,  atrapalhando tanto o trânsito como a passagem de pedestres. O absurdo chega ao cúmulo de, bem junto à passagem subterrânea que dá acesso à estação da Supervia, não haver sequer espaço para a passagem das pessoas, como mostra uma das fotos que ilustram este artigo. Mães com crianças em seus carrinhos não conseguem passar pelo local. O estacionamento dos ônibus naquele local é totalmente irregular, além de ser fora do ponto. Há dias em que até oito veículos ficam enfileirados, tomando o espaço do pedestre e impedindo o livre exercício do direito de ir e vir do cidadão. Quem precisa atravessar a Rua Leopoldina Rego passa pelas maiores dificuldades.

Desde o ano passado que este desrespeito vem sendo denunciado através do telefone 1746, mas nenhuma providência foi tomada. Enquanto isso, o Pastor-Prefeito está nos Estados Unidos vendo o Mickey e fazendo compras. Para ele, Olaria e a Zona Norte que se explodam.

É bom lembrar que em Olaria existem dois templos da Igreja Universal. Um deles, fica em um trecho bem movimentado da Rua Noêmia Nunes. Claro que se fosse na porta de uma das Igrejas do Pastor-Prefeito isso não aconteceria. Olaria exige respeito e a presença do poder público no local para coibir mais esse abuso da máfia das empresas dos ônibus.

 

 

2018: UM ANO QUE PROMETE

20182018 é um ano que, sob todos os aspectos, vai mexer com os brasileiros. Com políticos e partidos desacreditados, teremos uma das maiores eleições de nossa história. E, com uma seleção cheia de créditos, iremos para a Copa do Mundo na Rússia. Esses dois eventos marcarão o ano que se avizinha.

Sobre as eleições, não é exagero dizer que elas serão certamente as mais acirradas de toda nossa história. As cicatrizes da derrota do Aécio e da direita nas urnas e do consequente golpe do impeachment da Dilma jamais desaparecerão. Na verdade, 2018 será a continuação de 2014, “a eleição que não acabou”. Iremos, na verdade, para o “quinto turno” (Dilma ganhou dois nas urnas e perdeu dois no tapetão midiático-parlamentar-empresarial). Isso faz até lembrar os antigos Campeonatos Cariocas nos anos 1960 e 1970, cheios de “turnos”. A expectativa é de radicalismos. Tudo leva a crer que, pela primeira vez, a extrema-direita terá um candidato próprio. Bolsonaro e seus seguidores talvez apostem nos exemplos de avanço da extrema-direita pelo mundo afora.

Uma eventual condenação de Lula em segunda instância pode ter efeitos inesperados. Seus votos poderão ser pulverizados. Mas, preso, ele também poderá ser tido como “mártir” e servir de esteio à campanha do PT. É possível que sua condenação saia pela culatra. Muitos partidos, envergonhados, entrarão no pleito com outros nomes e siglas. O PMDB de Temer é um deles, que voltou a ser MDB, a sigla da resistência partidária à ditadura. Uma impostura. Não acredito que eles lancem candidato. O Alckmin congrega tudo o que querem. Até porque o PMDB sempre esteve em todos os governos e o partido já chegou três vezes à Presidência da República sem precisar de um único voto.

Mas 2018 também será um ano de efemérides notáveis. A começar pelos 100 anos do fim da Primeira Guerra. E, para desespero dos direitistas conservadores, se 2017 marcou os 100 anos da Revolução Russa,  2018 marca os 200 anos do nascimento de Karl Marx. Gostando ou não, concordando ou não, seu pensamento dividiu a humanidade e, certamente, vários eventos ocorrerão em 2018 para celebrar a data. Tomara que quadrilhas fascistas não invadam universidades, como ocorreu em 2017. Não podemos esquecer que 2018 também marca os 30 anos de promulgação de nossa Constituição Cidadã, o marco do fim da ditadura militar. Com todos os tropeços, PECs e omissões, ela ainda sobrevive. E, no Brasil, uma Constituição chegar aos 30 anos é algo historicamente raro. Até então, das sete Constituições brasileiras, apenas duas haviam alcançado essa proeza: a de 1824 e a de 1891.

Não esquecendo do Carnaval, 2018 marca ainda o centenário do Cordão do Bola Preta, a mais tradicional agremiação do carnaval de rua do Rio de Janeiro. Não entendo como nenhuma escola de samba explorou a data para fazer o seu enredo.

Que 2018 seja um ano em que a democracia e a soberania popular vençam as tentativas de golpe. Muita força ao nosso povo para suportar mais um ano de governo ilegítimo, impopular e criminoso de Temer e sua quadrilha. Lutemos contra a maldita reforma da previdência, que só beneficia o grande capital e os banqueiros.  E muita força também aos funcionários públicos estaduais do Rio de Janeiro. Que resistam a mais um ano do fatídico e facínora desgoverno do Pezão, o filhote do Sérgio Cabral.

Que o Brasil e o Rio de Janeiro sejam retomados pelo povo nas urnas!

SOBRE O VERBO “MALUFAR”

paulo-maluf-sp-preso-20171220-0001Paulo Maluf. Tudo de ruim já se falou e sabe-se dele. Hoje, finalmente ele foi preso. Com o corpo curvado e apoiado em uma bengala. Sem a empáfia e a arrogância de quem sempre acreditou na impunidade de bandidos engravatados que ele próprio representa muito bem. Mas Maluf vai entrar para a história porque certamente originará um neologismo. Se o verbo “collorir” significou, por algum tempo, “votar no Collor” e se o verbo “brizolar” significou, por algum tempo, “votar no Brizola”, o verbo “malufar” significará, para sempre, “roubar”. Tem-se notícias de que começou a roubar quando, ainda estudante de Engenharia, ocupou cargo de diretor do Centro Acadêmico de sua faculdade e desviou recursos. Em 1979, jornais, quando lembravam o episódio, diziam: “Malufinho já malufava bem!”  O verbo é antigo. Maluf conjugou-o em todos os modos e tempos. Tirou proveito de que, grande parte de seus assaltos aos cofres públicos ocorreram durante a ditadura militar, época em que o Ministério Público, a Polícia Federal e o Poder Judiciário eram amordaçados e não tinham independência.

Sempre viveu sob o manto imoral do foro privilegiado. Roubou em todos os cargos que ocupou e chegou a comprar votos em sua frustrada campanha para Presidente da República pelo Colégio Eleitoral em 1984.  Valeu-se de recursos judiciários que pareciam infinitos para jamais pagar pelos seus crimes. Pagou perito para dizer que assinaturas não eram suas. Cinicamente disse que o “Paulo Maluf” do documento  de um banco estrangeiro não era ele.

Claro que pela sua idade ele certamente terá benefícios. Mas sua prisão é simbólica.  Certamente irá para uma “domiciliar”. É questão de tempo. Os detentos da penitenciária ficarão mais tranquilos com essa medida, pois não correrão o risco de serem “malufados”. 

 

TRUMP E O “DARWINISMO VIRTUAL”

neutralidade da internetDepois da seleção natural na biologia e do “darwinismo social” preconizado pelos nazistas, estamos chegando aos tempos do “darwinismo virtual”. O ultra-direitista Donald Trump quer acabar com a neutralidade na internet, o que, em termos práticos, seria um ataque à isonomia dos usuários da rede.

A internet é, por princípio de seus próprios criadores, um território público, onde todos os usuários devem ser considerados iguais. Como o fim da neutralidade pode afetar pessoas e empresas? O fim da neutralidade faria com que alguns conteúdos tivessem prioridade na rede como, por exemplo, maior velocidade, desde que se pague por essa maior velocidade, o que faria com que o poder econômico de quem pode pagar passasse a definir os conteúdos a serem exibidos na rede. É algo similar a uma censura paga pois, pela “seleção natural” da rede, alguns conteúdos praticamente seriam inacessíveis. Plataformas como Youtube, Facebook e Google, por exemplo, dariam prioridade aos conteúdos pagos. Em outras palavras, a rede, que por definição deveria ser pública, seria privatizada.

Evidentemente, a medida não deixa de trazer um controle de conteúdos. Desde pessoas, passando por empresas, clubes de futebol, partidos políticos, jornais, blogs. Aqueles que podem pagar por maior velocidade serão priorizados e seus conteúdos mais facilmente acessados. Isso porque quem paga, teria a prioridade. Seria o fim da isonomia entre os usuários da rede.

O Marco Civil da Internet no Brasil ainda não prevê tal absurdo. O problema é que Trump é influente e também é inegável o crescimento da extrema-direita no mundo. Basta ver os casos, além dos Estados Unidos, da França, da Alemanha, da Áustria, do Chile e do nosso Brasil. Corremos o risco de termos uma censura na internet cujo filtro seria o poder econômico.

Podemos até exemplificar com nosso próprio blog. Imagine, em tal situação do fim da neutralidade, o blog pedropaulorasgaamídia.com e oglobo.com. Claro que oglobo.com tem dinheiro para pagar e ter maior velocidade e prioridade, em todas as plataformas. Nosso blog não seria mais “apto” para a sobrevivência na rede e oglobo.com sobreviveria.

Temos que ficar atentos. Recentemente discutiu-se censurar a internet. Houve um repúdio grandioso a tal proposta. Mas a censura pode vir se o Brasil seguir o modelo de Trump. Hoje privatizaram o estacionamento na Lagoa Rodrigo de Freitas. Para esses caras, privatizar a rede mundial não é muito diferente.

 

PREVIDÊNCIA: A RESPOSTA DO POVO ARGENTINO

argentinos protestambandeira da argentinaHá algum tempo os “hermanos”, como carinhosamente chamamos nossos vizinhos sul-americanos, estão nos ganhando. Em 2013, foi eleito no conclave o Papa Francisco, que é argentino. Na Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014, eles não apenas chegaram à nossa frente como foram à final, perdendo o título com um gol na prorrogação. Nesta semana, a equipe do Independiente fez a festa no Maracanã, faturando o título da Copa Sul-Americana. Alguns dirão que o exemplo do Papa só é válido para quem é católico. Que o exemplo da Copa do Mundo, só para quem gosta de futebol. E que o exemplo do título do Independiente, só para quem é flamenguista.

Mas nesta semana, os argentinos nos deram um outro exemplo, que serve para todos os brasileiros. Um dia após a vitória do Independiente, o povo argentino foi às ruas para, com toda sua fúria, repudiar o projeto de reforma da previdência proposto pelo Presidente Maurício Macri. Dezenas de milhares de argentinos concentraram-se nas imediações do Congresso para protestarem contra a mesma coisa que Temer quer fazer com trabalhadores e aposentados brasileiros. Tanto Temer como Macri querem jogar nas costas do povo trabalhador o ônus que eles dizem ser a previdência. Aumentar tempo de contribuição, aumentar a idade mínima, taxar aposentados que já deram o seu quinhão por toda uma vida. Enfrentando a polícia, que reprimiu com violência os protestos populares, o povo, em alguns momentos, teve que recuar das balas e dos gases tóxicos lançados pelas forças repressoras. Mas quem acabou recuando mesmo foi o governo. O próprio líder de Macri no Congresso, diante da pressão do povo, acabou pedindo o fim da sessão e a votação não aconteceu. Mais uma vitória maiúscula do povo argentino.

E nós? O governo Temer já recuou, pois não tem os 308 votos para emplacar a votação que poderá condenar jovens brasileiros ao trabalho eterno. Aqui, a votação no Congresso foi adiada para fevereiro, após o Carnaval.  O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com a sua inconfundível voz de bêbado, disse em entrevista que o adiamento é bom para que se possa discutir e esclarecer os pontos da reforma com a população. E quando eles discutiram? Nessa reforma, só foram ouvidos empresários e banqueiros, os grandes interessados em sua aprovação.

Claro que até fevereiro o governo tentará comprar os votos que faltam, para chegar ao fatídico número 308. Imaginem o período de recesso parlamentar com Carlos Marun, o homem que zombou do povo com sua dancinha, negociando com deputados igualmente corruptos iguais a ele? Marun agora é o Ministro da Articulação Política. Vai ser uma festa. Muitos deputados ainda se dizem “indecisos” porque querem negociar mais vantagens.

Cabe ao povo brasileiro não deixar que, nessa, os argentinos nos superem. Eles conseguiram barrar a votação que acabaria com suas aposentadorias. Temos que fazer o mesmo por aqui.  Senão, mais uma vez, o meu amigo professor Ronaldo da Cruz Silva, brasileiro “naturalizado” argentino, vai me sacanear. E, desta vez, para sempre.

MÉDICI CASSADO NA UFRJ

médici ditadorO ditador Médici, que governou o Brasil durante os “anos de chumbo”, entre 1969 e 1974, teve o seu título de Doutor Honoris Causa cassado,  por unanimidade e aclamação, pelo Conselho Universitário da UFRJ. A láurea havia sido outorgada ao ditador em 1972, em uma época em que as universidades federais eram violentadas, sob todos os aspectos, pelos governos das casernas com a existência de “alunos-delatores” e da “polícia universitária”. Foi um período em que a instituição teve vários de seus professores cassados, banidos do país e desaparecidos. Segundo a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, 24 estudantes e 2 professores da UFRJ foram assassinados ou desapareceram só durante o governo Médici.

A manutenção desta láurea ao ditador que ficou marcado pelas torturas e pela institucionalização da violência de Estado no Brasil, representava um escárnio e uma afronta às memórias e às famílias daqueles que foram vitimados no governo Médici. Era uma ofensa à própria instituição, visto que a UFRJ foi sistematicamente violentada durante a ditadura do general-torturador. Não deixa de ser também uma reparação moral, ainda que tardia, a todas as vítimas de Médici pelo Brasil afora.

A cassação do título de Médici pela UFRJ foi, ainda, marcada por um grande simbolismo, visto que a revogação foi oficializada no dia 10 de dezembro de 2017. 10 de Dezembro é o Dia dos Direitos Humanos, que foram sistematicamente desrespeitados durante toda ditadura militar, especialmente durante o governo Médici. Parabéns à UFRJ pela medida, pois esta homenagem era uma agressão à Universidade, à democracia e aos direitos humanos.