A VOLKSWAGEN E A DITADURA

volkswagenPara além de corrupções e propinas, que tanto vem indignando os brasileiros nos últimos anos, as relações subterrâneas entre empresas e governos possuem outros traços que não podem deixar de, igualmente, terem a nossa repulsa. Empresas transnacionais tiveram participações, em alguns casos decisivas, em termos de colaboração com regimes totalitários. A IBM, por exemplo, contribuiu com o governo nazista de Hitler, quando foi fornecedora da tecnologia de cartões perfurados através das máquinas hollerit. O negócio entre a empresa norte-americana e o governo nazista envolveu milhões de dólares e a tecnologia de cartões perfurados foi utilizada nos campos de concentração para tipificar os prisioneiros (judeus, negros, homossexuais, comunistas, ciganos). Os cartões perfurados, bem depois da Segunda Guerra, só foram popularizados no Brasil no início dos anos 1970, com a criação da Loteria Esportiva.

Nesta semana foi divulgado um relatório, resultante dos estudos do historiador alemão Chistopher Kooper, que comprova que a Volkswagen não apenas apoiou, como contribuiu com a ditadura militar. A contrapartida ia muito além dos badalados “incentivos fiscais”. O estudo, cuja veracidade foi reconhecida pela própria empresa, mostra que a Volkswagen mantinha em seu setor de vigilância industrial um monitoramento que apontava para o governo os funcionários que eram opositores do regime, especialmente aqueles que eram envolvidos em atividades sindicais.  A contrapartida? Em troca, os governos militares comprometiam-se em “controlar o salário-mínimo” (leia-se: arrochá-lo) e também proibir greves.

A parceria da Volkswagen com os governos da ditadura militar levou à demissão e à prisão de vários funcionários. Isso sem falar que dependências da empresa também foram cedidas para serem centros de tortura. O arrocho do salário-mínimo, que atingiu a todos os brasileiros e não apenas os funcionários da Volkswagen, mostra bem quem pagou pelo fatídico “milagre econômico” da Era Delfim. Já os beneficiados…

A colaboração vergonhosa da empresa alemã com os governos militares foi lamentada pelo presidente da Volkswagen na América Latina, Pablo di Si. Em nome da empresa, ele oficialmente pediu desculpas ao povo brasileiro. Mas não é o bastante. E a própria empresa já afirmou que seu reconhecimento da colaboração e o pedido de desculpas não significa que ela irá querer discutir indenizações. Até porque o “controle do salário-mínimo” atingiu milhões de brasileiros. E seus efeitos são vistos até hoje.

É bem simbólico o fato de Paulo Maluf, corrupto-mor e defensor perpétuo da ditadura militar, então Prefeito de São Paulo, ter presenteado cada jogador da seleção brasileira, campeã da Copa de 1970 no México, com um fusca. Tudo pago com dinheiro público. Será que o brinde também fazia parte do acordo?

 

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