ELEIÇÃO NAS MÃOS DO TRF4

cenário eleitoralA última pesquisa do Datafolha, divulgada ontem, mostra Lula disparado em primeiro lugar nas intenções de voto para Presidente da República. Isso, na mesma semana em que Alckmin e Marina praticamente confirmaram, pelos seus partidos, a entrada na corrida presidencial. E, coincidentemente, quando o TRF4 já anunciou que julgará o recurso de Lula até abril, o que poderá deixá-lo de fora da eleição. É muita coincidência em uma mesma semana.

Os números do Datafolha mostram:

Lula (PT) – 34%; Bolsonaro (PSC) – 17%; Marina (REDE) – 9%; Alckmin (PSDB) – 6%; Ciro Gomes (PDT) – 6%; Joaquim Barbosa (ainda sem partido) – 5%; Álvaro Dias (PODEMOS) – 3%; Manuela D’Ávila (PCdoB) – 1%; Temer (PMDB) – 1% Henrique Meirelles (PSD) – 1%; Paulo Rabello de Castro (PSC) – 1%; Em branco, nulo ou nenhum candidato – 12%; Não sabe – 2%.

Sem dúvida, os adversários de Lula, especialmente Bolsonaro e Alckmin, torcem pela condenação do petista em segunda instância, para que ele fique de fora da disputa. Isso porque, como todos sabem, não tem nem no PT e nem em qualquer outro partido, ninguém que herde o lastro eleitoral de Lula, caso ele fique mesmo de fora da disputa. Em caso de inelegibilidade de Lula, alguns nomes já são especulados no PT, como o de Jaques Wagner. Mas qualquer que seja o eventual substituto, este não terá os votos do líder do PT.

Podemos até afirmar que, por parte do eleitor, o pleito está definido. Isso porque Lula vem levando, há anos, todas as porradas possíveis: dos adversários, da mídia, da Justiça. É  triplex, sítio em Atibaia, vários processos, incluindo uma condenação. E nada levou-o a cair nas pesquisas. Por isso, só o Poder Judiciário poderá mudar esse quadro eleitoral.

Entendemos que, em caso de condenação de Lula em segunda instância, seu espólio eleitoral seria pulverizado. Mariana e Ciro, por exemplo, poderiam herdar boa parte de seus votos. Um suposto novo candidato do PT também. Fica clara e estratégia do PSDB, que tentará voltar ao poder pelo voto, mas com a decisão fulcral do TRF4. Se Lula for condenado em segunda instância, haverá uma frustração de grande parte do eleitorado. E os votos de Lula seriam realinhados de modo a levar dois candidatos da direita para o segundo turno. E esses seriam Alckmin e Bolsonaro. Nesse cenário, Bolsonaro seria o “boi de piranha”, ou “bucha”. Seria usado no segundo turno como o candidato do “fascismo escroto”, contra Alckmin, o “neoliberal moderno”. E o PT estaria, definitivamente alijado. Agora, falo do PT e suas políticas públicas, e não propriamente do Lula.

A eleição presidencial está nas mãos de três desembargadores do TRF4. E nessas mãos são depositadas as esperanças dos golpistas que querem permanecer no poder, nesse caso, representados por Alckmin.

O resultado da pesquisa mostra, claramente, a insatisfação popular com o governo golpista. Se somarmos os votos de Lula com todos os demais de esquerda e centro-esquerda, chegamos a 50%. A exclusão de Lula do processo eleitoral representaria uma fronteira aberta para a continuidade do governo e das reformas criminosas do Temer. Alckmin apóia todas as reformas anti-povo de Temer. O suposto “desembarque” do PSDB do governo Temer não passa de um “teatro eleitoral” para tentar desvincular os tucanos de algo em que eles estiveram presentes por todo tempo.

Um outro detalhe ainda chama atenção no Datafolha: o 1% dado a Temer. É um percentual assombrosamente elevado. Para quem galgou o poder por um golpe, isso pode até animá-lo a ser mesmo candidato…

 

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