REPÚBLICA E LUÍS XIV NA TERCEIRA PESSOA

república-monarquiaA palavra “república” é de origem latina e significa “coisa pública”. Teoricamente, portanto, aquilo que pertence a todos e não a ninguém ou a nenhum pequeno grupo em particular. Pensando em seu significado, que “república” tivemos no Brasil a partir de 1889? Teria sido a proclamação, realmente, uma coisa para todos?

Para começar, o dia 15 de novembro de 1889 caiu numa sexta-feira. O fim de semana estaria logo ali, mas não seria para o povo comemorar coisa alguma. Porque o povo não sabia de coisa alguma. Porque o povo não participou de coisa alguma. Porque o povo nem sequer sabia o que estava acontecendo naquela manhã no centro do Rio de Janeiro. Alguns, ao verem aquele cortejo com o velho marechal à frente, pensavam que fosse algum treinamento ou desfile militar. Aquele monte de militares fardados, tendo à frente o monarquista (isso, isso mesmo, o monarquista!) marechal Deodoro da Fonseca, que os golpistas conseguiram fazer acreditar em alguns boatos, vestir a farda e ir para a rua derrubar o governo imperial de seu amigo D. Pedro II, tomaria o poder. O Imperador, que não estava no Rio de Janeiro, ao saber do movimento,  não acreditou que queriam derrubá-lo. Deodoro, ao tornar-se o primeiro presidente do Brasil, na verdade pretendeu ser o nosso terceiro imperador, pois tentou governar de forma despótica e absolutista. Pensava que governar um país era o mesmo que dar ordens em um quartel. Não resistiu às pressões, renunciou, deixou o país pegando fogo e trocou a farda pelo pijama para sempre.

Que “república” foi aquela, em que as mulheres não podiam votar? Que “república” foi aquela, em que  uma oligarquia de  “coronéis” tinha todo o poder? Que república foi aquela, em que a luta pelos direitos trabalhistas era respondida pelos governantes com tiros e prisões? A “república” virou uma “coisa privada”, de uns poucos fazendeiros que usufruiam de todos os direitos e benefícios. O povo, literalmente de fora,  explodia em revoltas pelos seus direitos e participação na vida pública.

E o que chegou até nós? Se pararmos para verificar, aquela “república de poucos” ainda permanece. O lado monárquico da república cada vez está mais visível. Filhos e netos de deputados são deputados. Filhos de governadores e de senadores são prefeitos. Netos de ex-presidentes são ministros e deputados. Filhos de deputados são prefeitos e vereadores. O poder dessa gente é hereditário e vitalício.  Nossa estrutura política “republicana” explica-se mais pelos “clãs” do que pelos partidos. Sarney no Maranhão. Calheiros em Alagoas. Magalhães na Bahia.  Picciani no Rio de Janeiro. Todos com direito a foro privilegiado, com leis especiais. Algo que a Revolução Francesa varreu em 1789, quando pôs fim ao absolutismo. Mas que no Brasil está mais forte do que nunca. Eis o que o 15 de novembro nos trouxe.

Ainda estamos longe de sermos uma verdadeira “coisa pública”. Se o Estado representa a República, e cada vez mais, as mesmas pessoas falam em “Estado mínimo”, “privatizar é preciso”, o que nos restará? Na verdade, eles não querem o “Estado mínimo”. Eles querem o Estado, ao máximo,  para eles. Como já vem sendo há muito tempo. A nossa “república” não é “pública”, é privada. E não é S/A, é companhia limitada. “O Estado são eles e é deles”.  É o “Luís XIV na terceira pessoa”. Viva a República!

LULA, EURICO E A MÍDIA QUE MENTE E QUE MATA

downloadeurico mirandaA mídia golpista está se superando. Está superando até um outro golpista midiático histórico, que foi Carlos Lacerda. Lacerda, o eterno golpista udenista tanto difamou, tanto caluniou, tanto mentiu, tanto distorceu sobre Getúlio Vargas em seu jornal,  que acabou sendo vítima de um desastrado e mal sucedido atentado. Para ganhar mais “vitimização”, acabou dando um tiro no próprio pé.

Mas hoje parece que a mídia golpista “evoluiu”: eles mentem e matam. Mário Vitor Rodrigues, jornalista da “Isto É”, escreveu um artigo intitulado “Lula deve morrer”. Escreve o articulista em seu artigo: “Pelo bem do País, Lula deve morrer. Eis uma verdade incontestável. Digo, se Luiz Inácio ainda é encarado por boa parte da sociedade como o prócer a ser seguido, se continua sendo capaz de liderar pesquisas e inspirar militantes Brasil afora, então Lula precisa morrer.”“fatwa”  do jornalista fundamentalista de direita foi proferida em coluna publicada na “Isto É” do último dia 10 de novembro.

 Pelo que podemos inequivocamente depreender do texto, o fundamentalista midiático não está se referindo à morte política ou eleitoral do líder petista. Está se referindo à morte física mesmo. É o extremo limite do ódio. Lula está condenado pela Justiça, tem um juiz inequivocamente parcial em seu julgamento, está respondendo a vários processos e recorreu da condenação em primeira instância. Sua situação, por não ter foro privilegiado, é até muito pior do que seus adversários que possuem essa membrana imoral. Não vou entrar no mérito. Mas, por que o Lula deve morrer para o fundamentalista midiático? Só porque ele lidera as pesquisas e tem muitos seguidores na sociedade? E se fosse o Aécio que liderasse a pesquisa? E se fosse o Bolsonaro? E se fosse o Temer? O que diria Mário Vitor Rodrigues? O articulista-sentenciador afirmou que pediu proteção policial, por causa das ameaças que vem sofrendo de quem chama de “fanáticos” que não sabem interpretar seus textos. Então, eu também me incluo aí. Porque o texto é claro: o jornalista disse que Lula deve morrer. Quanto ao adjetivo de “fanáticos”, seria interessante o jornalista dizer que adjetivo devem receber aqueles que invadem museus, atacam e depredam templos religiosos, agridem uma filósofa  no aeroporto. As eleições de 2018 já tinham começado com uma condenação de Lula à prisão; agora, o segundo grande episódio foi uma sentença jornalística de morte. Será que teremos em 2018 as eleições do “tiro, porrada e bomba à la Bolsonaro”?

Lula, você não está sozinho. Nesta semana, o jornalista Juca Kfouri sugeriu na TV  o assassinato do Presidente do Vasco, Eurico Miranda, como única maneira de tirá-lo da Presidência do clube de São Januário. Eurico tem muito em comum com Lula. Ambos são odiados pela mídia, especialmente pela Globo. Ambos são vítimas de mentiras sobre eles. Ambos fazem administrações priorizando a inclusão social. Ambos desagradam as elites sociais e esportivas. Ambos têm muitos votos e muitos seguidores chamados de “fanáticos” pela mídia. E ambos são vascaínos. Sim, porque Lula nunca foi corintiano. Isso foi um ingrediente meramente político em seu currículo para angariar mais votos.

Seria bom que a imprensa investigativa, que tanto se preocupou com o pedalinho do Lula e com a cunhada do Eurico que votou na “urna 7”, procurasse, também, investigar essas sentenças de morte proferidas por seus colegas. Sem corporativismo. Antes que Mário Vitor e Juca Kfouri dêem um tiro no próprio pé…

“VAGABUNDOS” E O IMPOSTO SINDICAL

cutfhc vagabubdoNum país em que o então Presidente da República (FHC) chamou os aposentados de “vagabundos”; num país em que o então Governador e atual presidiário Sérgio Cabral chamou os médicos de “vagabundos”; num país onde eu, que sou professor, fui chamado de “vagabundo” pelo Prefeito “fascista-fashion”  João Dória, por ter aderido a uma greve geral este ano, nada mais “normal” do que vozes raivosas, sabe-se lá por qual motivo, chamarem sindicalistas de “vagabundos”. Desde ontem, há rompantes de alegrias orgasmáticas por causa do fim do imposto sindical, após 80 anos. “Acabou a vagabundagem! Vão trabalhar!”

Em primeiro lugar, ao contrário do que muitos dizem e outros repetem sem qualquer análise um pouco mais detida, o Brasil até que tem um número pequeno de sindicatos. São 16.431. Acharam muito? Então convido para a leitura do artigo que inaugurou o nosso blog. Talvez ele leve um pouco à reflexão:

https://pedropaulorasgaamidia.com/2017/05/26/primeiro-post-do-blog/

Em segundo lugar: quem perde com o fim do imposto sindical? Ontem, vi várias manifestações de anti-sindicalistas com os dizeres “Vão trabalhar vagabundos!” Até aí, nenhuma novidade. Só não sei se a ofensa foi dirigida, também, aos sindicalistas patronais (sindicatos das empresas de ônibus, dos banqueiros, dos donos de escolas, do Sr. Paulo Skaf…) Acredito que não. Isso porque a contribuição sindical patronal também deixou de ser obrigatória. Mas patrão, para eles, não é vagabundo. Só trabalhador e aposentado. Eles concordam com FHC e Sérgio Cabral. E mais um detalhe: os caras colocavam fotos com a bandeira da CUT  com os dizeres: “Acabou a mamata!” Mal sabem eles que a CUT sempre foi contra o imposto sindical. A ofensa dos anti-sindicalistas, dentro do que eles pensam, deveria ser dirigida às centrais sindicais que defendem a cobrança do imposto. Ah, já sei! A CUT é ligada ao PT, logo são vagabundos! 

O fim do imposto sindical não afetará a sobrevivência de sindicatos representativos, com altos índices de sindicalização, como são os sindicatos filiados à CUT.  Os sindicatos legítimos, representativos, não terão problemas para sobreviverem. Roberto von der Osten, que preside o ramo financeiro da CUT, fez uma afirmação interessante a respeito: “Acabou essa história de sindicato oferecer colônia de férias.”  Isso porque o sindicato não deve desviar-se de suas funções originais, que é a defesa dos interesses da categoria profissional que representa. Do que adianta um sindicato oferecer lazer, sortear automóveis no dia do trabalhador, mas estar sempre do lado patronal, como o Sr. “Paulinho da Força”? Aliás, quem dá carros para a central sindical do Sr. Paulinho da Força sortear todo dia Primeiro de Maio? Pergunte ao Paulo Skaf. Pode ir lá falar com ele. Tudo indica que ele embolsou 2,5 milhões de empresas investigadas pela Lava-Jato. Mas ele não é “vagabundo”. É um grande empreendedor. Haja patos amarelos!

 

 

IMPOSTO SINDICAL, “LIVRE NEGOCIAÇÃO” E FIM DA CLT

fim da cltfim dos direitos trabalhistasDepois de 80 anos, chega ao fim o imposto sindical, criado na Era Vargas, com a instituição do Estado Novo. O imposto sindical foi uma das inovações da Carta de 1937 outorgada por Vargas. Muito já se falou a respeito e as vozes anti-sindicais já comemoram o fim daquilo que eles chamavam de “câncer”. Míriam Leitão, articulista de “O Globo”, fala hoje em sua coluna que “os sindicatos têm razão em se mobilizar porque, sem o dinheiro fácil, eles terão que mostrar que são efetivos na defesa dos direitos dos trabalhadores…”  Em primeiro lugar, é preciso não generalizar. A generalização, via de regra, é uma falácia. Temos que nos perguntar, primeiro, quais as entidades sindicais que são contrárias ao imposto sindical. Eu, por exemplo sou contra. Mas a minha posição é a mesma da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que já se manifestou em diversas oportunidades contrária ao imposto sindical. Mas o “Paulinho da Força” é a favor do imposto sindical. Ainda não vi nenhum jornalista perguntar o porquê dessa divergência. Como que duas das maiores centrais sindicais, a CUT e a Força Sindical, divergem em relação ao imposto que a reforma trabalhista extinguiu? A resposta não parece ser difícil: sem o imposto sindical, só irão sobreviver os sindicatos representativos, com elevados índices de sindicalização. São sindicatos que vivem da espontaneidade de seus associados e não precisam de uma tutela oficial para sobreviverem. Sobreviverão os sindicatos atuantes, legítimos, que realmente não precisam dessa contribuição compulsória. Só para exemplificar, sindicatos como dos bancários, metalúrgicos, professores, médicos, construção civil, comerciários… sobrevivem facilmente sem o imposto sindical. Então, por que o “Paulinho da Força” é contra o fim desse imposto? Perguntem aos sindicatos que são seus afiliados.

A reforma trouxe um princípio que chamam de “moderno”: “o negociado vale sobre o legislado”. É a famosa “livre negociação”. As férias, por exemplo,  “poderão”, ser divididas em três períodos e deixariam de ser em 30 dias corridos. O horário de almoço deixaria de ser uma hora e, com a “livre negociação” poderá passar para meia hora. O “home office”, que é o trabalho em casa, não terá direito a hora extra, dentre outras supressões de direitos. Mas tudo devidamente dentro da “livre negociação” entre patrão e empregado. Livre negociação com igualdade de condições, certo? Bem, respondam vocês…

Fico pensando em um funcionário do Paulo Skaf negociando “livremente” com ele sobre, por exemplo,  o fracionamento de suas férias ou a redução do horário de almoço. As condições dessa “livre negociação” são rigorosamente isonômicas, certo? Conta outra, cara-pálida!

A verdade é que não há eufemismos. E, nesse ponto, temos que concordar com o ultra-fascista Jair Bolsonaro quando disse que “o trabalhador tem que escolher: ou emprego ou direitos, não dá para ter as duas coisas”. Nunca pensei em ter que usar uma afirmação do Bolsonaro para justificar um posicionamento. Mas essa frase lapidar do ultra-direitista sintetiza bem a tal reforma trabalhista do Temer e seus comparsas. E não me venham com ladainha de especialistas, principalmente os “moderninhos” convidados da Globonews. A CLT acabou sim, e fim de papo. Receio que o o governo Temer tenha terminado e já estejamos começando o governo de Bolsonaro…

“NUVEM NEGRA” – A VOZ DA RESISTÊNCIA

nuvem negra

Foi com satisfação que conheci, no Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, onde trabalho, na Ilha do Governador, a edição de número 3 do Jornal “Nuvem Negra”, uma publicação de estudantes negros e negras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O projeto dos estudantes veiculado no jornal tem como objetivo compartilhar com alunos e professores das escolas públicas e privadas a sua cultura, os seus saberes e as suas  histórias. O jornal ressalta ainda a importância da Lei 10.639/2003, que institui o ensino da história e da cultura afro-brasileira em todos os níveis de ensino e que destaca a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira. É necessário lembrar que a Lei 10.639 foi promulgada no primeiro ano do governo Lula.

O jornal é rico em conteúdo, com artigos sobre Afrocentricidade, a luta contra o machismo e o racismo nos currículos acadêmicos, a luta por currículos antirracistas e um forte posicionamento em relação a assuntos recentes, como a prisão de Rafael Braga, com uma ferrenha crítica à estrutura racista que paira tanto sobre o Poder Judiciário Brasileiro como sobre a Polícia Militar.

Quero destacar, dentre as interessantes matérias do jornal, a pesquisa que mostra o perfil racial dos professores da PUC-Rio. Foi através do Jornal “Nuvem Negra” que ficamos sabendo que, dos 1985 professores da PUC-Rio, apenas 86 são negros, o que corresponde a apenas 6% do corpo docente da Universidade. Se a proporção for feita com professoras negras, o perfil mostra que “a PUC-Rio tem 40 vezes mais professores homens brancos do que professoras negras”. Portanto, em se tratando de mulher e negra, a disparidade é ainda muito maior. A pesquisa é descrita em detalhes no jornal, mas os números são assustadores e um convite à reflexão. Claro que tudo tem uma explicação histórica. Os negros que foram arrancados da África e traficados para o Brasil a partir do século XVI eram seres capazes, intelectuais, engenheiros, filósofos, sacerdotes, que acabariam sendo escravizados. A reparação histórica destes cinco séculos de violência contra os africanos, das mais diversas etnias, que para cá vieram compulsoriamente, ainda dá os seus primeiros passos.

Mas a pesquisa feita pelos organizadores do Jornal “Nuvem Negra” sobre o perfil dos professores da PUC-Rio não trará resultados diferentes se for feita, por exemplo, na Magistratura, no Instituto Rio Branco, no Congresso Nacional, na alta oficialidade das Forças Armadas, só para darmos alguns exemplos, embora os negros representem mais da metade de nossa população.

O Jornal “Nuvem Negra” é uma voz de resistência à opressão, à discriminação e um dos símbolos da  luta pela afirmação daqueles que, ao longo de nossa história, deram muito suor e sangue na construção das riquezas de nosso país e que herdaram, na atualidade, miséria, exclusão, discriminação e marginalização, através de um poder branco, elitista, masculino e segregacionista. Que a luta do “Nuvem Negra”  traga a tempestade de justiça que nossos irmãos negros e nossas irmãs negras merecem!

POLICIAIS BAIANOS DIZEM “NÃO” A BOLSONARO

não a bolsonaroUm grupo de policiais da Bahia lançou um manifesto rejeitando a candidatura do ultra-direitista Jair Bolsonaro à Presidência da República. O grupo representa os “Policiais Baianos Progressistas e Pela Democracia”. No manifesto, publicado na íntegra pelo site Brasil 247, os signatários dizem que escolheram a profissão de policial para protegerem as famílias e os cidadãos. Prosseguem afirmando que não é abolindo ou desrespeitando os direitos humanos que a violência será reduzida.

A ideias veiculadas no manifesto dos policiais são inspiradas no Movimento Policiais Antifascismo, movimento este que acredita em uma segurança pública que tenha a dignidade humana como fundamento. Bolsonaro é duramente criticado pelos policiais  por tirar proveito de um momento de crise, em todos os níveis, para pregar um discurso de violência. Os policiais lembram ainda do passado de Bolsonaro, quando ele foi punido pelo Exército por pregar a desordem e a indisciplina e que, após a punição, ainda planejou lançar bombas em uma adutora de água do Rio Rio de Janeiro. Acrescentam ainda os policiais que o candidato fascista não conhece nem os problemas nacionais e nem as suas soluções e que ele não tem projeto de governo. Ao dizerem que o que Bolsonaro tem a oferecer é “violência, medo e ódio”, os policiais baianos sintetizam fielmente o que tem sido não apenas as propostas, mas a trajetória política do fascista Bolsonaro.

Não chega a ser uma surpresa esse manifesto vindo dos policiais baianos. Até porque, diversos setores das próprias Forças Armadas, incluindo aí a alta oficialidade, não apoiam Bolsonaro e seu discurso marcado pela violência e pelos preconceitos. Assinam o manifesto 5 capitães, 1 sub-tenente, 5 cabos e 7 soldados, representando várias unidades da Polícia Militar baiana. Mas esses militares da segurança baiana que assinaram o manifesto representam, certamente, milhares de outros militares que repelem o nazifascismo bolsonariano e usam a farda em defesa do povo e da democracia brasileira.

A PARABÓLICA RACISTA DA GLOBO

parabólica.jpgracismo.jpgMais uma vez a toda-poderosa Rede Globo, através de seus agentes ventríloquos, é flagrada com declarações que merecem total repulsa.  Que a Globo é golpista e manipuladora, disso nós já sabemos há tempos. Afinal, ela foi lançada em 1965 para ser o sustentáculo midiático da ditadura militar. Em 1982, no famigerado Escândalo da Proconsult, a  emissora da família Marinho tentou mudar o resultado das urnas e tirar a vitória de Leonel Brizola, dando-a para Moreira Franco, nas eleições para governador do Rio de Janeiro. Foi desmascarada. Em 1994, uma antena parabólica captou uma conversa entre o então Ministro da Fazenda de Itamar Franco, Rubens Ricúpero, e o jornalista Carlos Monforte. No diálogo, Ricúpero dizia ao jornalista global que não tinha escrúpulos e que queria fazer uma matéria para o Fantástico, onde mostraria o que era bom e esconderia o que era ruim, visando assim beneficiar FHC na eleição que se aproximava. O ministro e o jornalista combinavam montar uma matéria manipuladora. Novamente a Besta do Jardim Botânico foi desmascarada com mais um escândalo. O vídeo vazou.

E hoje parece que outra “parabólica” entrou no caminho da Globo. Dessa vez, da Globo News. Um vídeo que circula pela internet mostra  o jornalista William Waak, no intervalo de uma gravação em frente à Casa Branca, em Washington, fazendo uma declaração racista por causa de um barulho de buzina que o irritava.  No diálogo, ele diz ao seu convidado, Paulo Sotero,  que seria entrevistado:

“Não vou nem falar porque eu sei quem é… É preto. É coisa de preto.”

William Waak é conhecido por ter uma posição ultra-neo-liberal no programa do qual é âncora, o “Globo News Painel”. É também conhecido por só entrevistar convidados de linha conservadora. E agora, passa a ser conhecido também pelo racismo. Até o final da tarde de hoje, nem o jornalista e nem a emissora haviam se pronunciado sobre o vídeo e sobre a declaração racista do jornalista global. Esperamos que, ao menos, não fique no “nada a declarar”, que era a “declaração” mais feita pelos governos da ditadura que a Globo tanto defendeu. Acrescente-se que  Paulo Sotero, o convidado de Waak, riu da ofensa racista.

Assistam abaixo ao vídeo, onde William Waak é flagrado em sua declaração racista.

RASGANDO FHC

rasgando fhcFernando Henrique Cardoso, o vagabundo que se aposentou com 38 anos de idade, publicou mais um de seus panfletos ontem, no jornal “O Globo”. Com o título “Hora de Decidir”, o cardeal tucano que vendeu o Brasil fala da necessidade do PSDB desembarcar, até dezembro, do governo golpista de Temer, sob pena de ser mero coadjuvante na disputa presidencial de 2018. Chega a beirar as raias do cinismo mais esse panfleto do tucano. O PSDB foi fundamental para o êxito do golpe que tungou o mandato da Presidente Dilma. O PSDB tem vários ministros no criminoso governo golpista. O PSDB apoiou a reforma trabalhista, que entrará em vigor essa semana e que rasgou os direitos da CLT. O PSDB, especialmente Aécio, tem um pacto criminoso com Temer (um ajuda a salvar o outro). O PSDB tem todo o seu programa realizado através das reformas do governo Temer. O PSDB dividiu-se na votação das denúncias contra Temer, mas ajudou-o ao dar quorum para a votação. E agora, depois de tudo isso, o Sr. FHC vem, em seu panfleto dominical, dizer que o partido tem que desembarcar visando as próximas eleições?

Não, Sr. FHC! Não há como o PSDB se desvincular do governo criminoso do Sr. Temer. Os seus correligionários fazem parte da camarilha dele. No seu panfleto, FHC não nega o apoio dos tucanos ao governo golpista, alegando que a transição política necessitava repor em marcha o governo. Que transição política, Sr. FHC? Não existe transição política com golpe. O que houve, a partir de abril de 2016, foi uma ruptura políticacom DNA golpista de Eduardo Cunha, mídia, empresariado e alguns partidos, inclusive o PSDB. E não há transição com ruptura. E tudo começou com as ameaças de Aécio, que nunca aceitou a derrota em 2014, culminando com as chantagens do bandido Eduardo Cunha, com a chancela da grande mídia e do empresariado, especialmente a FIESP.

A grande verdade é que FHC sabe a enrascada em que ele e seu partido se meteram ao apoiarem o golpe. E o efeito foi inverso. Mesmo com o PSDB tendo boa parte da máquina governamental na mão, nenhum de seus candidatos emplaca. E, cada vez mais, o Lula sobe. O efeito tem sido totalmente inverso ao que esperavam quando entraram na aventura golpista.  Hoje, FCH pode até nem admitir, mas ele e seus parceiros no ninho tucano sabem que sairão ainda mais podres da latrina que é o governo facínora do Sr. Temer. A “Hora de Decidir já passou há muito tempo. O PSDB deveria aguardar as próximas eleições e tentar chegar ao poder pelo voto. Vocês tiveram  vários momentos ou “horas” para decidirem. E decidiram pelo golpe. E decidiram por apoiar Temer. Decidiram, também, por votar nas propostas anti-povo do Temer. Ah, e decidiram também por blindar o bandido Aécio Neves. Seu partido, Sr. FHC, decidiu pelo golpe. E, agora, terá que arcar com a decisão do povo nas urnas.

LULA, BOLSONARO E A VOLTA DO MEDO

revista vejaregina duarteE o medo voltou. A revista Veja trouxe, em sua edição que vai às bancas em 8 de novembro, com o título de capa “A Política que Assusta”, uma matéria que fala da polarização que considera a “polarização dos extremismos” para 2018: o extremista de esquerda Lula X o extremista de direita Bolsonaro. Segundo a revista, Lula deu uma guinada à esquerda, enquanto Bolsonaro é rotulado como ultraconservador e fomentador do discurso para o insulto. A matéria da Veja é resultado da última pesquisa do Ibope, onde Lula aparece liderando com 35% e Bolsonaro com 13%.

O discurso do medo é claramente veiculado na matéria, que afirma que ambos os candidatos assustam os eleitores. A pesquisa do Ibope aponta que 52% dos eleitores “amedrontados” votariam em outros candidatos, em branco ou ainda não sabem em quem votar. E é, basicamente, a esses 52% que a matéria é dirigida.

Veladamente, a revista Veja está incentivando esses 52% a buscarem uma opção mais ao centro. Hoje, seria uma “terceira via que não amedrontasse os eleitores”. Entre um ultra-esquerdista (Lula) e um ultra-direitista (Bolsonaro), haveriam nomes entre os dois pólos do espectro político como alternativas.

Dizer que Lula é de extrema esquerda é um equívoco abissal. O passado e o presente de Lula e do PT jamais mostrarão isso. O PT é um partido social-democrata, de caráter reformista,  e que até foi mais à direita quando tornou-se governo. Hoje, inclusive, Lula já costura alianças até com Renan Calheiros, dissidente do governo golpista. Já Bolsonaro nunca teve história partidária. Ele é ele e seu discurso neofascista. Como candidato a “salvador da Pátria”, partido para ele é o que menos interessa. Mas Veja e a direita mais liberal sabem que ele representa a direita fascista emburrecida. Parafraseando Afonso Arinos, podemos até dizer que “Bolsonaro é o Trump de porre”.

O novo desafio lançado pela nova “campanha do medo” da Revista Veja tem inspiração na última eleição da França: é preciso achar alguém que seja o “Emmanuel Macron Brasileiro”, numa alusão ao candidato centrista que ganhou a eleição presidencial na França, contra o fascismo e a esquerda radical. Seguindo o raciocínio da Revista Veja, os 52% de eleitores “amedrontados” devem escolher quem será o “Macron Brasileiro”. Dória, o “Prefeito Engomadinho do Tietê”,  parece que vem perdendo fôlego, mas seria uma opção. Henrique Meirelles, o ministro do Mordomo golpista e candidato do grande capital estrangeiro, muito abaixo na pesquisa, seria outra alternativa. Luciano Huck, que a nosso ver representa “a Ressurreição de Sílvio Santos” (lembram de 1989?), poderia, segundo a Veja, ser outra alternativa. Alckmin é visto como “experiente”. Dentro da linha da Veja, poderíamos até acrescentar o banqueiro João Amoedo, do Partido Novo. Todos da direita liberal.  Não conseguimos identificar esses nomes nem como “centro”. Veja não sugere nenhuma alternativa que poderia ser do campo mais popular ou de centro-esquerda.

A grande diferença em relação às eleições anteriores, é que antes só o Lula inspirava medo. Agora, o neofascista também entrou no time dos fantasmas da Veja. A única coisa que a matéria não esclarece é de quem a Regina Duarte terá medo dessa vez. Mas bem que poderia mudar, só para animar um pouco a disputa. Que tal, dessa vez, a Regina Duarte ficar com medo do Bolsonaro e colocar, por exemplo,  a Ana Maria Braga com um colar de tomates tendo medo do Lula? Acho que a disputa ficaria mais charmosa…

URGENTE: A JUDICIALIZAÇÃO DO ENEM

redação enemJUSTIÇAAs provas do ENEM começam amanhã e, infelizmente, em clima de incerteza. A ação impetrada pela Associação Escola Sem Partido, órgão máximo de censura às escolas e aos professores, referente aos quesitos de pontuação na prova de redação, poderá até tumultuar o concurso. O problema é que o Escola Sem Partido em tudo vê doutrinação ideológica de esquerda. De esquerda, é bom que se frise. Isso porque, até agora, o Escola Sem Partido  não se pronunciou em relação à exaltação do candidato a Presidente da extrema-direita feita em um colégio militar do Amazonas.

Tudo por causa da política de direitos humanos. Segundo os critérios do ENEM, a redação deve primar pelo respeito aos direitos humanos. O candidato que desrespeitar a política dos direitos humanos terá a prova zerada. O Escola Sem Partido conseguiu, na Justiça Federal, anular esse critério. O Inep recorreu, e a Ministra Carmen Lúcia, que está no plantão judiciário, deverá julgar o recurso a qualquer momento.

Se o Escola Sem Partido interessa-se tanto assim pela educação, deveria saber que o princípio de respeito aos direitos humanos está presente no ENEM desde a sua primeira edição, ainda na Era FHC. O professor Rafael Pinna,  ex-corretor de Redação do ENEM, publica no Globo de hoje um interessante artigo sobre o assunto (desse professor eu não rasgo a mídia!). A política de direitos humanos, mais do que um critério para avaliar redações, é um princípio basilar da educação brasileira. Não é algo subjetivo como alega o Escola Sem Partido, até porque o Brasil é signatário dessa política junto com dezenas de outros países. Os direitos humanos não se confundem com essa ou aquela doutrina ideológica e/ou religiosa.

O pior de tudo isso é a incerteza para milhões de alunos. Caso a liminar do Escola Sem Partido seja derrubada, ainda haverão recursos em várias instâncias, até o julgamento do mérito. E isso, evidentemente, irá implicar em alterações de notas, alterações de classificação e de preenchimento de vagas nas universidades. O resultado final do ENEM demoraria muito para sair e os estudantes passariam por um calvário de incertezas.

Bem melhor faria o Escola Sem Partido se viesse a discutir a questão com todas as partes interessadas, e sem preconceitos. Até porque a direita, que é representada pelo Escola Sem Partido, criou o estigma de que a defesa dos direitos humanos é coisa de esquerdista”. Se o Escola Sem Partido quer colaborar, o melhor que teria a fazer, nesse momento, seria retirar a ação da Justiça Federal e partir para o diálogo com todas as partes envolvidas (governo, professores, estudantes) para que, nos próximos concursos, não tenhamos incertezas e não haja a judicialização de um exame que é o caminho para a realização dos sonhos de milhões de jovens brasileiros.