A SIMBOLOGIA REVANCHISTA DA BLACK FRIDAY

black fridayOs Estados Unidos possuem uma compulsão para criar simbologias revanchistas. Foi assim com os filmes do velho oeste, em que os índios, de quem eles roubaram as terras, sempre são os “bandidos”. Foi assim com a série de filmes “Rambo”, protagonizada por Sylvester Stallone, que nada mais é do que um revanchismo contra a humilhante derrota  americana na Guerra do Vietnã. Em muitos casos, a série não deixa de ser um “remake”, só que com um final feliz para o Tio Sam,  num contexto criado de modo que os “olhos puxados” sempre são os “bandidos”.

Tudo indica que podemos falar o mesmo sobre a “Black Friday” ou “Sexta-Feira Negra”. Isso porque a história dos Estados Unidos já havia registrado a “Terça-Feira Negra” e a “Quinta-Feira Negra”, ambas durante a Crise Econômica de 1929. No dia 24 de outubro de 1929, uma quinta-feira,  as ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque caíram abruptamente, o que já era um prenúncio da crise. E em 29 de outubro do mesmo ano, teríamos a terça-feira fatal: a Bolsa quebrou. Tanto a terça como a quinta-feira foram chamadas de “negras”, em dias nada saudosos para a economia e o orgulho dos Estados Unidos.

Nada a ver com uma sexta-feira logo depois do Dia de Ação de Graças, onde as ruas ficam congestionadas e as lojas movimentadíssimas, o que anuncia o início do período de maior consumo do ano: as compras do Natal. O frenesi dos consumidores muda o panorama das ruas e o comportamento das pessoas. É dia de liquidação. E a simbologia revanchista da “Black Friday” torna-se inevitável. Imagine os nada saudosos tempos da Crise de 1929, com a economia em colapso, com uma terça e uma quinta-feira negras. Nada melhor do que uma sexta-feira que entre, definitivamente,  para o calendário do consumo. É a antítese dos “tempos das vacas magras de 1929”.  E que até espalhou-se pelo mundo. Tudo indica que parece que chegou para ficar no Brasil.

Mas, como fica o trânsito? Enquanto muitos extravasam as suas pulsões consumistas, outros trabalham para manter a ordem no trânsito. Para os guardas que trabalhavam no controle do trânsito, a sexta-feira do consumismo nos Estados Unidos nada tinha de agradável: para eles, era uma verdadeira “Black Friday”. Aí está a origem. O sentimento de desespero dos guardas de trânsito, tendo que controlar o caos dos veículos nas ruas, passou a simbolizar o prazer de consumir, a preços muito mais baixos.

Mas, como dizia Vinícius de Moraes na canção Tudo na mais santa paz: “dia de festa é véspera de muita dor”. Assim foi na Crise de 1929, quando a festa consumista e liberal antecedeu o caos econômico e social. Tomara que o vaticínio do velho e saudoso poeta da Gávea não simbolize a fatura do cartão de crédito. Isso porque, não temos certeza de que nem os Estados Unidos aprenderam com a lição de 1929. Assim, sugiro que quem sofra de oniomania não saia nessa sexta-feira e fique em casa jogando banco imobiliário.

 

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