CADEIA VELHA E A RESISTÊNCIA

picciani presofelipe picciani preso“Rua da Cadeia”. Bem ali, onde hoje encontra-se o prédio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Tiradentes ficou três anos confinado e, em 21 de abril de 1792, dali saiu rumo à forca. Ali também foi o palco da primeira Assembleia Constituinte da história do Brasil, instalada em 1823, pouco depois da Independência. A partir de então, passou a chamar-se Rua da Assembleia. Mas o autoritário imperador D.Pedro I mandou suas tropas cercarem o prédio e dissolver aquela que seria a primeira Constituinte brasileira.  Tiradentes, solitário,  e os deputados liberais de 1823, embora elitistas, representaram, em épocas distintas, resistências a formas de opressão.

Ontem, a operação “Cadeia Velha”, desbaratou a podridão em que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro está mergulhada há tempos. O clã dos Piccianis é o grande alvo. O patriarca do clã, que praticamente tornou-se dono da Assembleia Legislativa, foi conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal. O filho do patriarca, Felipe Picciani, foi preso, acusado de lavar o dinheiro imundo do pai em empreendimentos agropecuários. O povo do Rio padece, os servidores sofrem horrores, saúde e educação estão falidas. E os bandidos “se empapuçam”, como diz um jornal do Rio hoje. E os transportes? As denúncias são fortíssimas e o que o Ministério Público mostra é aquilo que a população já vem há tempos sabendo e sentindo na carne: milhões são pagos de propinas pela máfia das empresas dos ônibus à máfia que comanda o Estado do Rio. É o tripé da corrupção, formado por ALERJ, Executivo e Tribunal de Contas, onde praticamente todos os conselheiros foram presos e afastados de suas funções. Edson Albertassi, do PMDB, também em vias de ser preso,  nomeado pelo (des)Governador vulgarmente conhecido como “Pezão”, também denunciado, desistiu de ser integrante da equipe que julgaria as contas de seu comparsa.

E ontem, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro mais uma vez resistiu. Envergonhados (será?), os deputados do PMDB abandonaram o Plenário e a oposição aproveitou o espaço para denunciar e esclarecer o povo do Estado sobre os escândalos. Apesar de toda a corja,  de toda a bandidagem que esteve e ainda está à frente de nosso Estado, a resistência terá que vir do povo nas urnas. A prisão de Picciani é uma questão de tempo. Mas a resistência terá que chegar à Brasília. Existe um Gilmar Mendes no caminho do povo do Rio, sempre pronto para aliviar bandidos engravatados.

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