“VAGABUNDOS” E O IMPOSTO SINDICAL

cutfhc vagabubdoNum país em que o então Presidente da República (FHC) chamou os aposentados de “vagabundos”; num país em que o então Governador e atual presidiário Sérgio Cabral chamou os médicos de “vagabundos”; num país onde eu, que sou professor, fui chamado de “vagabundo” pelo Prefeito “fascista-fashion”  João Dória, por ter aderido a uma greve geral este ano, nada mais “normal” do que vozes raivosas, sabe-se lá por qual motivo, chamarem sindicalistas de “vagabundos”. Desde ontem, há rompantes de alegrias orgasmáticas por causa do fim do imposto sindical, após 80 anos. “Acabou a vagabundagem! Vão trabalhar!”

Em primeiro lugar, ao contrário do que muitos dizem e outros repetem sem qualquer análise um pouco mais detida, o Brasil até que tem um número pequeno de sindicatos. São 16.431. Acharam muito? Então convido para a leitura do artigo que inaugurou o nosso blog. Talvez ele leve um pouco à reflexão:

https://pedropaulorasgaamidia.com/2017/05/26/primeiro-post-do-blog/

Em segundo lugar: quem perde com o fim do imposto sindical? Ontem, vi várias manifestações de anti-sindicalistas com os dizeres “Vão trabalhar vagabundos!” Até aí, nenhuma novidade. Só não sei se a ofensa foi dirigida, também, aos sindicalistas patronais (sindicatos das empresas de ônibus, dos banqueiros, dos donos de escolas, do Sr. Paulo Skaf…) Acredito que não. Isso porque a contribuição sindical patronal também deixou de ser obrigatória. Mas patrão, para eles, não é vagabundo. Só trabalhador e aposentado. Eles concordam com FHC e Sérgio Cabral. E mais um detalhe: os caras colocavam fotos com a bandeira da CUT  com os dizeres: “Acabou a mamata!” Mal sabem eles que a CUT sempre foi contra o imposto sindical. A ofensa dos anti-sindicalistas, dentro do que eles pensam, deveria ser dirigida às centrais sindicais que defendem a cobrança do imposto. Ah, já sei! A CUT é ligada ao PT, logo são vagabundos! 

O fim do imposto sindical não afetará a sobrevivência de sindicatos representativos, com altos índices de sindicalização, como são os sindicatos filiados à CUT.  Os sindicatos legítimos, representativos, não terão problemas para sobreviverem. Roberto von der Osten, que preside o ramo financeiro da CUT, fez uma afirmação interessante a respeito: “Acabou essa história de sindicato oferecer colônia de férias.”  Isso porque o sindicato não deve desviar-se de suas funções originais, que é a defesa dos interesses da categoria profissional que representa. Do que adianta um sindicato oferecer lazer, sortear automóveis no dia do trabalhador, mas estar sempre do lado patronal, como o Sr. “Paulinho da Força”? Aliás, quem dá carros para a central sindical do Sr. Paulinho da Força sortear todo dia Primeiro de Maio? Pergunte ao Paulo Skaf. Pode ir lá falar com ele. Tudo indica que ele embolsou 2,5 milhões de empresas investigadas pela Lava-Jato. Mas ele não é “vagabundo”. É um grande empreendedor. Haja patos amarelos!

 

 

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