LULA, BOLSONARO E A VOLTA DO MEDO

revista vejaregina duarteE o medo voltou. A revista Veja trouxe, em sua edição que vai às bancas em 8 de novembro, com o título de capa “A Política que Assusta”, uma matéria que fala da polarização que considera a “polarização dos extremismos” para 2018: o extremista de esquerda Lula X o extremista de direita Bolsonaro. Segundo a revista, Lula deu uma guinada à esquerda, enquanto Bolsonaro é rotulado como ultraconservador e fomentador do discurso para o insulto. A matéria da Veja é resultado da última pesquisa do Ibope, onde Lula aparece liderando com 35% e Bolsonaro com 13%.

O discurso do medo é claramente veiculado na matéria, que afirma que ambos os candidatos assustam os eleitores. A pesquisa do Ibope aponta que 52% dos eleitores “amedrontados” votariam em outros candidatos, em branco ou ainda não sabem em quem votar. E é, basicamente, a esses 52% que a matéria é dirigida.

Veladamente, a revista Veja está incentivando esses 52% a buscarem uma opção mais ao centro. Hoje, seria uma “terceira via que não amedrontasse os eleitores”. Entre um ultra-esquerdista (Lula) e um ultra-direitista (Bolsonaro), haveriam nomes entre os dois pólos do espectro político como alternativas.

Dizer que Lula é de extrema esquerda é um equívoco abissal. O passado e o presente de Lula e do PT jamais mostrarão isso. O PT é um partido social-democrata, de caráter reformista,  e que até foi mais à direita quando tornou-se governo. Hoje, inclusive, Lula já costura alianças até com Renan Calheiros, dissidente do governo golpista. Já Bolsonaro nunca teve história partidária. Ele é ele e seu discurso neofascista. Como candidato a “salvador da Pátria”, partido para ele é o que menos interessa. Mas Veja e a direita mais liberal sabem que ele representa a direita fascista emburrecida. Parafraseando Afonso Arinos, podemos até dizer que “Bolsonaro é o Trump de porre”.

O novo desafio lançado pela nova “campanha do medo” da Revista Veja tem inspiração na última eleição da França: é preciso achar alguém que seja o “Emmanuel Macron Brasileiro”, numa alusão ao candidato centrista que ganhou a eleição presidencial na França, contra o fascismo e a esquerda radical. Seguindo o raciocínio da Revista Veja, os 52% de eleitores “amedrontados” devem escolher quem será o “Macron Brasileiro”. Dória, o “Prefeito Engomadinho do Tietê”,  parece que vem perdendo fôlego, mas seria uma opção. Henrique Meirelles, o ministro do Mordomo golpista e candidato do grande capital estrangeiro, muito abaixo na pesquisa, seria outra alternativa. Luciano Huck, que a nosso ver representa “a Ressurreição de Sílvio Santos” (lembram de 1989?), poderia, segundo a Veja, ser outra alternativa. Alckmin é visto como “experiente”. Dentro da linha da Veja, poderíamos até acrescentar o banqueiro João Amoedo, do Partido Novo. Todos da direita liberal.  Não conseguimos identificar esses nomes nem como “centro”. Veja não sugere nenhuma alternativa que poderia ser do campo mais popular ou de centro-esquerda.

A grande diferença em relação às eleições anteriores, é que antes só o Lula inspirava medo. Agora, o neofascista também entrou no time dos fantasmas da Veja. A única coisa que a matéria não esclarece é de quem a Regina Duarte terá medo dessa vez. Mas bem que poderia mudar, só para animar um pouco a disputa. Que tal, dessa vez, a Regina Duarte ficar com medo do Bolsonaro e colocar, por exemplo,  a Ana Maria Braga com um colar de tomates tendo medo do Lula? Acho que a disputa ficaria mais charmosa…

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