O GUERRILHEIRO PILANTRA

aloysio nunesalnSabem aquela história de “quem votou na Dilma votou no Temer”? No ano que vem ela deverá voltar, porque as regras do jogo eleitoral não mudaram esse aspecto da eleição. Portanto, a escolha do Vice-Presidente da República continuará sendo uma venda casada. Mas, se seguirmos esse raciocínio muito formal e pouco político, também diríamos que “quem votou no Aécio votou no Aloysio Nunes”, certo? Continuando com os discursos de 2014 (a eleição que ainda não acabou), muitos dos eleitores de Aécio diziam que não votariam na Dilma por ela ter sido “guerrilheira e assaltante de banco”. Aliás, esse discurso da direita foi bem amplificado, indo além dos horizontes neofascistas dos bolsonaristas.

Mas será que os caras conheciam o vice deles? Sim, porque Aloysio Nunes, o tucano vice na chapa do Aécio, a seguir o próprio raciocínio deles, também foi “guerrilheiro e assaltante”. Aloysio foi integrante a ALN (Ação Libertadora Nacional), grupo guerrilheiro liderado por Carlos Marighella, de quem, aliás, era grande parceiro e também seu motorista. Ele também participou do assalto ao trem pagador, em 1968,  que fazia a rota entre Santos e Jundiaí, cujo butim rendeu mais de 20 mil dólares para a guerrilha. Se o matador de delatores tivesse sido eleito Presidente e sofresse um impeachment, o país seria entregue, então, a um “guerrilheiro e assaltante”. Mas Aloysio, hoje já idoso, revelou que o que fez no passado foi um equívoco.

Se ele viu sua participação na guerrilha e em assalto como equívoco, isso é uma avaliação subjetiva, temos que respeitar. O que não entendemos é essa  sua guinada para a direita. É impensável um egresso da guerrilha juntar-se aos grupos mais conservadores  e reacionários do país. Ah, mas ele lutou contra a corrupção, apoiando o movimento pró-impeachment em 2016. E hoje é Ministro do governo mais corrupto da história. Ao apoiar o golpe, ele entrou na onda. Como pode uma coisa dessas? Um senhor experiente, com um lastro na história política, ser engolido por um fedelho incendiário como o Aécio?

Agora, ele está às voltas com a nova deleção da Odebrecht, que o aponta como beneficiário de 500 mil reais para caixa 2 de sua campanha ao Senado em 2010. Raquel Dodge, a Procuradora-Geral da República, está em sua cola. Pode ter sido, também, como provavelmente ocorre nessas “doações”, um “toma lá, dá cá”, com o então senador usando sua influência e cargo para beneficiar a empresa doadora. Claro que ele já está negando tudo. Até porque, quem inventou a corrupção no Brasil foi o PT.

É Marighella! Nunca um ditado caiu tão bem como no caso do Aloysio Nunes: “Quem pariu Mateus, que o embale.” Pena que você não está mais aqui para cumprir essa missão.

Em tempo: “Mateus” era o codinome de Aloysio Nunes na guerrilha.

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