CRIVELLA, IEMANJÁ E A APROPRIAÇÃO DAS PRAIAS

procissão de iemanjáSou do tempo em que as praias, no final do ano, eram todas dos espíritas. No Rio de Janeiro, o dia 31 de dezembro era a ocasião em que os mais diversos terreiros dividiam a areia em lotes, para a celebração dos orixás, em especial Iemanjá, que no Brasil tornou-se a “Rainha dos Mares”. Era a despedida de um ano e as boas-vindas ao ano novo com os barcos e as oferendas colorindo as praias.

Lembro-me que, nos anos 70, eu ia com meus colegas para Copacabana jogar futebol na areia. Era a última “pelada” do ano. Chegávamos à praia no início da tarde de 31 de dezembro, jogávamos futebol e, com o entardecer, os espíritas começavam a ocupar a areia. Lembro ainda que, em algumas ocasiões, éramos pejorativamente chamados de “macumbeiros” por outras pessoas só porque íamos à praia no dia 31 de dezembro vestidos de branco. Como as coisas mudam! Hoje, muitos daqueles que nos chamavam jocosamente de “macumbeiros”, vestem roupa branca e vão à praia em 31 de dezembro.

O que, de fato, aconteceu? Sim, porque a grande “atração” televisiva da Globo até o final dos anos 70 era a “Procissão de Barcos de Angra dos Reis”, que ocorria na tarde do primeiro dia do novo ano. O que mudou é muito simples: alguém deve ter visto que poderia ganhar dinheiro com a praia no ano novo: hotéis, agências de turismo, bares e restaurantes. Então,  apropriaram-se da praia, que era dos dos espíritas, os verdadeiros e tradicionais ocupantes da orla naquilo que hoje chamam de Réveillon.

Em uma saída nada favorável, a famosa procissão de Iemanjá passou para outro dia, o que perdeu muito em tradição. A Prefeitura dava algum subsídio, tendo em vista tratar-se de uma ocasião de alta temporada no Rio. E agora, o Prefeito-Pastor Crivella cortou a parca subvenção que o evento recebia. Não podemos deixar de pensar que a medida foi absolutamente preconceituosa. Historicamente, os espíritas já sofrem agressões e discriminações. E agora, depois de anos de terem tirado-lhes as praias, tiram-lhes o minguado apoio financeiro.

O Prefeito sabe que o Rio é uma cidade cosmopolita e de multiplicidade étnica e cultural. Mas o Prefeito não gosta de Carnaval, não apóia a Parada Gay e também não gosta da procissão de Iemanjá. Ele também já auto-proclamou-se censor de arte.  É claro o projeto teocrático de um Prefeito-Pastor que governa tendo como referência a sua própria Igreja.  Pastores de sua igreja estão ocupando cargos de chefia em diferentes órgãos municipais. Vivemos um “Cesaropapismo” na cidade do Rio de Janeiro.

Só espero que o Prefeito Crivella não se esqueça que a Cidade do Rio de Janeiro chama-se São Sebastião

OS “LARANJAS” TELEFÔNICOS DO AÉCIO

telefone laranjaaécioNão precisa ser detetive ou policial para saber que alguém que usa telefones em nomes de “laranjas” está cometendo alguma atividade ilícita. É coisa de bandido mesmo. A Polícia Federal divulgou um relatório sobre os objetos encontrados no apartamento de Aécio quando da operação de maio, em que o tucano incendiário foi afastado do Senado. Segundo os policiais, foram encontrados no apartamento dois aparelhos de telefones celulares de modelos simples, um da TIM e outro da Vivo, que eram utilizados para redes fechadas.

As linhas telefônicas estavam nos nomes de Laércio de Oliveira, que trabalha como agricultor em plantações de café em Minas Gerais e de Mitil Ilchaer Silva Durão, que é montador de andaimes no Espírito Santo. Acrescente-se que, anteriormente, um dos aparelhos já tinha sido registrado em nomes de pessoas que eram empregadas de Andréa Neves, a irmã-cúmplice do tucano.

Claro que não é necessário um grande quebra-cabeça para montarmos o quadro: com certeza, Aécio usava os celulares em nomes desses “laranjas” para efetuar ligações sigilosas. Para quem? Isso a Polícia Federal certamente irá descobrir.

A Polícia também suspeita que os referidos “laranjas” tenham tido os telefones habilitados em seus nomes sem os seus referidos consentimentos, o que pode tipificar mais um entre os muitos crimes cometidos pelo tucano.

Ficamos imaginando o teor das conversas que foram feitas por esses celulares que, aparentemente, são reservadas. Se o diálogo com o Joesley Batista foi travado pelo próprio celular do tucano, imaginem o teor de conversas feitas por celulares em nomes de “laranjas”… Obviamente, as ligações feitas pelos aparelhos apreendidos não foram para pessoas do convívio dos supostos assinantes.

Minha opinião? Vasculhem o Jaburu. Deve haver, também, algum celular do Temer em nome de um “laranja”… Ou então, de algum traficante que negocie um famoso pó branco muito consumido e traficado pelo Aécio. Uma dica: lembrem de um fundo antigo de investimento chamado 157…

BOLSONARO DEFENDE TORTURA, ASSASSINATO E VOMITA FASCISMO

pau-de-araraHoje o leitor terá que ter estômago forte para ver e ouvir o que mostraremos. Sugiro um comprimido de omeprazol. É apenas sugestão, não estou receitando nada para ninguém. Circula pela rede um vídeo com parte da entrevista do neofascista Jair Bolsonaro, concedida ao programa Câmera Aberta, da TV  Bandeirantes. A entrevista é de 1999, mas o vídeo mostra que suas posições em defesa de crimes não mudou. Ele confessa claramente, inclusive, muitas coisas que seus seguidores negam. Na ocasião de suas repugnantes declarações, Bolsonaro tinha 44 anos de idade, o que mostra que já era suficientemente amadurecido e que, certamente, não mudou suas ideias.

Na entrevista, Bolsonaro diz ser favorável à tortura, afirmando que só o pau-de-arara funciona. Lembrando que o pau-de-arara tornou-se o instrumento de tortura que simbolizou a ditadura militar. Tortura é crime.

Em outro trecho do vídeo, o ultra-fascista confessou ser um sonegador contumaz de impostos, ao afirmar que sonega tudo o que for possível”. Sonegação de impostos também é crime.

Confessou também que, se fosse o presidente da República, daria um golpe de estado logo no primeiro dia, acabaria com os partidos políticos e fecharia o Congresso Nacional. Diz ainda que levaria o país a uma guerra civil.  Assim, ele confessa que cometeria crimes contra a ordem democrática.

Afirma também que o voto não vai mudar nada no Brasil e que tem que matar mesmo, não importando se morrerão inocentes. Ele lamenta que na ditadura militar teriam matado “apenas” 30 mil. Na entrevista ele propõe o assassinato de FCH e do economista Chico Lopes. Lembrando que homicídio também é crime.

É importante lembrar que, em 1999, a Constituição atual já vigorava, o que mostra que suas declarações são uma afronta também à Lei Magna promulgada em 1988, por uma Constituinte eleita pelo povo. Tudo indica que a democracia, realmente, dá urticária ao neofascista e a seus cúmplices-seguidores.

Assistam abaixo ao vídeo com as pavorosas declarações do candidato neofascista à Presidência da República:

 

BANQUETE NA CADEIA, GAROTINHO E A BALEIA AZUL

banquete do cabralbaleia azulO Bairro de Benfica, no Rio de Janeiro, transformou-se na capital da detenção dos bandidos de paletó e gravata. Duas quadrilhas rivais, a de Cabral/Picciani e a do casal Garotinho, estão presas na cadeia do bairro.

Mas a descoberta de regalias absurdas encontradas por uma fiscalização do Ministério Público na cela de Cabral e de seus comparsas, revelou que, mesmo de dentro da cadeia, o “capo” Sérgio Cabral ainda controla muita coisa do lado de fora. Como se não bastasse o recebimento de informações sobre a vida pessoal do juiz responsável pelos processos a que responde o Ministério Público, em uma visita-surpresa, descobriu que Cabral e sua quadrilha guardavam na cela um estoque de acepipes dignos de um banquete: camarões, bolinhos de bacalhau, presunto de parma, várias espécies de queijo. Isso sem contar as bebidas. Adriana Ancelmo, a bandoleira do Leblon, também degustava as iguarias, assim como todos os comparsas de Cabral. Parece que o Roberto Jerfferson fez escola: o pivô do mensalão, quando esteve preso, queria salmão, água de coco e geleia real como dieta na cadeia.

O sistema penitenciário deve uma explicação ao sofrido povo do Rio de Janeiro. Nitidamente os caras não perderam a pose,  e a ostentação que levou Cabral e sua quadrilha para a cadeia parece continuar dentro dela. Foi constatado também que nas celas onde encontra-se a turma de Cabral, as roupas de cama por eles usadas são de qualidade superior, em relação às dos outros detentos. E, por pouco, um cinema não foi instalado na prisão. Nitidamente há a participação de agentes públicos em todas essas irregularidades que soam como mais um achincalhe da quadrilha de Cabral ao povo do Rio de Janeiro. A quantidade significativa de dinheiro encontrado em espécie nas celas da turma do Cabral pressupõe que a corrupção que os levou à prisão está, agora, sendo praticada dentro dela para que tenham regalias. Urge uma apuração e punição rigorosa aos responsáveis.

Já na outra galeria, onde está o ex-Governador Garotinho, nenhuma irregularidade desta natureza foi encontrada. Entretanto, Garotinho disse ter sido agredido durante a noite por um homem que invadiu sua cela e falou que ia “fazer um carinho” nele (que romântico!). O “carinho”, segundo sua versão, foi uma agressão que teria sofrido na madrugada com um objeto que seria um taco de golfe. Enquanto isso, do lado feminino, chega até nós a notícia de que as presidiárias Rosinha Garotinho e Adriana Ancelmo não estão na escala da faxina. Elas continuam “dondocas”.

As câmeras de segurança não detectaram qualquer pessoa tendo acesso à cela de Garotinho. O sistema penitenciário diz ser praticamente impossível a versão contada por Garotinho de que teria sido agredido, apesar do ferimento no joelho e no pé do ex-Governador. Tanto que ele acabou transferido para Bangu 8 por declarar algo que não ocorreu. Tudo leva a crer que ele auto-mutilou-se. Receio que Garotinho esteja participando do “jogo da baleia azul”, que há até pouco tempo era a praga suicida dos adolescentes. Só não sei em que fase do jogo Garotinho chegará. Como ele, apesar dos defeitos, é muito perseverante… Bom, deixa prá lá…

HUCK, BERNARDINHO E OS “PSDBs GENÉRICOS”

psdb genéricoVem sendo noticiado, desde ontem, que o apresentador global Luciano Huck não será mais candidato a Presidente da República em 2018. O anúncio foi feito em uma entrevista concedida em São Paulo. Isso, depois de muitas reuniões com empresários e setores políticos da direita. Enquanto isso, Bernardinho, o técnico de voleibol medalhista de ouro, parece que será mesmo candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro.

As duas personalidades, apesar de  suas diferenças, representam aquilo que eles próprios e seus incentivadores chamam de “o novo” na política. Diante do quadro de ceticismo do eleitorado, tanto em relação a partidos como a candidatos, nomes que dizem representar “a inovação” na política vem surgindo. Diferentemente do deputado federal Tiririca, esses nomes e os objetivos de suas candidaturas nada têm de expressão cômica ou revolta hilária do eleitor. Ambos fazem parte de um projeto muito bem definido. Basta ver quem está por trás deles.

Em primeiro lugar, nem Huck e nem Bernardinho nunca foram “apolíticos”. Ao contrário, ambos foram militantes do PSDB e participaram ativamente da campanha derrotada de Aécio Neves.  Bernardinho, inclusive, era filiado ao PSDB. Mas depois dos escândalos envolvendo o Aécio e o ninho tucano, para mostrar uma “cara nova”, eles tiveram que se dissociar do bandido do PSDB que apoiaram em 2014. E uma dessas estratégias (não só deles, sejamos justos) é aproveitar que a atual legislação permite a criação de partidos com nomes vagos e genéricos, que não mostrem suas caras ideológicas. “Podemos”, “Avante”, “Novo”, “Livres”“Patriotas”“Muda Brasil”, dentre outros, são nomes de partidos políticos que invocam palavras de ordem ou motivação. Seriam, digamos assim, exemplos de “PSDBs genéricos”. Isso porque a substância ativa ou essencial desses partidos é a mesma. E eles são iguais às cidades da Ilha da Utopia, de Thomas Morus. Basta falar de um para conhecermos todos. Assim, tomemos como exemplo o Partido Novo, do grande técnico Bernardinho.

Analisando o perfil ideológico e a plataforma do “Novo”, ficamos querendo encontrar “novidades” e não conseguimos. O partido defende as privatizações, é contra a política de cotas e segue a cartilha do “Estado mínimo”, mostrando sua tendência ultra-liberal em termos econômicos. O banqueiro João Amoedo, que preside o partido, provavelmente sairá candidato a Presidente da República. Perguntamos: onde está  o “novo”?

Começou há algum tempo uma avalanche de surgimento de partidos políticos que querem ocultar os seus matizes ideológicos. Não são só “Bernanardinhos” que surgirão daqui para frente. Uma porção de “PSDBs genéricos” aparecerão para, em nome do “novo”,  manter uma política social segregacionista, neoliberal e voltada para a destruição do Estado. Cuidado, leiam a bula de todos esses “PSDBs genéricos”. Eles poderão causar um grande dano às nossas vidas.

 

STF, FORO E POLITIZAÇÃO DA JUSTIÇA

download (4)Imagine alguém que nunca sequer foi marinheiro e é alçado à condição de almirante. Agora, imagine alguém que nunca foi juiz de direito e é alçado à mais alta corte judiciária do país. Assim é o Supremo Tribunal Federal, composto por 11 ministros indicados politicamente pelo presidente da República, aprovados politicamente pelo Senado e, finalmente, nomeados pelo presidente da República. Nenhum precisa ser juiz de carreira. Basta ter “notório saber jurídico e reputação ilibada” o que, convenhamos, em muitos casos é algo de todo subjetivo.

Um caso curioso tem acontecido com a Justiça brasileira. Na época da ditadura, a população conhecia (e era obrigada a conhecer) os nomes de todos os ministros de Estado. Nos anos 1970 havia até um quadro do Programa do Sílvio Santos chamado “Como vai Senhor Ministro?”, onde, a cada domingo, a biografia dos ministros dos governos militares era apresentada. O povo não sabia quem eram os ministros do Supremo. Hoje é o contrário. Excetuando-se os protagonistas, como Henrique Meirelles por exemplo, é muito difícil um brasileiro saber o nome de cinco ministros de Estado. Mas certamente  ele sabe os nomes da maioria dos 11 ministros do STF.

Não obstante os casos de ministros como Celso de Mello, um jurista a serviço da Justiça brasileira, hoje, quando o povo acompanha as sessões do STF pela TV, percebe claramente que alguns membros do STF estão  com missão mais política do que jurídica. E isso é muito claro nos casos dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Como confiar em decisões de ministros do Supremo que, antes de  integrarem a corte, eram ativistas e militantes políticos?

O julgamento recente da membrana de imoralidade chamada “foro privilegiado” mais uma vez frustrou a população. O ministro Dias Toffoli pediu vistas do processo quando a decisão já não podia mais ser revertida, visto que 8 votos já haviam sido dados pela restrição do foro. Antes dele, Alexandre de Moras já havia pedido vistas, numa sequência que parece combinada para procrastinar uma decisão inevitável.  Mas o resultado final não pode ser proclamado porque nem todos ainda votaram. E a retomada da votação não tem prazo. A quem esse pedido de vistas interessa? Sim, porque até Sua Excelência decidir proferir o seu voto, valem as regras vigentes.

Toffoli reuniu-se com Temer dias antes da votação e, por mais que ele negue, essa reunião é altamente suspeita. Quem sabe ali não foi negociado o pedido de vistas? Sim, porque Temer tem interesse direto na matéria. Ele poderia, por exemplo, “negociar” (leia-se: comprar) a inclusão de um dispositivo que blinde ex-Presidentes. Seria o seu último golpe visando não responder pelos seus crimes a partir de janeiro de 2019. E, com o protelamento da decisão pelo Supremo, o campo ficaria aberto para o Congresso. Resumindo: o Congresso decidiria antes do Supremo. Trata-se de uma conjectura perfeitamente admissível. E sabemos do que o Mordomo usurpador é capaz.

Tudo indica que Dias Toffoli quer passar a bola para o Congresso Nacional, dando “a eles, mais uma vez, o poder de legislar e decidir para eles”, como foi no caso Aécio. E já podemos esperar o que vem de um Congresso com vários de seus integrantes respondendo a processos e sendo beneficiados pelo foro. Mais uma “bola fora” do STF como instituição e de Dias Toffoli como ministro. Festa dos deputados e senadores corruptos. E, quiçá, festa também do Temer.

Estou convencido de que, se nossa corte suprema fosse formada por juízes de carreira, concursados e com independência política, certamente a corte judiciária que deveria ser o exemplo de tomada firme de decisões, não frustraria tanto o povo brasileiro. Como pode um Presidente da República nomear um juiz que eventualmente  poderá julgá-lo ou a seus pares?

Muitas vezes temos ouvido comentários de que a “judicialização da política” tem sido um dos grandes problemas do país. Eleições e decisões políticas vão parar na Justiça. No entanto, algo nos mostra claramente que, mais do que a “judicialização da política”, temos visto uma “politização da Justiça”. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli que o digam…

 

A SIMBOLOGIA REVANCHISTA DA BLACK FRIDAY

black fridayOs Estados Unidos possuem uma compulsão para criar simbologias revanchistas. Foi assim com os filmes do velho oeste, em que os índios, de quem eles roubaram as terras, sempre são os “bandidos”. Foi assim com a série de filmes “Rambo”, protagonizada por Sylvester Stallone, que nada mais é do que um revanchismo contra a humilhante derrota  americana na Guerra do Vietnã. Em muitos casos, a série não deixa de ser um “remake”, só que com um final feliz para o Tio Sam,  num contexto criado de modo que os “olhos puxados” sempre são os “bandidos”.

Tudo indica que podemos falar o mesmo sobre a “Black Friday” ou “Sexta-Feira Negra”. Isso porque a história dos Estados Unidos já havia registrado a “Terça-Feira Negra” e a “Quinta-Feira Negra”, ambas durante a Crise Econômica de 1929. No dia 24 de outubro de 1929, uma quinta-feira,  as ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque caíram abruptamente, o que já era um prenúncio da crise. E em 29 de outubro do mesmo ano, teríamos a terça-feira fatal: a Bolsa quebrou. Tanto a terça como a quinta-feira foram chamadas de “negras”, em dias nada saudosos para a economia e o orgulho dos Estados Unidos.

Nada a ver com uma sexta-feira logo depois do Dia de Ação de Graças, onde as ruas ficam congestionadas e as lojas movimentadíssimas, o que anuncia o início do período de maior consumo do ano: as compras do Natal. O frenesi dos consumidores muda o panorama das ruas e o comportamento das pessoas. É dia de liquidação. E a simbologia revanchista da “Black Friday” torna-se inevitável. Imagine os nada saudosos tempos da Crise de 1929, com a economia em colapso, com uma terça e uma quinta-feira negras. Nada melhor do que uma sexta-feira que entre, definitivamente,  para o calendário do consumo. É a antítese dos “tempos das vacas magras de 1929”.  E que até espalhou-se pelo mundo. Tudo indica que parece que chegou para ficar no Brasil.

Mas, como fica o trânsito? Enquanto muitos extravasam as suas pulsões consumistas, outros trabalham para manter a ordem no trânsito. Para os guardas que trabalhavam no controle do trânsito, a sexta-feira do consumismo nos Estados Unidos nada tinha de agradável: para eles, era uma verdadeira “Black Friday”. Aí está a origem. O sentimento de desespero dos guardas de trânsito, tendo que controlar o caos dos veículos nas ruas, passou a simbolizar o prazer de consumir, a preços muito mais baixos.

Mas, como dizia Vinícius de Moraes na canção Tudo na mais santa paz: “dia de festa é véspera de muita dor”. Assim foi na Crise de 1929, quando a festa consumista e liberal antecedeu o caos econômico e social. Tomara que o vaticínio do velho e saudoso poeta da Gávea não simbolize a fatura do cartão de crédito. Isso porque, não temos certeza de que nem os Estados Unidos aprenderam com a lição de 1929. Assim, sugiro que quem sofra de oniomania não saia nessa sexta-feira e fique em casa jogando banco imobiliário.