CULTURA, DÓRIA E A FARINATA DA ELITE

latino festa no apêregina duarteDia 31 de outubro vai “bombar”. Vai ser “festa no apê”. Vai ter jantar para o Prefeito Engomadinho do Tietê, João Dória. A “classe artística”  e  de gente ligada à cultura se encontrará na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico,  para a patuscada da elite, com direito a muita farinata de salmão e ova de esturjão. A homenagem dos artistas ao prefeito Engomadinho do Tietê contará com presenças ilustres, a começar pelo anfitrião. Paulo Marinho, empresário do agro-negócio, é filiado ao PR (Partido da República). Ele já foi preso algumas vezes, sendo uma delas por não pagar pensão alimentícia. Ele é um grande defensor das crianças, junto com o prefeito homenageado e com o MBL. Será que a exploração do trabalho infantil e a nova lei do Temer que praticamente descriminaliza a escravidão (vitória dos ruralistas!)  vão estar na pauta?

Mas teremos outras presenças ilustres. E, claro,  quem não poderia faltar é o tucano e aecista Luciano Huck, “o candidato a não sei o quê, sabe-se lá por qual partido”, e que, apesar de tucano, se diz representar o “novo” na política. Recentemente, em uma palestra em São Paulo,  o narigudo global expressou inequivocamente seu desejo de se lançar candidato (só não sabe ainda a quê).

Mas as mulheres não poderiam faltar e quem já confirmou presença na pajelança ao “homem da farinha” (sem trocadilhos), é a “Senhora do Medo”, a ex-namoradinha do Brasil Regina Duarte, igualmente tucana e apoiadora de Aécio.  Será que ela não está com medo? Antônio Fagundes, outro apoiador de Aécio, também estará presente, assim como Tony Ramos, ex-garoto-propaganda da Friboi de Joesley Batista (e não do filho do Lula).

Causou surpresa a não confirmação da presença, até o momento, do grande filósofo, educador e crítico de arte Alexandre Frota. A “juventude neo-lacerdista”,  representada por Kim Kataguiri e Fernando Holiday, igualmente críticos de arte, também ainda não confirmou presença. Mas com certeza esses grandes expoentes da cultura e da arte brasileiras não ficarão em falta com o Prefeito do Tietê que eles tanto apoiam.

Levando-se em conta as pretensões políticas do Prefeitinho do Tietê, que embora seja candidatíssimo a Presidente sempre afirmou não ser político, dá para imaginar que a patuscada será um ato de  costura e apoio político.  Provavelmente Dória sairá do ninho tucano. O partido anda desgastado por causa do Aécio e do apoio ao governo criminoso de Temer. O narigudo também é candidato, mas ainda não tem partido. E o empresário que é figurão do PR fará as honras da casa.

“Jantar do Dória” entrará para a história do Brasil e do Rio de Janeiro. Ali ele poderá se lançar candidato a Presidente da República diante da “classe artística”, e o “representante dos artistas”, Luciano Huck, ser lançado ao governo do falido e carcomido Estado do Rio de Janeiro. Novos tempos virão. E já começo mesmo a acreditar no Dória, quando ele disse não ser político. Na verdade ele é um ET.  Sinal disso é que, ultimamente, ele deu provas inequívocas de que adora comida de astronauta.

 

100 ANOS DE REVOLUÇÃO RUSSA

Vladimir Ilyich Lenintomada de berlimEstamos celebrando o centenário da Revolução Russa. Em 1917, os  bolcheviques tomavam o poder na Rússia, acabando com 300 anos de dinastia dos Romanov,  e implantando o primeiro regime socialista da história da humanidade. Estamos falando de celebração, e não necessariamente de comemoração, antes que alguém venha aqui dizer que “tem que enfiar porrada nos comunistas”,  como já disseram. Isso porque a Revolução Russa não se trata de um patrimônio ideológico e sim de um patrimônio histórico, pela sua importância, influências e transformações que ela trouxe para o mundo. Do mesmo modo que a Revolução Francesa, uma revolução liberal-burguesa, também é um patrimônio histórico, pelas influências e transformações que trouxe,  principalmente para o mundo ocidental.

Vários seminários estão sendo realizados no Brasil para celebrar a data. A revolução, que varreu a última monarquia absolutista da Europa, foi responsável por inegáveis avanços na antiga União Soviética, tirando o país do atraso econômico e inserindo-o no rol das grandes potências mundiais. Os descaminhos do socialismo real, igualmente inegáveis, não anulam a sua importância e mostram simplesmente as contradições de qualquer regime sócio-econômico. Assim como o capitalismo viveu uma grande crise em 1929 e vive hoje em vários lugares do mundo, o socialismo também conheceu períodos de crise, especialmente em fins dos anos 1980. Nunca podemos esquecer que as bandeiras revolucionárias de 1917, de combate às desigualdades e da construção de uma sociedade igualitária,  ainda estão em processo.

O país construído pela revolução socialista foi fundamental na derrocada do nazismo. Numa época de tantas sandices propositadamente veiculadas, onde já se chegou a dizer que “o nazismo é de esquerda”, nunca é demais lembrar que foi o Exército Vermelho que entrou em Berlim, em 1945, e derrotou Hitler, fincando a bandeira soviética nas ruínas do QG do líder nazista.

Endemoniar a Revolução Russa e sua importância histórica, inclusive contemporânea, não é apenas uma atitude reacionária de hostilidade ao socialismo. É total falta de visão histórica; é incapacidade de aferir os significados reais de influência de um movimento nos diversos níveis de realidade. E ninguém precisa ser marxista, comunista ou socialista para reconhecer a importância da revolução socialista soviética de 1917. Basta dizer que a revolução foi responsável por um mundo dividido por mais de 40 anos, durante a chamada Guerra Fria.

O Brasil de 1917 não sofreu imediatamente as influências da Revolução Russa. Naquele ano, coincidentemente, estourou em nosso país a primeira greve geral da história. Mas a culpa” não foi dos comunistas. Quem liderava os trabalhadores do Brasil à época eram os anarquistas. O Partido Comunista do Brasil (PCB) só seria fundado em 1922.

Hoje presenciamos um avanço da extrema-direita no mundo de um modo geral: Estados Unidos, Alemanha, Áustria e também o Brasil dão mostras claras do avanço do extremismo direitista. Talvez tenhamos que decantar os valores da Revolução de 1917 para enfrentar esse crescimento sombrio. Sem necessariamente precisar pegar em armas ou criar um Estado Comunista. Mas para construirmos uma sociedade mais justa, libertária, inclusiva e verdadeiramente democrática. Há quem não concorde, mas nos tempos atuais isso já seria uma grande revolução no Brasil. E que em 2117 estaria, igualmente, sendo celebrada.

 

LIGAÇÕES PERIGOSAS

ligações perigosasPensem em um senador tucano que está sendo investigado pelo STF. Agora pensem em um ministro do STF, igualmente tucano, e que é relator de quatro inquéritos contra o senador tucano do qual ele é amigo. Acertou quem pensou em Aécio Neves e Gilmar Mendes. Pois bem: a Polícia Federal provou que os dois se falaram muito entre março e maio deste ano. As conversas, secretas.  Foram, ao todo, 46 ligações entre o senador investigado e o juiz que fará o relatório sobre suas acusações, ou seja, irá julgá-lo. Infelizmente, o teor dos diálogos entre os grandes amigos tucanos não está disponível, porque as ligações foram feitas pelo WhatsApp, o que torna seus conteúdos indisponíveis. Perigo. Ligações perigosas.

Mas não é preciso ser vidente para sabermos sobre o que eles falaram. Claro que, como não há acesso ao conteúdo das conversas, eles podem dizer até que estavam falando sobre o último capítulo da novela, que vai ao ar hoje. Aécio diz ter “relações formais” com o juiz responsável pelo relatório sobre os crimes dos quais é acusado. Já o juiz tucano diz que o assunto das conversas foi a reforma política e que ele trata desse assunto com presidentes de outros partidos. Faz sentido. É um ótimo álibi. Até porque Gilmar Mendes também é Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O que não faz sentido e é inaceitável é o número de ligações. Foram 46 em dois meses. Será que os presidentes de outros partidos mereceram a mesma atenção do presidente do TSE? E o que também não dá para engolir é o porquê de os diálogos não serem públicos. Até porque a reforma política é de interesse público. E, já que os diálogos  foram privados, por que falar pelo WhatsApp, que não permite o acesso ao teor das conversas? Se a versão contada pelos inseparáveis amigos for verdadeira, acho que eles falaram mais sobre reforma política do que qualquer parlamentar do Congresso. Constatou-se que uma das ligações ocorreu no exato dia em que Gilmar Mendes deu uma decisão favorável a Aécio.  Ora, conta outra!

Na verdade, tudo se encaixa. O “Grande Acordo com o Judiciário” ao qual se referiu o senador golpista Romero Jucá, vai tomando cada vez um formato mais cristalino. Os três poderes políticos nunca foram tão harmônicos como têm sido, só que diferentemente daquilo que pregava o pensador iluminista Montesquieu. Infelizmente, um arquivo podre, porém vivo, chamado Eduardo Cunha, não vem sendo explorado. E nem vão deixar que seja.  Ele carrega um “HD externo” que contém grande parte da “caixa preta” do Judiciário. Mas Cunha está na dele. Ele faz parte do acordo. Sua dileta mulher jamais será incomodada pela “justiça”, apesar das provas documentais. O que temos hoje, em termos de poderes políticos no Brasil, é que o Executivo é PMDB/PSDB. O Legislativo é PMDB/PSDB e o Judiciário é, predominantemente, PSDB. A conta está fechada.

Mas a história “Ligações Perigosas” do francês Chordelos de Laclos, que virou minissérie da Globo, envolvia traições. E traições palacianas, em uma época complicada da França. Principalmente na luta pelo poder. Coincidências à vista com o Brasil atual.  Tomara que a vida imite a arte. Não vou nem falar do Sérgio Moro, que é tucano, mas já imaginaram se ficasse provado que um dos juízes que julgará Lula na segunda instância tivesse 46 conversas com ele pelo WhatsApp? Acho que os patos amarelos iriam para as ruas, com a cara de bunda engarrafada, pedir o fim da corrupção e a prisão dos dois.

SENADO, STF E A PROFECIA DO JUCÁ

jucáaécio 171Aécio está livre. Está solto. Está de volta ao Senado. Não pagará pelos seus crimes confessos. Falou-se muito em um suposto “conflito de poderes” entre o Judiciário e o Legislativo por ocasião do caso do “matador de delatores”. Mas na verdade não houve conflito. Houve sim um grande “acordão”  STF-Senado. A previsão de Romero Jucá, um dos comparsas de Temer e Aécio, em sua subterrânea conversa com Sérgio Machado, em maio do ano passado,  já antecipava o que ocorreria na última semana: “Temos que tirar a Dilma, fazer um grande acordo com o STF e estancar a sangria da lava-jato”. Em outra gravação, Aécio pedia 2 milhões a Joesley Batista e dizia que mataria alguém antes que delatasse. Dilma está deposta. Aécio e Jucá exercendo seus mandatos. Tudo conforme o senador golpista do PMDB falou a Sérgio Machado. Agora, com o papelão do (“ex”)-STF e a canalhice dos 44 comparsas que livraram Aécio ontem, o golpe de 2016 fez uma “closura”, envolvendo os três poderes políticos.

Este mesmo Senado que,  há pouco mais de um ano, tungou o mandato de Dilma por “pedaladas fiscais”, absolve Aécio por corrupção e ameaça de morte, dentre outros crimes. Com áudios onde ele confessa os crimes. Com todas as provas. O Supremo Tribunal Federal, que poderia ter sido verdadeiramente supremo e tomado a atitude que a lei mandava e o povo esperava, está apodrecido, juntamente com um Senado carcomido. Ser do PSDB significa ter imunidade. E não é só no âmbito dos três poderes. Cadê toda aquela gente que foi às ruas gritar pelo  fim da corrupção?

Os indignados de ocasião afirmam que o “Fora Temer” fortaleceria Lula. Então, não foi contra a corrupção que aquela turba financiada pela FIESP foi às ruas. Corrupção do PT não pode. Do PMDB e do PSDB pode. Depois da decisão do apodrecido Senado, após a vergonha do apodrecido “Supremo”, não há mais dúvida. Romero Jucá estava certíssimo em sua predição. Depois de ontem, das duas, uma: quem disser que a deposição da Dilma não foi golpe, ou é imbecil ou golpista. Em caso de dúvida, perguntem para o Romero Jucá.

 

 

 

TEMER REVOGA LEI ÁUREA

LA5561-001Mais um motivo de vergonha para o Brasil, em especial para aqueles que respaldaram o golpe que levou Michel Temer ao poder. Foi publicada no Diário oficial da União de ontem, 16 de outubro, a portaria que altera as exigências para que seja tipificado o crime de trabalho escravo.  A nova lei do governo Temer deve estar fazendo a festa da bancada ruralista e, com certeza, é um elemento para cooptá-la e ter os votos dos ruralistas a favor da manutenção de Temer e sua quadrilha no poder.

Pela nova legislação do governo Temer, será muito mais difícil para que uma exploração de trabalho seja considerada “escrava”. Isso porque a portaria publicada ontem exige muitos elementos comprobatórios para que o crime de escravidão seja aceito como tal. Estão sendo exigidos uma série de documentos, além de fotografias do local de exploração, como se fosse fácil para os fiscais fotografarem fazendas que praticam escravidão cheias de capangas armados.

Além disso, outro ponto vergonhoso e favorável aos ruralistas é que a chamada “lista suja”, ou seja, aquela que contém os nomes das propriedades que foram autuadas por escravidão, tenderá a ficar vazia. Isso porque a nova lei do governo Temer estabelece que o nome de uma propriedade só poderá constar  na lista com autorização expressa do Ministro do Trabalho, tirando assim a autonomia dos técnicos e fiscais do Ministério.

A legislação é tão absurda que fere até os princípios da Organização Internacional do Trabalho em relação ao conceito contemporâneo de escravidão. Os critérios da OIT foram desprezados na referida portaria.

Depois da Reforma Trabalhista, agora foi a nova legislação sobre escravidão. Podemos dizer que, na prática, a Lei Áurea foi revogada porque, a partir dessa portaria, praticamente nenhuma empresa será penalizada por exploração de trabalho escravo.

Depois de fazer o Brasil retornar ao Mapa da Fome, impor uma reforma trabalhista que rasgou a CLT,  agora o governo golpista presenteia os ruralistas com o retorno da escravidão ao Brasil.  Que venha um novo 13 de Maio!

AÉCIO AGORA QUER VOTO SECRETO

aécio 171Maio de 2016. Delcídio do Amaral, então senador do PT, tinha o seu mandato cassado. Naquela ocasião, Aécio Neves, vitorioso com o golpe que havia derrubado Dilma no mês anterior, continuava incendiando o país. Na votação do caso de Delcídio do Amaral, Aécio foi um fervoroso defensor do voto aberto pelos senadores, para que a população pudesse ver em quem seus representantes votariam. E, claro, o voto tinha mesmo que ser aberto.

Amanhã o mesmo Senado irá julgar a continuidade ou não do afastamento de Aécio daquela casa legislativa. Tudo culpa do Supremo que, por covardia ou comprometimento, abriu mão de ser “Supremo”. E agora, Aécio e seus cúmplices estão manobrando para que o voto seja secreto. Isso mesmo: ele agora quer o voto secreto, porque sabe que, com o voto aberto e a menos de um ano da eleição, até os seus comparsas não irão colocar seus mandatos em risco para salvar o que restou deste ser abjeto.

Amanhã teremos 80 senadores participando da sessão. Isso porque a lei não permite que o suplente do “matador de delatores” assuma. O “plaboy do Leblon” precisa de 41 sem-vergonhas votando a seu favor. Esperamos que a manobra de Aécio e seus comparsas não obtenha êxito e o voto seja, como manda a lei, aberto.  E que seu afastamento, quiçá, seja definitivo, colocando esse golpista corrupto em seu lugar natural: o esgoto da história!

007 – LICENÇA PARA MATAR

007Foi sancionada hoje pelo presidente golpista em exercício, Sr. Michel Temer, a lei que representa a vitória do corporativismo dos militares, permitindo que, nas operações realizadas em comunidades, o militar que matar civis deixará de ser julgado pelo Tribunal do Júri, como qualquer mortal, e passará a ser julgado pelos seus próprios pares, ou seja, pelo respectivo Tribunal Militar.

A primeira coisa que chama a atenção é que o escopo da “licença para matar” está restrito às comunidades, ou seja, onde vivem os mais pobres.  O texto da lei sancionada pelo presidente golpista fala em “operações de paz”, o que lembra, por exemplo as UPPs.  Só para darmos um exemplo: se uma operação militar ocorrer dentro da Rocinha e o militar matar alguém (seja bandido, trabalhador ou criança), proposital ou acidentalmente, ele será julgado pelo Tribunal Militar. Mas e se a operação for no asfalto, bem ali na orla, e ele matar o “filhinho de papai” que foi comprar drogas na Rocinha? Faço essa pergunta porque nunca soubemos da entrada das Forças Armadas em condomínios de luxo, onde várias vezes já tivemos a notícia de terem ocorrido consumo de drogas, pancadaria e até tiroteio.

Mas a “licença para matar” não fica por aí. A lei sancionada hoje também vale para operações de “garantia da ordem”, o que pode ser subjetivo, mas já sabemos em quem ela mira: nos movimentos sociais, nos protestos. Basta ver que, inicialmente, essa lei seria aplicada apenas durante a Olimpíada, ocasião em que eram esperados (e ocorreram) vários  protestos. Portanto, trata-se de uma lei de exceção que tornou-se permanente.

Em nossa  visão, sempre achamos que tribunais militares só deveriam existir, de forma permanente, para julgar infrações como indisciplina ou eventualmente em tempos de guerra. Criou-se um novo foro privilegiado. Vale lembrar que os tribunais militares são predominantemente formados por militares de carreira e sem formação jurídica, o que limita o alcance que leve a uma decisão justa.

Do jeito que as coisas andam no Rio de Janeiro, com tantas operações com a participação das Forças Armadas em comunidades, acho que vai ser um frenesi. Meninas, preparem-se: vamos ter vários “James Bonds” em ação na nossa cidade. A diferença, é que o Agente 007 tem licença, também, para matar bandidos ricos e de paletó e gravata.