TEMER PIOR QUE MADURO

temer mais impopular do mundoUma pesquisa feita pelo Grupo Eurasia, corporação sediada em Nova Iorque e especializada em analisar o risco para os investidores, divulgou os resultados de uma interessante pesquisa, com uma conclusão que não nos surpreende: “Temer é o governante mais impopular do mundo”. O golpista que preside o Brasil desde o ano passado tem apenas 7% de aprovação, percentual que, levando-se em conta a margem de erro, pode estar muito próximo de zero. Com esta “conquista”, o Mordomo do Jaburu conseguiu acrescentar mais um recorde em sua extensa “folha corrida”, visto que ele já tinha sido o primeiro Presidente da República a ser denunciado por crimes comuns em pleno exercício do mandato.

Já Nicolás Maduro, o caudilho bolivariano que preside a Venezuela, chegou bem à frente de Temer, não obstante seu governo ser endemoniado inclusive pela instituição que realizou a pesquisa: Maduro tem 23% de aprovação, mais do triplo da aprovação do golpista brasileiro. Há que se ressaltar que, este ano, quando a ONU divulgou o ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), referência mundial para avaliar a qualidade de vida nos países, a Venezuela já aparecia à frente do Brasil, considerando-se o período em que Temer e Maduro já estavam no poder. Podem acreditar: o IDH da Venezuela é superior ao do Brasil. Lembrando que quem realiza a aferição é a ONU, dominada por países hostis ao governo venezuelano. Não nos esqueçamos de que, depois que Temer tomou o poder, o Brasil retornou ao mapa da fome da ONU e, nesse final de ano, estamos vendo o recrudescimento da campanha “Natal sem Fome”, algo que pensávamos não mais ter lugar em nossa história.

Segundo a pesquisa, Temer, na lanterna (ou “liderança”, como queiram), ainda perde disparado para o Presidente da África do Sul, que tem 18% de apoio e ainda para o ultra-direitista Donald Trump, que tem 37%, dentre outros governantes.

Motivos é o que não faltam para esse recorde histórico do golpista Temer: escândalos estratosféricos de corrupção, compra bilionária de votos no Congresso, apoio ao bandido Aécio Neves, supressão de direitos trabalhistas, descriminalização do trabalho escravo, cortes em verbas para ciência e tecnologia, congelamento dos gastos com saúde e educação por 20 anos,  malas com 51 milhões,  uma proposta de reforma da previdência que praticamente acaba com o direito à aposentadoria, ataques a reservas indígenas, apoio à devastação ambiental, entrega das riquezas nacionais,  perdão bilionário de dívidas para ruralistas e empresários caloteiros em troca de votos,  sem qualquer vergonha ou escrúpulo.

Não podemos nos esquecer de que o governo ilegítimo e golpista de Temer tem o apoio de todos, rigorosamente todos, os partidos de direita que, para confundir o eleitor e visando 2018, estão até mudando os seus nomes para denominações vagas. O recorde de impopularidade de Temer, que chegou ao maior da história do Brasil, deve ser um termômetro para as próximas eleições. Todos os partidos e candidatos que apoiam a organização criminosa de Temer devem ser defenestrados democraticamente pelo eleitor (somos contra qualquer golpe). Só recomendo que, pela impureza desses seres abjetos, eles sejam defenestrados não pela janela e sim pelo esgoto!

E NÃO VAI TER OLIMPÍADA… DE MATEMÁTICA!

olimpíada de matemáticaOs Jogos Olímpicos da propinagem e da ladroagem aconteceram no ano passado, no Rio de Janeiro e, tirando os méritos de nossos atletas, os brasileiros nada têm para comemorar. A cada dia, novos escândalos surgem e aí vemos como que os milhões desviados pelos bandidos de paletó e gravata poderiam ter tido outros destinos.

Foi divulgada a notícia de que a OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), não poderá acontecer em 2018. A afirmação é do diretor do IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), Marcelo Viana. Tudo por conta de mais um dos muitos atos criminosos do governo golpista de Temer e sua quadrilha. Os cortes previstos no orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia para 2018 não permitirão, pela primeira vez desde 2005, a realização da Olimpíada que, a cada ano, fomenta jovens talentos na Matemática. A Olimpíada é realizada em praticamente todos os municípios brasileiros, com a participação de cerca de 18 milhões de estudantes e sua realização tem um custo de 53 milhões (valor quase igual ao das  malas do Geddel). É um investimento que compensa e que custa, em média, apenas 3 reais por estudante (nem o preço de uma passagem de ônibus). Só para darmos um exemplo, no ano passado, 6 jovens brasileiros foram destaque na Olimpíada Internacional de Matemática, conquistando medalhas. E este evento que ocorre nas escolas públicas de todo Brasil deixará de acontecer em razão de mais um crime do golpista Temer contra a educação.

O que mais nos deixa revoltado é o que Temer pagou para comprar os deputados corruptos que votaram contra as denúncias da PGR. Hoje sabemos que Temer gastou, na compra dos votos, 32 bilhões de reais, aí incluindo-se as famigeradas emendas parlamentares e o perdão de dívidas para a bancada ruralista, bancada esta que conta com cerca de 200 deputados. Com o dinheiro pago pelo golpista Temer aos deputados vendidos, poderia ter Olimpíada de Matemática durante 60 anos. E agora, com o corte das verbas da ciência e tecnologia, ela fatalmente não acontecerá em 2018.

Esse é um dos preços do golpe de 2016. Nossa juventude, principalmente aquela que precisa das escolas públicas, vai sendo cada vez mais excluída. Em compensação, ruralistas, empresários caloteiros do INSS, deputados corruptos, vão sugando os recursos de que deveriam ser investidos no verdadeiro futuro do Brasil: a nossa juventude. Se o golpista chegar ao fim de seu mandato usurpado, ele terá que ser denunciado no Tribunal Internacional de Haia, por crimes contra a humanidade. Ele e toda a sua gangue. Gangue essa, cuja “matemática” é “tirar das escolas públicas e dar para ruralistas, deputados corruptos e empresários caloteiros”.

 

 

PATOS E 20 CENTAVOS

20 centavospatos amarelos“Revolta dos 20 Centavos”“Revolta do Vinagre”“Revolta do Passe Livre”, dentre outras denominações. Não importa a rotulação que os livros de história darão aos acontecimentos ocorridos em várias partes do Brasil a partir de junho de 2013 e que mudou o nosso país, explicando muito do que ocorre hoje no Brasil. Tendo como pretexto o aumento das tarifas dos transportes coletivos, milhares de pessoas foram às ruas, em um movimento que não possuía pautas específicas. Em um movimento que não possuía referências de lideranças para interlocução com os diversos níveis de governo (liderança era Vladimir Palmeira que, em 1968, no em plena ditadura militar, com todas as porradas, sem internet, sem redes sociais e sem telefone celular, colocou 100 mil nas ruas).  Em um movimento que levou para as ruas desde anarquistas “black blocs” a neonazistas que saudavam o “Führer”. Afinal, o que foi aquilo? Até hoje, não sabemos. Mas sabemos que muita naftalina da extrema-direita saiu dos guarda-roupas.

Abril de 2016. Milhares de pessoas vão às ruas. A pauta, bem clara:  fim da corrupção e tirada da Presidente Dilma do poder. As lideranças, bem identificadas: Vem Prá Rua, MBL, FIESP, com uma pauta bem específica. Dos saudosistas “intervencionistas” que pregam o retorno da ditadura até a direita mais liberal, todos os grupos conservadores e elitistas lá estavam. A esquerda não teve vez, ao contrário de 2013, em que a esquerda supostamente seria a locomotiva, mas que não atentou que haviam vagões da direita e extrema-direita. Com o apoio da mídia, então, a investida foi cirúrgica. E deu no que todos sabem. Deu para perceber a diferença?

É evidente que os patos amarelos não foram às ruas contra a corrupção. Para eles, corrupção do PT, do Lula e da Dilma não pode. Corrupção do Temer, do Geddel, do Moreira Franco, do Aécio, da irmã do Aécio, do primo do Aécio, do PMDB, do PSDB pode. Do mesmo modo que perguntamos pelos patos amarelos, também perguntamos pela “turma dos 20 centavos”. Cadê vocês? Parece que a letargia é geral e, com isso, o projeto golpista vai se sedimentando cada vez mais. Já não há mais o que agredir em termos de direitos, de respeito ao cidadão, à ciência e tecnologia,  ao meio ambiente, às riquezas e soberania nacionais. O governo golpista Temer/PMDB/PSDB acabou com o Estado Brasileiro.

Por um lado, parece que os patos amarelos estão contemplados. Vão perder direitos trabalhistas, vão trabalhar até morrerem e verão os gastos com saúde e educação ficarem congelados por 20 anos. E ainda vão pagar os bilhões gastos para a compra da permanência do Temer, selada ontem em mais uma vergonhosa e escandalosa votação da Câmara dos Deputados. Mas, pelo menos, respiram tranquilos porque a filha da empregada não ameaçará se formar em médica e o aeroporto não se transformará mais em rodoviária. Esses eu até entendo.

O que eu não entendo é a letargia da galera dos 20 centavos. Um dos motes do “movimento” era a máxima de que “não é apenas pelos 20 centavos”. Será? Depois da redução do preço das passagens de ônibus no Rio de Janeiro de 3,80 para 3,60 eu tenho lá as minhas dúvidas…

 

VERDADES DE MARCINHO

marcinho vpNo último sábado, dia 21 de outubro, foi lançado na quadra da Mangueira o livro autobiográfico de Márcio Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, preso há 21 anos, sendo 10 deles em regime disciplinar diferenciado (RDD), que está sendo cumprido em Mossoró, Rio Grande do Norte. Prefaciado pelo Juiz de Direito Luís Carlos Valois, a obra tem co-autoria do jornalista Renato Homem. O título do livro – “Marcinho – Verdades e Posições – O direito penal do inimigo”é bem sugestivo e, em vários aspectos, representa um contraponto às políticas oficiais de segurança. É interessante ouvir de  alguém encarcerado há 21 anos afirmações que, em alguns casos, corroboram teses bem antigas. E são corroborações interessantíssimas. Estou na metade da leitura do livro e já observei que as “verdades e posições” de Marcinho VP são, em muitos casos, sinais de alerta. Entendo que o livro deva ser lido pelas autoridades. Acredito que várias delas estejam lendo.

Um ponto abordado no livro diz respeito à origem do Comando Vermelho, a organização criminosa mais antiga do Rio de Janeiro, e gênese para as demais. Há uma tese, defendida há tempos por especialistas de várias áreas, que afirma que o surgimento de facções criminosas organizadas foi decorrência de um gravíssimo equívoco dos governos militares de misturar presos políticos com presos comuns. Já ouvi essa tese (e concordo com ela) de vários especialistas. Mas nunca tinha visto esta explicação para a origem de organizações criminosas vinda de um preso. Até porque eles nunca possuem voz, principalmente em um presídio de segurança máxima, que equivale a um banimento. E, no livro, Marcinho VP dá exatamente essa explicação.

Tudo começou em fins dos anos 1970, no Presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande. Em plena ditadura militar, opositores do regime como artistas, escritores, jornalistas, intelectuais em geral, cujos atos eram tipificados como “crimes políticos” foram levados para o isolamento na Ilha Grande. A convivência de ativistas políticos com presos comuns levou a uma união, onde o espírito coletivo de todos os presos se sobrepunha a eventuais diferenças individuais. Na situação em que se encontravam, a prioridade do coletivo sobre o individual poderia até ser uma questão de sobrevivência. Essa união foi resultado dos ensinamentos dos presos políticos. Criou-se, então, a “Falange Vermelha”, que mais tarde seria rebatizada como “Comando Vermelho”. O objetivo original da organização não era praticar crimes e sim arrecadar recursos para pagar advogados e lutar pela melhoria de condições dos presos. Assim, os “subversivos”, como eram rotulados os presos políticos durante a ditadura, exerceram uma influência natural sobre esse “coletivo” que era priorizado. “Paz, Justiça e Liberdade”  foi o lema inicial da organização.

Há um capítulo imperdível sobre outro presidiário, Sérgio Cabral Filho, a quem Marcinho VP chama de “o maior Judas que já conheceu”.

Recomendo a leitura do livro de Marcinho VP em co-autoria com Renato Homem. Sem preconceitos. O próprio juiz de direito que prefacia a obra, Luís Carlos Valois, atesta a importância da mesma. Há quem diga que não leria livros escritos por presidiários. Mas esses também dizem verdades. Estou até hoje aguardando o tão prometido livro do presidiário Eduardo Cunha. Mas esse não irão deixar publicar. Deve fazer parte do “acordão”.

A BANDOLEIRA NA ILHA DA UTOPIA

utopiajóiasAdriana Ancelmo, a “bandoleira do Leblon”, vai fazer as provas do ENEM em novembro. Ela quer voltar para a faculdade. Pretende estudar Letras e Ciências Sociais, segundo informações divulgadas ontem no site da CBN. Aliás, ontem foi dia de depoimento dela e do seu par criminoso Sérgio Cabral em um dos processos a que o casal de bandidos responde por compra de jóias com o dinheiro da corrupção. Enquanto seu par perfeito afrontou o juiz Marcelo Bretas, falando até da vida pessoal do juiz, o que irritou o magistrado, a bandoleira do Leblon ficou calada. Claro que o silêncio da bandida sugere comprometimento. Ou então, ela estaria absorvida pela leitura. Na audiência de ontem, Adriana fez questão de chegar portando o livro do moçambicano Mia Couto “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”. Leituras como essas devem ser boas, pois já preparam a bandoleira para suas futuras atividades. Ela está com seu registro de advogada prestes a ser cassado pela OAB e já quer pensar sobre o que fará depois que sair da “prisão” em seu apartamento no Leblon. Por isso quer estudar Letras e Ciências Sociais. O juiz autorizou a bandida a fazer as provas do ENEM, em novembro. Ela fará provas junto com outras pessoas presas, aqueles presos comuns, que fazem cocô no “boi” do presídio em Bangu,  e não em um banheiro luxuoso de um apartamento na Zona Sul. “Isonomia de condições”. Até para fazer cocô as condições são desiguais. Por essa e por outras que essa tal de meritocracia nunca me convenceu.

Mas a leitura da “presidiária domiciliar” Adriana Ancelmo é bem sugestiva. A obra do escritor moçambicano Mia Couto nos fala de uma misteriosa ilha onde se registram acontecimentos fantásticos. No entanto, creio que faria bem à “presidiária domiciliar”  uma outra leitura, principalmente porque ela quer estudar Letras e Ciências Sociais: “A Utopia”, de Thomas Morus. Morus foi um humanista do Renascimento decapitado a mando do Rei Henrique VIII por manter-se fiel ao catolicismo. Foi canonizado pela Igreja Católica. Em sua “Utopia”, Morus nos fala também de uma ilha, chamada Utopia, um país imaginário, onde existiria um regime social perfeito. Já que a “presidiária domiciliar” quer estudar Letras e Ciências Sociais, esse clássico da literatura renascentista tem tudo a ver com a nova profissão que pretende seguir. Principalmente porque há uma passagem na “Utopia” que a dona Adriana Ancelmo deveria certamente se inspirar nela. Até porque ela sempre se disse inocente. E  talvez seja muito útil em seus próximos depoimentos. E que passagem é essa?

Na Ilha da Utopia, o ouro não tinha nenhum valor. Sua única serventia era para fazer brinquedos para as crianças. Certa vez, a Utopia recebeu a visita de embaixadores de um outro país. Os visitantes, para exibirem riqueza, opulência e poder, visando impressionar os anfitriões, estavam todos cobertos de ouro: roupas, cordões, pulseiras e diversos adornos de ouro. Crentes que estavam “abafando”. Mal sabiam eles que na Utopia o ouro não valia nada e só servia para fazer brinquedos de crianças. Uma criança, ao ver aqueles visitantes cheios de ouro, falou para sua amiga:

“Olha aqueles grandalhões. Ainda brincam com os nossos brinquedos!”

Sugiro para a “bandoleira do Leblon”  que na próxima audiência não fique calada. Já que ela diz ser inocente em relação aos milhões em jóias que ostentou, bastará dizer para o juiz:

“Excelência, eu sou inocente! Eu sou apenas uma criança na Ilha da Utopia!”

 

A CORRUPÇÃO TAMBÉM VESTE FARDA

corrupção forças armadasA corrupção não tem matiz ideológico. Não tem partido político. Pode vestir paletó e gravata. E também pode vestir farda, seja ela verde, branca ou azul. Para os saudosistas emburrecidos que vêem na intervenção militar (eufemismo para golpe) uma solução para o problema da corrupção no Brasil e para aquela garotada que nasceu principalmente na década de 1980 e não sabe o que foi a ditadura, é bom lembrar que durante o regime militar tivemos, sim, vários casos de corrupção. Ocorre que, em uma ditadura, os poderes e os órgãos responsáveis pela apuração de corrupção e de outros crimes, não são independentes. Poder Judiciário, Polícia Federal, Ministério Público e Procuradoria da República necessitam de independência para poderem exercer suas funções dentro de um Estado Democrático de Direito. Só que, por muito tempo, esses órgãos não tinham autonomia e diversos escândalos foram abafados, mesmo depois da ditadura militar.

Durante os governos militares, tivemos sim corrupção. Casos famosos de escândalos como o Coroa-Brastel, o caso do contrabando de pedras preciosas pelo Ministro da Justiça e outros tantos que tempos depois vieram a público. Recentemente, o almirante Othon Silva, ex-presidente da Eletronuclear,  foi condenado na Lava-Jato a penas que totalizam mais de 40 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Hoje chegou até nós, através do site Brasil 247, informações de que o Ministério Público Militar, em 60 denúncias, aponta desvio de 191 milhões nas Forças Armadas, incluindo fraudes em licitações, corrupção, estelionato, dentre outros. Até então, não tínhamos acesso a levantamentos dessa natureza no Ministério Público Militar. As denúncias atingem o alto oficialato das Forças Armadas. Os dados divulgados mostram que, de 2010 até hoje, mais de 100 militares já foram condenados por crimes de corrupção.

Nossa democracia anda cambaleante. Recentemente denúncias gravíssimas (algumas evidentes) contra o presidente golpista em exercício foram engavetadas pela Câmara dos Deputados e já sabemos que a segunda denúncia também será engavetada por deputados comprados. Apesar da podridão predominante de nossa classe política, da visível partidarização de alguns setores do Judiciário e de uma membrana cancerosa chamada foro privilegiado, não podemos nos esquecer de que foi só na democracia que vimos ex-Ministros presos; só na democracia vimos grandes empresários presos; só na democracia vimos ex-senadores e ex-deputados presos; e só na democracia vimos um almirante condenado a mais de 40 anos de prisão. Por isso, mesmo com vários defeitos, ela ainda vale muito.

 

 

CRISE DAS ESQUERDAS? EU RASGO “O GLOBO”!

pedro paulo rasga o globoHoje eu quero rasgar o jornal da família Marinho. O Globo é um jornal que tem por hábito fomentar golpes, mudar resultados eleitorais, criar cenários fakes para atacar as esquerdas e defender a direita reacionária. Em sua edição de hoje, 22 de outubro, o jornal dos Marinhos traz uma matéria de duas páginas com o seguinte título:

“Em meio à crise das esquerdas, cartilha liberal vai para as urnas”

Ou seja, para O Globo as esquerdas no Brasil estão em crise, o que estaria propiciando um avanço dos partidos de direita liberal para as eleições de 2018. É inegável que existe um avanço da direita, e da direita ultra-fascista. Mas daí a falar em “crise das esquerdas”, é querer mudar totalmente o cenário político-partidário que podemos vislumbrar para as próximas eleições.

A matéria diz respeito a partidos liberais de direita que estão mudando de nomes para a disputa do pleito de 2018. Entre eles, estão o Partido Novo, do banqueiro João Amoedo e o “Livres”, nova denominação que deverá ser dada ao atual PSL. Em resumo, a matéria fala que esses partidos de cartilha liberal têm tudo para ganhar espaço com aquilo que O Globo chama de “crise das esquerdas”.

Tem havido uma avalanche de mudanças de nomes de partidos. Novo, Livres, Podemos, Patriotas, dentre outros, são nomes que certamente estarão na disputa eleitoral de 2018. Nomes vagos, que geralmente possuem um significado mais motivacional do que político. Todos de direita. Por que só os partidos de direita querem mudar os seus nomes? Ninguém escuta falar, por exemplo, que o PSOL, PCdoB, PCB, PSTU, PT, PCO, dentre outros de esquerda, queiram mudar de nome. Apesar dos desgastes e das porradas que levam, principalmente de mídias como as Organizações Globo, os partidos de esquerda estão aí, mostrando suas caras, e não se escondendo em nomes vagos ou motivacionais. De que lado estaria a crise, prezados Marinhos?

Então, vamos à “crise das esquerdas”: Lula, com todas as porradas que leva, com toda a facciosidade do juiz ídolo dos coxinhas, com todo linchamento midiático, não sai da liderança, em todos os cenários, na disputa para a Presidência da República. Onde está a “crise das esquerdas”?

Dilma, a presidente deposta pelo golpe de 2016, lidera a pesquisa para o Senado em Minas Gerais, terra de Aécio, candidato das Organizações Globo em 2014. Aliás, parece que Aécio terá que se contentar em disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, vendo Dilma eleger-se senadora em seu estado. Onde está a “crise das esquerdas”?

PSOL, nas eleições municipais do ano passado, no Rio de Janeiro, sem tempo de TV, sem recursos e levando todas as porradas possíveis, chegou ao segundo turno da eleição para Prefeito e conseguiu fazer a segunda maior bancada na Câmara Municipal. Chico Alencar, atual deputado federal do partido, será lançado senador no ano que vem, dado o crescimento do partido no Rio de Janeiro. Onde está a “crise das esquerdas”?

O governo criminoso de Temer/PMDB/PSDB, dada a margem de erro, está próximo de uma popularidade zero. Ele tem o apoio de todos os partidos de direita. Onde está a “crise das esquerdas”?

Fiquemos alertas. Antes mesmo das eleições, o jornal da família Marinho já cria pseudos-cenários. 2018 vem aí. Será que estaria sendo armada uma nova Proconsult faltando um ano para as eleições? Eles estão em crise…