VERDADES DE MARCINHO

marcinho vpNo último sábado, dia 21 de outubro, foi lançado na quadra da Mangueira o livro autobiográfico de Márcio Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, preso há 21 anos, sendo 10 deles em regime disciplinar diferenciado (RDD), que está sendo cumprido em Mossoró, Rio Grande do Norte. Prefaciado pelo Juiz de Direito Luís Carlos Valois, a obra tem co-autoria do jornalista Renato Homem. O título do livro – “Marcinho – Verdades e Posições – O direito penal do inimigo”é bem sugestivo e, em vários aspectos, representa um contraponto às políticas oficiais de segurança. É interessante ouvir de  alguém encarcerado há 21 anos afirmações que, em alguns casos, corroboram teses bem antigas. E são corroborações interessantíssimas. Estou na metade da leitura do livro e já observei que as “verdades e posições” de Marcinho VP são, em muitos casos, sinais de alerta. Entendo que o livro deva ser lido pelas autoridades. Acredito que várias delas estejam lendo.

Um ponto abordado no livro diz respeito à origem do Comando Vermelho, a organização criminosa mais antiga do Rio de Janeiro, e gênese para as demais. Há uma tese, defendida há tempos por especialistas de várias áreas, que afirma que o surgimento de facções criminosas organizadas foi decorrência de um gravíssimo equívoco dos governos militares de misturar presos políticos com presos comuns. Já ouvi essa tese (e concordo com ela) de vários especialistas. Mas nunca tinha visto esta explicação para a origem de organizações criminosas vinda de um preso. Até porque eles nunca possuem voz, principalmente em um presídio de segurança máxima, que equivale a um banimento. E, no livro, Marcinho VP dá exatamente essa explicação.

Tudo começou em fins dos anos 1970, no Presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande. Em plena ditadura militar, opositores do regime como artistas, escritores, jornalistas, intelectuais em geral, cujos atos eram tipificados como “crimes políticos” foram levados para o isolamento na Ilha Grande. A convivência de ativistas políticos com presos comuns levou a uma união, onde o espírito coletivo de todos os presos se sobrepunha a eventuais diferenças individuais. Na situação em que se encontravam, a prioridade do coletivo sobre o individual poderia até ser uma questão de sobrevivência. Essa união foi resultado dos ensinamentos dos presos políticos. Criou-se, então, a “Falange Vermelha”, que mais tarde seria rebatizada como “Comando Vermelho”. O objetivo original da organização não era praticar crimes e sim arrecadar recursos para pagar advogados e lutar pela melhoria de condições dos presos. Assim, os “subversivos”, como eram rotulados os presos políticos durante a ditadura, exerceram uma influência natural sobre esse “coletivo” que era priorizado. “Paz, Justiça e Liberdade”  foi o lema inicial da organização.

Há um capítulo imperdível sobre outro presidiário, Sérgio Cabral Filho, a quem Marcinho VP chama de “o maior Judas que já conheceu”.

Recomendo a leitura do livro de Marcinho VP em co-autoria com Renato Homem. Sem preconceitos. O próprio juiz de direito que prefacia a obra, Luís Carlos Valois, atesta a importância da mesma. Há quem diga que não leria livros escritos por presidiários. Mas esses também dizem verdades. Estou até hoje aguardando o tão prometido livro do presidiário Eduardo Cunha. Mas esse não irão deixar publicar. Deve fazer parte do “acordão”.

A BANDOLEIRA NA ILHA DA UTOPIA

utopiajóiasAdriana Ancelmo, a “bandoleira do Leblon”, vai fazer as provas do ENEM em novembro. Ela quer voltar para a faculdade. Pretende estudar Letras e Ciências Sociais, segundo informações divulgadas ontem no site da CBN. Aliás, ontem foi dia de depoimento dela e do seu par criminoso Sérgio Cabral em um dos processos a que o casal de bandidos responde por compra de jóias com o dinheiro da corrupção. Enquanto seu par perfeito afrontou o juiz Marcelo Bretas, falando até da vida pessoal do juiz, o que irritou o magistrado, a bandoleira do Leblon ficou calada. Claro que o silêncio da bandida sugere comprometimento. Ou então, ela estaria absorvida pela leitura. Na audiência de ontem, Adriana fez questão de chegar portando o livro do moçambicano Mia Couto “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”. Leituras como essas devem ser boas, pois já preparam a bandoleira para suas futuras atividades. Ela está com seu registro de advogada prestes a ser cassado pela OAB e já quer pensar sobre o que fará depois que sair da “prisão” em seu apartamento no Leblon. Por isso quer estudar Letras e Ciências Sociais. O juiz autorizou a bandida a fazer as provas do ENEM, em novembro. Ela fará provas junto com outras pessoas presas, aqueles presos comuns, que fazem cocô no “boi” do presídio em Bangu,  e não em um banheiro luxuoso de um apartamento na Zona Sul. “Isonomia de condições”. Até para fazer cocô as condições são desiguais. Por essa e por outras que essa tal de meritocracia nunca me convenceu.

Mas a leitura da “presidiária domiciliar” Adriana Ancelmo é bem sugestiva. A obra do escritor moçambicano Mia Couto nos fala de uma misteriosa ilha onde se registram acontecimentos fantásticos. No entanto, creio que faria bem à “presidiária domiciliar”  uma outra leitura, principalmente porque ela quer estudar Letras e Ciências Sociais: “A Utopia”, de Thomas Morus. Morus foi um humanista do Renascimento decapitado a mando do Rei Henrique VIII por manter-se fiel ao catolicismo. Foi canonizado pela Igreja Católica. Em sua “Utopia”, Morus nos fala também de uma ilha, chamada Utopia, um país imaginário, onde existiria um regime social perfeito. Já que a “presidiária domiciliar” quer estudar Letras e Ciências Sociais, esse clássico da literatura renascentista tem tudo a ver com a nova profissão que pretende seguir. Principalmente porque há uma passagem na “Utopia” que a dona Adriana Ancelmo deveria certamente se inspirar nela. Até porque ela sempre se disse inocente. E  talvez seja muito útil em seus próximos depoimentos. E que passagem é essa?

Na Ilha da Utopia, o ouro não tinha nenhum valor. Sua única serventia era para fazer brinquedos para as crianças. Certa vez, a Utopia recebeu a visita de embaixadores de um outro país. Os visitantes, para exibirem riqueza, opulência e poder, visando impressionar os anfitriões, estavam todos cobertos de ouro: roupas, cordões, pulseiras e diversos adornos de ouro. Crentes que estavam “abafando”. Mal sabiam eles que na Utopia o ouro não valia nada e só servia para fazer brinquedos de crianças. Uma criança, ao ver aqueles visitantes cheios de ouro, falou para sua amiga:

“Olha aqueles grandalhões. Ainda brincam com os nossos brinquedos!”

Sugiro para a “bandoleira do Leblon”  que na próxima audiência não fique calada. Já que ela diz ser inocente em relação aos milhões em jóias que ostentou, bastará dizer para o juiz:

“Excelência, eu sou inocente! Eu sou apenas uma criança na Ilha da Utopia!”

 

A CORRUPÇÃO TAMBÉM VESTE FARDA

corrupção forças armadasA corrupção não tem matiz ideológico. Não tem partido político. Pode vestir paletó e gravata. E também pode vestir farda, seja ela verde, branca ou azul. Para os saudosistas emburrecidos que vêem na intervenção militar (eufemismo para golpe) uma solução para o problema da corrupção no Brasil e para aquela garotada que nasceu principalmente na década de 1980 e não sabe o que foi a ditadura, é bom lembrar que durante o regime militar tivemos, sim, vários casos de corrupção. Ocorre que, em uma ditadura, os poderes e os órgãos responsáveis pela apuração de corrupção e de outros crimes, não são independentes. Poder Judiciário, Polícia Federal, Ministério Público e Procuradoria da República necessitam de independência para poderem exercer suas funções dentro de um Estado Democrático de Direito. Só que, por muito tempo, esses órgãos não tinham autonomia e diversos escândalos foram abafados, mesmo depois da ditadura militar.

Durante os governos militares, tivemos sim corrupção. Casos famosos de escândalos como o Coroa-Brastel, o caso do contrabando de pedras preciosas pelo Ministro da Justiça e outros tantos que tempos depois vieram a público. Recentemente, o almirante Othon Silva, ex-presidente da Eletronuclear,  foi condenado na Lava-Jato a penas que totalizam mais de 40 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Hoje chegou até nós, através do site Brasil 247, informações de que o Ministério Público Militar, em 60 denúncias, aponta desvio de 191 milhões nas Forças Armadas, incluindo fraudes em licitações, corrupção, estelionato, dentre outros. Até então, não tínhamos acesso a levantamentos dessa natureza no Ministério Público Militar. As denúncias atingem o alto oficialato das Forças Armadas. Os dados divulgados mostram que, de 2010 até hoje, mais de 100 militares já foram condenados por crimes de corrupção.

Nossa democracia anda cambaleante. Recentemente denúncias gravíssimas (algumas evidentes) contra o presidente golpista em exercício foram engavetadas pela Câmara dos Deputados e já sabemos que a segunda denúncia também será engavetada por deputados comprados. Apesar da podridão predominante de nossa classe política, da visível partidarização de alguns setores do Judiciário e de uma membrana cancerosa chamada foro privilegiado, não podemos nos esquecer de que foi só na democracia que vimos ex-Ministros presos; só na democracia vimos grandes empresários presos; só na democracia vimos ex-senadores e ex-deputados presos; e só na democracia vimos um almirante condenado a mais de 40 anos de prisão. Por isso, mesmo com vários defeitos, ela ainda vale muito.

 

 

CRISE DAS ESQUERDAS? EU RASGO “O GLOBO”!

pedro paulo rasga o globoHoje eu quero rasgar o jornal da família Marinho. O Globo é um jornal que tem por hábito fomentar golpes, mudar resultados eleitorais, criar cenários fakes para atacar as esquerdas e defender a direita reacionária. Em sua edição de hoje, 22 de outubro, o jornal dos Marinhos traz uma matéria de duas páginas com o seguinte título:

“Em meio à crise das esquerdas, cartilha liberal vai para as urnas”

Ou seja, para O Globo as esquerdas no Brasil estão em crise, o que estaria propiciando um avanço dos partidos de direita liberal para as eleições de 2018. É inegável que existe um avanço da direita, e da direita ultra-fascista. Mas daí a falar em “crise das esquerdas”, é querer mudar totalmente o cenário político-partidário que podemos vislumbrar para as próximas eleições.

A matéria diz respeito a partidos liberais de direita que estão mudando de nomes para a disputa do pleito de 2018. Entre eles, estão o Partido Novo, do banqueiro João Amoedo e o “Livres”, nova denominação que deverá ser dada ao atual PSL. Em resumo, a matéria fala que esses partidos de cartilha liberal têm tudo para ganhar espaço com aquilo que O Globo chama de “crise das esquerdas”.

Tem havido uma avalanche de mudanças de nomes de partidos. Novo, Livres, Podemos, Patriotas, dentre outros, são nomes que certamente estarão na disputa eleitoral de 2018. Nomes vagos, que geralmente possuem um significado mais motivacional do que político. Todos de direita. Por que só os partidos de direita querem mudar os seus nomes? Ninguém escuta falar, por exemplo, que o PSOL, PCdoB, PCB, PSTU, PT, PCO, dentre outros de esquerda, queiram mudar de nome. Apesar dos desgastes e das porradas que levam, principalmente de mídias como as Organizações Globo, os partidos de esquerda estão aí, mostrando suas caras, e não se escondendo em nomes vagos ou motivacionais. De que lado estaria a crise, prezados Marinhos?

Então, vamos à “crise das esquerdas”: Lula, com todas as porradas que leva, com toda a facciosidade do juiz ídolo dos coxinhas, com todo linchamento midiático, não sai da liderança, em todos os cenários, na disputa para a Presidência da República. Onde está a “crise das esquerdas”?

Dilma, a presidente deposta pelo golpe de 2016, lidera a pesquisa para o Senado em Minas Gerais, terra de Aécio, candidato das Organizações Globo em 2014. Aliás, parece que Aécio terá que se contentar em disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, vendo Dilma eleger-se senadora em seu estado. Onde está a “crise das esquerdas”?

PSOL, nas eleições municipais do ano passado, no Rio de Janeiro, sem tempo de TV, sem recursos e levando todas as porradas possíveis, chegou ao segundo turno da eleição para Prefeito e conseguiu fazer a segunda maior bancada na Câmara Municipal. Chico Alencar, atual deputado federal do partido, será lançado senador no ano que vem, dado o crescimento do partido no Rio de Janeiro. Onde está a “crise das esquerdas”?

O governo criminoso de Temer/PMDB/PSDB, dada a margem de erro, está próximo de uma popularidade zero. Ele tem o apoio de todos os partidos de direita. Onde está a “crise das esquerdas”?

Fiquemos alertas. Antes mesmo das eleições, o jornal da família Marinho já cria pseudos-cenários. 2018 vem aí. Será que estaria sendo armada uma nova Proconsult faltando um ano para as eleições? Eles estão em crise…

 

 

CULTURA, DÓRIA E A FARINATA DA ELITE

latino festa no apêregina duarteDia 31 de outubro vai “bombar”. Vai ser “festa no apê”. Vai ter jantar para o Prefeito Engomadinho do Tietê, João Dória. A “classe artística”  e  de gente ligada à cultura se encontrará na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim Botânico,  para a patuscada da elite, com direito a muita farinata de salmão e ova de esturjão. A homenagem dos artistas ao prefeito Engomadinho do Tietê contará com presenças ilustres, a começar pelo anfitrião. Paulo Marinho, empresário do agro-negócio, é filiado ao PR (Partido da República). Ele já foi preso algumas vezes, sendo uma delas por não pagar pensão alimentícia. Ele é um grande defensor das crianças, junto com o prefeito homenageado e com o MBL. Será que a exploração do trabalho infantil e a nova lei do Temer que praticamente descriminaliza a escravidão (vitória dos ruralistas!)  vão estar na pauta?

Mas teremos outras presenças ilustres. E, claro,  quem não poderia faltar é o tucano e aecista Luciano Huck, “o candidato a não sei o quê, sabe-se lá por qual partido”, e que, apesar de tucano, se diz representar o “novo” na política. Recentemente, em uma palestra em São Paulo,  o narigudo global expressou inequivocamente seu desejo de se lançar candidato (só não sabe ainda a quê).

Mas as mulheres não poderiam faltar e quem já confirmou presença na pajelança ao “homem da farinha” (sem trocadilhos), é a “Senhora do Medo”, a ex-namoradinha do Brasil Regina Duarte, igualmente tucana e apoiadora de Aécio.  Será que ela não está com medo? Antônio Fagundes, outro apoiador de Aécio, também estará presente, assim como Tony Ramos, ex-garoto-propaganda da Friboi de Joesley Batista (e não do filho do Lula).

Causou surpresa a não confirmação da presença, até o momento, do grande filósofo, educador e crítico de arte Alexandre Frota. A “juventude neo-lacerdista”,  representada por Kim Kataguiri e Fernando Holiday, igualmente críticos de arte, também ainda não confirmou presença. Mas com certeza esses grandes expoentes da cultura e da arte brasileiras não ficarão em falta com o Prefeito do Tietê que eles tanto apoiam.

Levando-se em conta as pretensões políticas do Prefeitinho do Tietê, que embora seja candidatíssimo a Presidente sempre afirmou não ser político, dá para imaginar que a patuscada será um ato de  costura e apoio político.  Provavelmente Dória sairá do ninho tucano. O partido anda desgastado por causa do Aécio e do apoio ao governo criminoso de Temer. O narigudo também é candidato, mas ainda não tem partido. E o empresário que é figurão do PR fará as honras da casa.

“Jantar do Dória” entrará para a história do Brasil e do Rio de Janeiro. Ali ele poderá se lançar candidato a Presidente da República diante da “classe artística”, e o “representante dos artistas”, Luciano Huck, ser lançado ao governo do falido e carcomido Estado do Rio de Janeiro. Novos tempos virão. E já começo mesmo a acreditar no Dória, quando ele disse não ser político. Na verdade ele é um ET.  Sinal disso é que, ultimamente, ele deu provas inequívocas de que adora comida de astronauta.

 

100 ANOS DE REVOLUÇÃO RUSSA

Vladimir Ilyich Lenintomada de berlimEstamos celebrando o centenário da Revolução Russa. Em 1917, os  bolcheviques tomavam o poder na Rússia, acabando com 300 anos de dinastia dos Romanov,  e implantando o primeiro regime socialista da história da humanidade. Estamos falando de celebração, e não necessariamente de comemoração, antes que alguém venha aqui dizer que “tem que enfiar porrada nos comunistas”,  como já disseram. Isso porque a Revolução Russa não se trata de um patrimônio ideológico e sim de um patrimônio histórico, pela sua importância, influências e transformações que ela trouxe para o mundo. Do mesmo modo que a Revolução Francesa, uma revolução liberal-burguesa, também é um patrimônio histórico, pelas influências e transformações que trouxe,  principalmente para o mundo ocidental.

Vários seminários estão sendo realizados no Brasil para celebrar a data. A revolução, que varreu a última monarquia absolutista da Europa, foi responsável por inegáveis avanços na antiga União Soviética, tirando o país do atraso econômico e inserindo-o no rol das grandes potências mundiais. Os descaminhos do socialismo real, igualmente inegáveis, não anulam a sua importância e mostram simplesmente as contradições de qualquer regime sócio-econômico. Assim como o capitalismo viveu uma grande crise em 1929 e vive hoje em vários lugares do mundo, o socialismo também conheceu períodos de crise, especialmente em fins dos anos 1980. Nunca podemos esquecer que as bandeiras revolucionárias de 1917, de combate às desigualdades e da construção de uma sociedade igualitária,  ainda estão em processo.

O país construído pela revolução socialista foi fundamental na derrocada do nazismo. Numa época de tantas sandices propositadamente veiculadas, onde já se chegou a dizer que “o nazismo é de esquerda”, nunca é demais lembrar que foi o Exército Vermelho que entrou em Berlim, em 1945, e derrotou Hitler, fincando a bandeira soviética nas ruínas do QG do líder nazista.

Endemoniar a Revolução Russa e sua importância histórica, inclusive contemporânea, não é apenas uma atitude reacionária de hostilidade ao socialismo. É total falta de visão histórica; é incapacidade de aferir os significados reais de influência de um movimento nos diversos níveis de realidade. E ninguém precisa ser marxista, comunista ou socialista para reconhecer a importância da revolução socialista soviética de 1917. Basta dizer que a revolução foi responsável por um mundo dividido por mais de 40 anos, durante a chamada Guerra Fria.

O Brasil de 1917 não sofreu imediatamente as influências da Revolução Russa. Naquele ano, coincidentemente, estourou em nosso país a primeira greve geral da história. Mas a culpa” não foi dos comunistas. Quem liderava os trabalhadores do Brasil à época eram os anarquistas. O Partido Comunista do Brasil (PCB) só seria fundado em 1922.

Hoje presenciamos um avanço da extrema-direita no mundo de um modo geral: Estados Unidos, Alemanha, Áustria e também o Brasil dão mostras claras do avanço do extremismo direitista. Talvez tenhamos que decantar os valores da Revolução de 1917 para enfrentar esse crescimento sombrio. Sem necessariamente precisar pegar em armas ou criar um Estado Comunista. Mas para construirmos uma sociedade mais justa, libertária, inclusiva e verdadeiramente democrática. Há quem não concorde, mas nos tempos atuais isso já seria uma grande revolução no Brasil. E que em 2117 estaria, igualmente, sendo celebrada.

 

LIGAÇÕES PERIGOSAS

ligações perigosasPensem em um senador tucano que está sendo investigado pelo STF. Agora pensem em um ministro do STF, igualmente tucano, e que é relator de quatro inquéritos contra o senador tucano do qual ele é amigo. Acertou quem pensou em Aécio Neves e Gilmar Mendes. Pois bem: a Polícia Federal provou que os dois se falaram muito entre março e maio deste ano. As conversas, secretas.  Foram, ao todo, 46 ligações entre o senador investigado e o juiz que fará o relatório sobre suas acusações, ou seja, irá julgá-lo. Infelizmente, o teor dos diálogos entre os grandes amigos tucanos não está disponível, porque as ligações foram feitas pelo WhatsApp, o que torna seus conteúdos indisponíveis. Perigo. Ligações perigosas.

Mas não é preciso ser vidente para sabermos sobre o que eles falaram. Claro que, como não há acesso ao conteúdo das conversas, eles podem dizer até que estavam falando sobre o último capítulo da novela, que vai ao ar hoje. Aécio diz ter “relações formais” com o juiz responsável pelo relatório sobre os crimes dos quais é acusado. Já o juiz tucano diz que o assunto das conversas foi a reforma política e que ele trata desse assunto com presidentes de outros partidos. Faz sentido. É um ótimo álibi. Até porque Gilmar Mendes também é Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O que não faz sentido e é inaceitável é o número de ligações. Foram 46 em dois meses. Será que os presidentes de outros partidos mereceram a mesma atenção do presidente do TSE? E o que também não dá para engolir é o porquê de os diálogos não serem públicos. Até porque a reforma política é de interesse público. E, já que os diálogos  foram privados, por que falar pelo WhatsApp, que não permite o acesso ao teor das conversas? Se a versão contada pelos inseparáveis amigos for verdadeira, acho que eles falaram mais sobre reforma política do que qualquer parlamentar do Congresso. Constatou-se que uma das ligações ocorreu no exato dia em que Gilmar Mendes deu uma decisão favorável a Aécio.  Ora, conta outra!

Na verdade, tudo se encaixa. O “Grande Acordo com o Judiciário” ao qual se referiu o senador golpista Romero Jucá, vai tomando cada vez um formato mais cristalino. Os três poderes políticos nunca foram tão harmônicos como têm sido, só que diferentemente daquilo que pregava o pensador iluminista Montesquieu. Infelizmente, um arquivo podre, porém vivo, chamado Eduardo Cunha, não vem sendo explorado. E nem vão deixar que seja.  Ele carrega um “HD externo” que contém grande parte da “caixa preta” do Judiciário. Mas Cunha está na dele. Ele faz parte do acordo. Sua dileta mulher jamais será incomodada pela “justiça”, apesar das provas documentais. O que temos hoje, em termos de poderes políticos no Brasil, é que o Executivo é PMDB/PSDB. O Legislativo é PMDB/PSDB e o Judiciário é, predominantemente, PSDB. A conta está fechada.

Mas a história “Ligações Perigosas” do francês Chordelos de Laclos, que virou minissérie da Globo, envolvia traições. E traições palacianas, em uma época complicada da França. Principalmente na luta pelo poder. Coincidências à vista com o Brasil atual.  Tomara que a vida imite a arte. Não vou nem falar do Sérgio Moro, que é tucano, mas já imaginaram se ficasse provado que um dos juízes que julgará Lula na segunda instância tivesse 46 conversas com ele pelo WhatsApp? Acho que os patos amarelos iriam para as ruas, com a cara de bunda engarrafada, pedir o fim da corrupção e a prisão dos dois.

SENADO, STF E A PROFECIA DO JUCÁ

jucáaécio 171Aécio está livre. Está solto. Está de volta ao Senado. Não pagará pelos seus crimes confessos. Falou-se muito em um suposto “conflito de poderes” entre o Judiciário e o Legislativo por ocasião do caso do “matador de delatores”. Mas na verdade não houve conflito. Houve sim um grande “acordão”  STF-Senado. A previsão de Romero Jucá, um dos comparsas de Temer e Aécio, em sua subterrânea conversa com Sérgio Machado, em maio do ano passado,  já antecipava o que ocorreria na última semana: “Temos que tirar a Dilma, fazer um grande acordo com o STF e estancar a sangria da lava-jato”. Em outra gravação, Aécio pedia 2 milhões a Joesley Batista e dizia que mataria alguém antes que delatasse. Dilma está deposta. Aécio e Jucá exercendo seus mandatos. Tudo conforme o senador golpista do PMDB falou a Sérgio Machado. Agora, com o papelão do (“ex”)-STF e a canalhice dos 44 comparsas que livraram Aécio ontem, o golpe de 2016 fez uma “closura”, envolvendo os três poderes políticos.

Este mesmo Senado que,  há pouco mais de um ano, tungou o mandato de Dilma por “pedaladas fiscais”, absolve Aécio por corrupção e ameaça de morte, dentre outros crimes. Com áudios onde ele confessa os crimes. Com todas as provas. O Supremo Tribunal Federal, que poderia ter sido verdadeiramente supremo e tomado a atitude que a lei mandava e o povo esperava, está apodrecido, juntamente com um Senado carcomido. Ser do PSDB significa ter imunidade. E não é só no âmbito dos três poderes. Cadê toda aquela gente que foi às ruas gritar pelo  fim da corrupção?

Os indignados de ocasião afirmam que o “Fora Temer” fortaleceria Lula. Então, não foi contra a corrupção que aquela turba financiada pela FIESP foi às ruas. Corrupção do PT não pode. Do PMDB e do PSDB pode. Depois da decisão do apodrecido Senado, após a vergonha do apodrecido “Supremo”, não há mais dúvida. Romero Jucá estava certíssimo em sua predição. Depois de ontem, das duas, uma: quem disser que a deposição da Dilma não foi golpe, ou é imbecil ou golpista. Em caso de dúvida, perguntem para o Romero Jucá.

 

 

 

TEMER REVOGA LEI ÁUREA

LA5561-001Mais um motivo de vergonha para o Brasil, em especial para aqueles que respaldaram o golpe que levou Michel Temer ao poder. Foi publicada no Diário oficial da União de ontem, 16 de outubro, a portaria que altera as exigências para que seja tipificado o crime de trabalho escravo.  A nova lei do governo Temer deve estar fazendo a festa da bancada ruralista e, com certeza, é um elemento para cooptá-la e ter os votos dos ruralistas a favor da manutenção de Temer e sua quadrilha no poder.

Pela nova legislação do governo Temer, será muito mais difícil para que uma exploração de trabalho seja considerada “escrava”. Isso porque a portaria publicada ontem exige muitos elementos comprobatórios para que o crime de escravidão seja aceito como tal. Estão sendo exigidos uma série de documentos, além de fotografias do local de exploração, como se fosse fácil para os fiscais fotografarem fazendas que praticam escravidão cheias de capangas armados.

Além disso, outro ponto vergonhoso e favorável aos ruralistas é que a chamada “lista suja”, ou seja, aquela que contém os nomes das propriedades que foram autuadas por escravidão, tenderá a ficar vazia. Isso porque a nova lei do governo Temer estabelece que o nome de uma propriedade só poderá constar  na lista com autorização expressa do Ministro do Trabalho, tirando assim a autonomia dos técnicos e fiscais do Ministério.

A legislação é tão absurda que fere até os princípios da Organização Internacional do Trabalho em relação ao conceito contemporâneo de escravidão. Os critérios da OIT foram desprezados na referida portaria.

Depois da Reforma Trabalhista, agora foi a nova legislação sobre escravidão. Podemos dizer que, na prática, a Lei Áurea foi revogada porque, a partir dessa portaria, praticamente nenhuma empresa será penalizada por exploração de trabalho escravo.

Depois de fazer o Brasil retornar ao Mapa da Fome, impor uma reforma trabalhista que rasgou a CLT,  agora o governo golpista presenteia os ruralistas com o retorno da escravidão ao Brasil.  Que venha um novo 13 de Maio!

AÉCIO AGORA QUER VOTO SECRETO

aécio 171Maio de 2016. Delcídio do Amaral, então senador do PT, tinha o seu mandato cassado. Naquela ocasião, Aécio Neves, vitorioso com o golpe que havia derrubado Dilma no mês anterior, continuava incendiando o país. Na votação do caso de Delcídio do Amaral, Aécio foi um fervoroso defensor do voto aberto pelos senadores, para que a população pudesse ver em quem seus representantes votariam. E, claro, o voto tinha mesmo que ser aberto.

Amanhã o mesmo Senado irá julgar a continuidade ou não do afastamento de Aécio daquela casa legislativa. Tudo culpa do Supremo que, por covardia ou comprometimento, abriu mão de ser “Supremo”. E agora, Aécio e seus cúmplices estão manobrando para que o voto seja secreto. Isso mesmo: ele agora quer o voto secreto, porque sabe que, com o voto aberto e a menos de um ano da eleição, até os seus comparsas não irão colocar seus mandatos em risco para salvar o que restou deste ser abjeto.

Amanhã teremos 80 senadores participando da sessão. Isso porque a lei não permite que o suplente do “matador de delatores” assuma. O “plaboy do Leblon” precisa de 41 sem-vergonhas votando a seu favor. Esperamos que a manobra de Aécio e seus comparsas não obtenha êxito e o voto seja, como manda a lei, aberto.  E que seu afastamento, quiçá, seja definitivo, colocando esse golpista corrupto em seu lugar natural: o esgoto da história!