NITERÓI DIZ “NÃO” ÀS ARMAS

desarmamentoA mensagem vinda de Niterói é clara: a população entende que mais armas não resolverão o problema da violência nas grandes cidades. Foi realizado ontem na cidade o plebiscito no qual a população foi consultada sobre o uso de armas de fogo pela Guarda Municipal. E o resultado é insofismável: 70% dos 18.790 eleitores que compareceram às urnas disseram “não” ao armamento da Guarda Municipal. Foram verificados, é verdade, alguns problemas pontuais em alguns locais de votação, o que ocorre até em votações realizadas pelo TRE. Mas os números não deixam dúvidas em relação ao repúdio da população niteroiense ao aumento de armas nas ruas. Caso o “sim” fosse vitorioso, teríamos mais uma polícia, pois a guarda Municipal transformaria-se em Polícia Comunitária.  Derrota da bancada da bala. Derrota do lobby dos fabricantes de armas.

É interessante observarmos que Niterói é uma das maiores cidades do Estado do Rio de Janeiro, tendo inclusive sido capital até o ano de 1975, quando o governo militar impôs a fusão dos antigos Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. Portanto, Niterói sofre com todos os problemas de uma grande cidade, incluindo aí a violência urbana. São muitos os casos de violência ali registrados. Guerra do tráfico de drogas e homicídios são constantes. Arrastões na região oceânica são comuns. Tomada pela emoção e pelos discursos imediatistas, a população teria todos os motivos para votar “sim”. Mas, fora do “transe emocional à la Rambo”,  quando se discutem as causas, qualquer pessoa percebe que o aumento de armas jamais resolveu o problema da violência em nenhum lugar do Mundo. A Guarda Municipal de Niterói possui um efetivo de 600 agentes, havendo o plano de chegar a 1000 guardas até o ano de 2020. A quem interessa tantas armas circulando em uma grande cidade?

Niterói é um município, estando na base das entidades federativas. Se a União e os Estados, que estão no topo, cumprirem seus papéis constitucionais, os municípios poderão apenas pensar em saúde, educação, lazer, transportes, limpeza e ordem urbanas.  Niterói, inclusive, é um dos municípios com melhor qualidade de vida do país. Mas que possui comunidades e bolsões de pobreza que merecem a atenção das autoridades. Só os 32 bilhões que o golpista Temer gastou de dinheiro público para manter-se no poder, fazendo a alegria de ruralistas e deputados picaretas, poderiam ser investidos no combate à violência nos Estados, não com armas, mas com políticas públicas de segurança com investimentos maciços em inteligência e, principalmente, educação pública de qualidade, único caminho para que os jovens ascendam em dignidade sem caírem na delinquência.

Existem várias definições de “governar”. Em nosso entender, a melhor delas é a que diz que “governar é definir prioridades”. E qualquer política de governo que não priorize a educação, está fadada ao fracasso. Niterói deu o recado. E, gostem ou não do Brizola, suas palavras foram emblemáticas, há mais de trinta anos, quando disse que “se construirmos mais escolas hoje, construiremos menos presídios amanhã.” Infelizmente, no Brasil, os governos fizeram exatamente o contrário. Mais ainda há tempo. Outras gerações aí estão e, do futuro delas, depende não apenas Niterói, mas todo o Brasil.

 

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