MAIS VERDADES DE MARCINHO

marcinho vpTerminei a leitura do livro autobiográfico de Márcio Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, escrito em co-autoria com o jornalista Renato Homem e prefaciado pelo Juiz de Direito Luís Carlos Valois. E, sem dúvida, a parte do livro que mais trará polêmica é a versão que ele diz ser verdadeira em relação ao assassinato do jornalista da TV Globo Tim Lopes, ocorrido em 2002. Em dois capítulos ele conta, primeiro, o que chamou de “farsa montada pela mídia e pela Polícia” e, depois, o que ele chamou de “a verdade”.

Em relação ao que chamou de “farsa”, o livro conta que o jornalista Tim Lopes foi sequestrado e morto na madrugada de 2 de junho de 2002 e que, como não poderia deixar de ser, o crime teve grande destaque na imprensa e fez com que o clamor público e a pressão da mídia levassem o Judiciário ao erro. Ele afirma que tudo não passou de um embuste midiático para que fosse dada uma resposta e uma satisfação à imprensa e à opinião pública. Duas “conclusões” a que as autoridades chegaram são desmentidas no livro: a primeira é a de que o corpo de Tim Lopes foi queimado, o que ele nega, dizendo que teria sido desovado no rio Faria-Timbó; e a segunda, mais impactante, é a de que Elias Pereira da Silva, o “Elias Maluco”, responsabilizado e preso pelo assassinato do jornalista, nem se encontrava no Rio de Janeiro por ocasião do crime.

Já em relação ao que chama de “verdade”, “Marcinho VP” diz que, quando ainda estava preso em Bangu, recebeu, em 2003, a companhia no presídio de uma testemunha que teria lhe relatado todas as verdades sobre o sequestro e assassinato de Tim Lopes. Essa testemunha teria sido presa na Vila Cruzeiro e levada para Bangu. O nome da testemunha que teria estado presa com “Marcinho VP” não é revelado no livro. E ela teria relatado tudo o que sabia sobre o episódio ao jornalista Renato Homem, co-autor do livro, em julho deste ano, quando foi posta em liberdade.

Segundo a testemunha, uma reportagem feita por Tim Lopes e levada ao ar no Jornal Nacional, teria colocado os traficantes em alerta. Tratava-se da matéria feita pelo jornalista intitulada “Feira das Drogas no Alemão”. Os líderes do tráfico à época do assassinato, conhecidos como “Boizinho” e “Buda“,  tinham ordenado que qualquer desconhecido que levantasse a mínima suspeita, teria que ser revistado. E foi o que aconteceu com Tim Lopes. Naquela madrugada fatídica, conta a testemunha, Tim Lopes foi abordado pelo gerente do movimento, conhecido como “André Capeta”. Durante a abordagem, Tim afirmou ser viciado e morador de Olaria e que estava no local para participar do baile na comunidade. Durante a revista, foi encontrada a microcâmera que o jornalista levava consigo. A descoberta do equipamento teria deixado “André Capeta”  furioso, disparando um tiro no joelho de Tim Lopes. Suspeitava-se que o jornalista fosse um “X-9” (informante da Polícia). Ainda ferido, Tim Lopes tentou desfazer a versão de que seria um “X-9”, mas não teve jeito: foi levado para o alto do morro. Tim Lopes teria inventado outra história para tentar livrar-se da situação. Mas, segundo o relato da testemunha, em momento algum ele revelou a sua profissão. Não convencendo os traficantes, o jornalista foi sentenciado à morte, sendo fuzilado por “Boizinho”“Buda” e os demais traficantes. Finalmente, o corpo foi desovado no rio Faria-Timbó. Os traficantes só souberam quem realmente era a pessoa que mataram no dia seguinte, com a ampla divulgação do sumiço do jornalista pela imprensa. E “Elias Maluco” acabaria sendo o “bucha”, ou bode expiatório, tendo sido responsabilizado e preso por um crime que não cometeu. O livro narra ainda mais detalhes sobre o episódio.

Vejam: estamos diante de um relato que desconstrói toda versão oficial e midiática sobre um crime que chocou o país. E este relato é contado por alguém que jamais teria a oportunidade de ser ouvido, em um livro prefaciado por ninguém menos do que um Juiz de Direito. Teria havido um grave erro judiciário no caso do Tim Lopes? Isso, só uma nova investigação poderá responder. Mas essa versão, se comprovada, pode significar, não apenas um erro judiciário. Pode representar mais uma das muitas mentiras contadas pela Besta do Jardim Botânico.

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