LIGAÇÕES PERIGOSAS

ligações perigosasPensem em um senador tucano que está sendo investigado pelo STF. Agora pensem em um ministro do STF, igualmente tucano, e que é relator de quatro inquéritos contra o senador tucano do qual ele é amigo. Acertou quem pensou em Aécio Neves e Gilmar Mendes. Pois bem: a Polícia Federal provou que os dois se falaram muito entre março e maio deste ano. As conversas, secretas.  Foram, ao todo, 46 ligações entre o senador investigado e o juiz que fará o relatório sobre suas acusações, ou seja, irá julgá-lo. Infelizmente, o teor dos diálogos entre os grandes amigos tucanos não está disponível, porque as ligações foram feitas pelo WhatsApp, o que torna seus conteúdos indisponíveis. Perigo. Ligações perigosas.

Mas não é preciso ser vidente para sabermos sobre o que eles falaram. Claro que, como não há acesso ao conteúdo das conversas, eles podem dizer até que estavam falando sobre o último capítulo da novela, que vai ao ar hoje. Aécio diz ter “relações formais” com o juiz responsável pelo relatório sobre os crimes dos quais é acusado. Já o juiz tucano diz que o assunto das conversas foi a reforma política e que ele trata desse assunto com presidentes de outros partidos. Faz sentido. É um ótimo álibi. Até porque Gilmar Mendes também é Presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O que não faz sentido e é inaceitável é o número de ligações. Foram 46 em dois meses. Será que os presidentes de outros partidos mereceram a mesma atenção do presidente do TSE? E o que também não dá para engolir é o porquê de os diálogos não serem públicos. Até porque a reforma política é de interesse público. E, já que os diálogos  foram privados, por que falar pelo WhatsApp, que não permite o acesso ao teor das conversas? Se a versão contada pelos inseparáveis amigos for verdadeira, acho que eles falaram mais sobre reforma política do que qualquer parlamentar do Congresso. Constatou-se que uma das ligações ocorreu no exato dia em que Gilmar Mendes deu uma decisão favorável a Aécio.  Ora, conta outra!

Na verdade, tudo se encaixa. O “Grande Acordo com o Judiciário” ao qual se referiu o senador golpista Romero Jucá, vai tomando cada vez um formato mais cristalino. Os três poderes políticos nunca foram tão harmônicos como têm sido, só que diferentemente daquilo que pregava o pensador iluminista Montesquieu. Infelizmente, um arquivo podre, porém vivo, chamado Eduardo Cunha, não vem sendo explorado. E nem vão deixar que seja.  Ele carrega um “HD externo” que contém grande parte da “caixa preta” do Judiciário. Mas Cunha está na dele. Ele faz parte do acordo. Sua dileta mulher jamais será incomodada pela “justiça”, apesar das provas documentais. O que temos hoje, em termos de poderes políticos no Brasil, é que o Executivo é PMDB/PSDB. O Legislativo é PMDB/PSDB e o Judiciário é, predominantemente, PSDB. A conta está fechada.

Mas a história “Ligações Perigosas” do francês Chordelos de Laclos, que virou minissérie da Globo, envolvia traições. E traições palacianas, em uma época complicada da França. Principalmente na luta pelo poder. Coincidências à vista com o Brasil atual.  Tomara que a vida imite a arte. Não vou nem falar do Sérgio Moro, que é tucano, mas já imaginaram se ficasse provado que um dos juízes que julgará Lula na segunda instância tivesse 46 conversas com ele pelo WhatsApp? Acho que os patos amarelos iriam para as ruas, com a cara de bunda engarrafada, pedir o fim da corrupção e a prisão dos dois.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s