100 ANOS DE REVOLUÇÃO RUSSA

Vladimir Ilyich Lenintomada de berlimEstamos celebrando o centenário da Revolução Russa. Em 1917, os  bolcheviques tomavam o poder na Rússia, acabando com 300 anos de dinastia dos Romanov,  e implantando o primeiro regime socialista da história da humanidade. Estamos falando de celebração, e não necessariamente de comemoração, antes que alguém venha aqui dizer que “tem que enfiar porrada nos comunistas”,  como já disseram. Isso porque a Revolução Russa não se trata de um patrimônio ideológico e sim de um patrimônio histórico, pela sua importância, influências e transformações que ela trouxe para o mundo. Do mesmo modo que a Revolução Francesa, uma revolução liberal-burguesa, também é um patrimônio histórico, pelas influências e transformações que trouxe,  principalmente para o mundo ocidental.

Vários seminários estão sendo realizados no Brasil para celebrar a data. A revolução, que varreu a última monarquia absolutista da Europa, foi responsável por inegáveis avanços na antiga União Soviética, tirando o país do atraso econômico e inserindo-o no rol das grandes potências mundiais. Os descaminhos do socialismo real, igualmente inegáveis, não anulam a sua importância e mostram simplesmente as contradições de qualquer regime sócio-econômico. Assim como o capitalismo viveu uma grande crise em 1929 e vive hoje em vários lugares do mundo, o socialismo também conheceu períodos de crise, especialmente em fins dos anos 1980. Nunca podemos esquecer que as bandeiras revolucionárias de 1917, de combate às desigualdades e da construção de uma sociedade igualitária,  ainda estão em processo.

O país construído pela revolução socialista foi fundamental na derrocada do nazismo. Numa época de tantas sandices propositadamente veiculadas, onde já se chegou a dizer que “o nazismo é de esquerda”, nunca é demais lembrar que foi o Exército Vermelho que entrou em Berlim, em 1945, e derrotou Hitler, fincando a bandeira soviética nas ruínas do QG do líder nazista.

Endemoniar a Revolução Russa e sua importância histórica, inclusive contemporânea, não é apenas uma atitude reacionária de hostilidade ao socialismo. É total falta de visão histórica; é incapacidade de aferir os significados reais de influência de um movimento nos diversos níveis de realidade. E ninguém precisa ser marxista, comunista ou socialista para reconhecer a importância da revolução socialista soviética de 1917. Basta dizer que a revolução foi responsável por um mundo dividido por mais de 40 anos, durante a chamada Guerra Fria.

O Brasil de 1917 não sofreu imediatamente as influências da Revolução Russa. Naquele ano, coincidentemente, estourou em nosso país a primeira greve geral da história. Mas a culpa” não foi dos comunistas. Quem liderava os trabalhadores do Brasil à época eram os anarquistas. O Partido Comunista do Brasil (PCB) só seria fundado em 1922.

Hoje presenciamos um avanço da extrema-direita no mundo de um modo geral: Estados Unidos, Alemanha, Áustria e também o Brasil dão mostras claras do avanço do extremismo direitista. Talvez tenhamos que decantar os valores da Revolução de 1917 para enfrentar esse crescimento sombrio. Sem necessariamente precisar pegar em armas ou criar um Estado Comunista. Mas para construirmos uma sociedade mais justa, libertária, inclusiva e verdadeiramente democrática. Há quem não concorde, mas nos tempos atuais isso já seria uma grande revolução no Brasil. E que em 2117 estaria, igualmente, sendo celebrada.

 

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