CENSORES SEM SENSO

censormbl censuraVivemos tempos tenebrosos. E não se trata da crise, seja ela política ou institucional. Estamos revivendo tempos que pensávamos que só os reviveríamos nos livros de história. Ou nos arquivos dos antigos e nada saudosos SNIDOPS. Parece que querem trazer a censura de volta. Moral, bons costumes, família, Deus, Pátria… Aquela conversa da “Tradição, Família e Propriedade” que antecedeu o golpe de 1964. Atualmente, quem chamou para si a tarefa de censor foi o MBL. Não satisfeitos em invadirem escolas para censurarem aulas e conteúdos ministrados pelos professores, eles agora invadem museus. Eles dizem o que é bom. E o que não é. São bizarrices e besteiras que não acabam mais. Arte, escola, internet. Tudo na mira dos “Torquemadas”, em especial do MBL. Mas também de seus agentes ventríloquos no Congresso.

Nos tempos da ditadura militar os censores eram paranoicos. Bizarros.  E, apesar dos tempos difíceis, alguns episódios da censura foram rocambolescos e cômicos. Ferreira Gullar, o grande poeta, por diversas vezes foi vítima da censura. E, vez por outra, recebia algumas “visitas”.  É conhecida a história dos agentes que invadiram sua casa e, ao vasculharem sua biblioteca,  depararam-se com um livro (ou uma pasta) com a inscrição “Cubismo”. Os censores não imaginavam que poderia se tratar de um movimento artístico ou algo ligado a Pablo Picasso. Pensavam que fosse alguma coisa sobre Cuba. Era comunismo. E confiscaram o material. O mesmo poeta teve um livro de capa vermelha confiscado. Os censores pensavam que se tratasse do “Livro Vermelho”, de Mao Tsé Tung. Também era coisa de “comunista”. Quando abriram o livro, era um exemplar… da Bíblia!

E no Teatro Municipal de São Paulo? Agentes do DOPS invadiram o teatro onde era exibida a peça “Édipo Rei”, de Sófocles. A peça foi considerada subversiva e a tragédia grega transformava-se em comédia brasileira. Eles queriam prender “o tal de Sófocles”, o subversivo comunista autor da peça. Ocorre que Sófocles, o dramaturgo grego, tinha morrido no ano 406 antes de Cristo. Não sei se os agentes pediram ajuda ao Chico Xavier.

O escritor bretão David Herbert Lawrence também foi considerado subversivo e comunista pelos censores. “O Amante de Lady Chatterley” foi censurado. As cenas de sexo foram consideradas escandalosas. Mesmo com o autor já tendo morrido em 1930, queriam prendê-lo 40 anos depois de sua morte. Hoje se fala muito em prisão domiciliar (coisa só para bandido rico, é claro). Parece que os censores da ditadura criaram a “prisão espiritual”.

Atualmente temos o MBL. Eles são jovens, estudiosos, frequentadores de museus, amantes da “boa arte” e da “boa educação”. E, em último caso, eles terão o grande pensador Alexandre Frota para auxiliá-los. Os tempos realmente são nebulosos. Os mesmos que exaltam Alexandre Frota, censuram a arte, apoiam o “Escola Sem Partido” e querem denegrir a imagem do grande educador Paulo Freire. Ah, já sei. Ele era “comunista”. Será que vão querer prendê-lo? Pelo senso desses censores, acho que sim.

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