O SEPARATISMO SULISTA

sou sulistaplebisulNa última semana o noticiário internacional deu ênfase ao plebiscito ocorrido na Catalunha, região que há muito tempo vem querendo tornar-se independente da Espanha. Cerca de 90% dos votantes na Catalunha disseram “sim” à independência e, caso a Catalunha venha a declarar-se independente, os desdobramentos são imprevisíveis e não descarta-se uma guerra civil.

E hoje nos chega a notícia de que no próximo sábado, dia 7, ocorrerá um plebiscito em 900 cidades dos três estados da Região Sul (Paraná, Santa Catariana e Rio Grande do Sul), onde os participantes da votação dirão sim ou não  à seguinte pergunta:

“Você quer que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formem um país independente?”

A votação está sendo chamada de “Plebisul” e é promovida pelo Movimento “O Sul é meu país”. Claro que trata-se de uma consulta sem qualquer valor legal, pois é flagrantemente inconstitucional e os próprios organizadores do plebiscito admitem isso. O artigo primeiro de nossa Constituição reza que o Brasil é formado pela “união indissolúvel dos Estados e do Distrito Federal”. Portanto, nenhuma unidade da Federação pode separar-se da União. Embora sem valor legal, esse plebiscito mais uma vez nos mostra como a região Sul é aquela onde ainda persistem ideais separatistas.

Durante o Período Imperial (1822-1889), especialmente nas Regências (1831-1840), diversas revoltas separatistas explodiram em várias partes do Brasil, ameaçando a unidade político-territorial do país. No Nordeste, tivemos a Confederação do Equador; na Bahia, a Sabinada, no Pará, a Cabanagem. Mas a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, foi a única que alcançou algum êxito e, em 1835, o Rio Grande do Sul separava-se do Brasil, passando a chamar-se República Rio Grandense, dando início a uma guerra que duraria 10 anos, entre 1835 e 1845. O exemplo do Rio Grande do Sul foi seguido por Santa Catarina, onde formou-se a República Juliana. Passados mais de 150 anos dessas revoltas, em todos os lugares onde elas ocorreram, o ideal separatista adormeceu. Exceto no Sul. Há tempos que vemos propostas de separação da Região Sul para formar um país independente. Já houve até projetos apresentados nesse sentido. E agora teremos um plebiscito, embora não oficial.

Os adeptos do separatismo geralmente mostram dados referentes ao descompasso entre o que o Sul arrecada e o que tem de retorno, querendo mostrar que levam prejuízo e que seriam mais prósperos com a separação. Diferentemente dos movimentos separatistas na Europa como, por exemplo, o da Catalunha, na Espanha, aqui não existem lutas ou choques de nacionalidades. Mas não resta dúvida de que há inegavelmente uma dose de preconceito, visto que muitos dados comparativos do Sul são confrontados com estados pobres, principalmente da Região Nordeste.

De todas as regiões brasileiras, a Região Sul é a única onde presenciamos ainda essa pretensão separatista. E essa pretensão tem um grande lastro histórico naquela região. A Região Sul apresenta algumas singularidades em relação às demais: é a única localizada abaixo dos trópicos e, por isso, possui um clima mais semelhante ao da Europa. Na imigração, a região foi colonizada principalmente por alemães e italianos e ali a presença da influência européia é fortíssima. Há até cidades onde as construções residenciais devem seguir padrões europeus.

O regionalismo sulista é observado até nos jogos de futebol. É muito comum vermos nos jogos do Grêmio e do Internacional bandeiras do Rio Grande do Sul nas torcidas. É também nos estados do Sul onde, antes de cada partida, além do Hino Nacional, executa-se também o hino do respectivo Estado.

Se a separação, de fato, se efetivasse, o Campeonato Brasileiro ficaria mais pobre pois não teria, por exemplo, Grêmio, Internacional, Atlético Paranaense, Coritiba, Avaí… E a nossa Chapecoense não seria mais brasileira. O Brasil também teria menos 77 deputados federais e menos 9 senadores. Eles se livrariam do Temer.  E a nossa bandeira ficaria com menos três estrelas…

 

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