A CISÃO DO NINHO TUCANO

alckmin dóriaracha psdbHá tempos estamos falando dos voos altos que João Dória, o “Prefeito Engomadinho do Tietê”, vem forjando. E não é de hoje. O discurso que o levou à prefeitura da maior cidade do Brasil preenche exatamente a agenda da nova direita em ascensão sem, pelo menos manifestamente, conter ataques de “parapsicopatias à la Bolsonaro”. E as pretensões do “Jânio de Grife”  tem colocado a criatura em rota de colisão com seu criador: Geraldo Alckmin. Se os tucanos já estavam divididos em relação ao ilegítimo e golpista governo Temer, agora as pretensões do Engomadinho irão acirrar essa divisão.

Diferentemente de Alckmin, a agenda de Dória é cristalinamente direitista e prevê, assumidamente, desde a privatização da Petrobrás, passando pela criminalização dos movimentos sociais e um discurso anti-lulista e anti-petista que faz lembrar o político romano Catão, o Antigo, em sua obsessão em relação ao inimigo nas Guerras Púnicas com seu famoso “Delenda est Carthago” ou “Cartago deve ser destruída”, substituindo-se apenas “Cartago” por “Lula”. Recentemente, Dória afirmou que, após derrotar Lula, o próximo passo seria colocá-lo na prisão. Sei não mas, subliminarmente, o Engomadinho está admitindo enfrentar Lula na eleição. Mas ele não seria preso antes disso?

As viagens de Dória e seus discursos pelo Brasil afora, seja presencialmente ou pelo mundo digital (ele mesmo admitiu que, pelo celular, acompanha tudo), dão o tom de seu projeto que nada tem de “apolítico”. E ele sabe que terá que viajar muito, seja a pé, de avião ou de celular. Isso porque, embora seja prefeito da maior cidade do Brasil, é inegável que trata-se de alguém provinciano e pouco conhecido nacionalmente. Suas visitas ao Nordeste, região que tem tudo para, novamente,  ser a fiel da balança eleitoral, não deixam dúvidas em relação ao seu projeto.

Enquanto isso, Alckmin mantém-se discreto, esperando a hora da escolha do candidato. O Engomadinho tem sido bem mais agressivo do que o religioso Alckmin. Em suas declarações, Alckmin, pelo menos no discurso, afirma ser necessário o diálogo. Dória não quer conversa. Em alguns momentos, Dória dá a entender que seria um “Bolsonaro sem farda, mas com porrete”.

A divisão está bem clara e pode evoluir para uma dissidência. Dória tem sido cortejado por partidos de direita, que encampariam sua candidatura. O DEM poderia ser um dos destinos do Engomadinho. Se isso acontecer, uma pulverização de votos da ala direitista pode beneficiar um candidato de esquerda, ainda que este não seja o Luiz Inácio. E o Engomadinho poderia ser duplamente derrotado: tanto nas urnas, como por não ter prendido o “sapo barbudo”. A conferir.

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