PRIVATIZAÇÕES E OS ATUAIS DONATÁRIOS DO BRASIL

capitaniasrei d.joão iiibrasil privatizadoPrivatização é algo muito mais antigo em nosso país do que se possa imaginar. Não foi o Collor, nem o Itamar, nem o FHC que começou com isso. A primeira privatização da história do Brasil foi em 1534, com a adoção do sistema de Capitanias Hereditárias. Crédito para o rei de Portugal D. João III. A colonização do Brasil foi privatizada, sob alegação de que o governo de Portugal não poderia arcar com os custos. O Estado já era considerado “máximo”. O resultado? “Deu ruim”. Os donatários abandonaram seus lotes e queriam mais apoio do governo. É a velha ideia de “privatizar lucros e estatizar prejuízos”. O mote vale para hoje em dia.

E quem disse que privatizar resolve? Se a primeira experiência privatista de nossa história fracassou, muitas outras não foram diferentes. Mas a falácia do “privatizar é melhor”  recomeça, em tempos que querem entregar a Eletrobrás e a Amazônia. Privatizaram a telefonia. E as empresas telefônicas são campeãs de reclamações dos clientes. Privatizaram os transportes. Perguntem quem está satisfeito com os serviços das empresas de ônibus. Alguém já encarou uma fila do Bradesco? Vá a qualquer agência da Light, entre na fila e pergunte aos inúmeros clientes que ali estão diariamente sobre a satisfação com o serviço da empresa.  Privatizaram a saúde. Perguntem aos clientes dos planos de saúde sobre seus níveis de satisfação.  Vocês sabiam que o maior desastre ambiental da história brasileira foi de responsabilidade de uma empresa privada, a Samarco? E o que dizer de uma universidade privada que admitiu um analfabeto em seu curso de Direito? Odebrecht, Delta, JBS. Os exemplos são incontáveis. Claro que existem falhas no serviço público. E muitas vezes vários dos serviços mantidos pelo Estado também são alvos de reclamações pela população. Que se mude, pois, a gestão, que se discutam saídas com a sociedade. E que, principalmente, sejam aumentados os investimentos em setores estratégicos e básicos dos quais a população, principalmente a mais pobre, depende: saúde, transporte, educação.

O que causa espanto, e é bem sintomático, é que se venha se falar de privatização da Eletrobrás justamente quando ela teve um lucro de 3,4 bilhões, depois de amargar prejuízo por quatro anos seguidos. E o preço da venda? Sabe-se, inclusive, que muitas estatais foram vendidas a preço de “banana podre” ou ainda pelas famigeradas “moedas podres”.

Consultores especializados estimam que a privatização da Eletrobrás acarretará em um aumento das tarifas de energia entre 2% a 5%. Que garantia teremos da melhoria da qualidade do serviço? Sobre a entrega da Amazônia para exploração mineral, há muito que o capital estrangeiro está de olho nessa região. E o mordomo-golpista pretende entregá-la. Diferentemente do rei D. João III, que não vendeu a soberania de seu reino, pois não privatizou a colonização para estrangeiros,  e interferiu para sanar o fracasso das capitanias, o governo entreguista está prestes a presentear “donatários privatistas” que estão à espreita de nossas riquezas. E, se o plano que está em curso der certo, o Brasil corre o risco de voltar a ser colônia. E não será de nenhum país comunista.

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