COLIGAÇÕES QUE ENGANAM

coligaçõesquímica“Eu não voto em partido. Voto em candidato.” (Afirmação comum da grande maioria dos eleitores brasileiros)

“As coligações proporcionais violam a Constituição. É fácil demonstrar. Se o PT se coligar com o PRB, o eleitor pode votar numa líder feminista do PT e eleger um pastor evangélico do PRB.” (Luís Roberto Barroso, Ministro do STF)

O Ministro Barroso, do STF, está correto. A grande maioria dos eleitores brasileiros está equivocada. Mesmo sem saber, mesmo sem querer, todos votam, antes de tudo, em um partido, para onde o voto é inicialmente contabilizado,  antes de ir para qualquer candidato.  A questão se refere às eleições proporcionais (para deputado federal, estadual e vereador). A reforma política que o Congresso vem discutindo a toque de caixa, engasgou no que se refere às coligações nas eleições proporcionais. E tudo indica que o STF deverá entrar em ação para coibir algo que, embora seja parte da natureza do processo político, no Brasil dá ensejo a situações absurdas: as coligações em eleições proporcionais. Isso porque, nessas eleições, quando se formam coligações partidárias, partidos ideologicamente opostos que participam da coligação, terão seus votos contados como se fossem um único partido. E, com isso, o caso exemplificado pelo Ministro Barroso é muito comum na realidade eleitoral do Brasil.

Ocorre que, no Brasil, tanto no âmbito federal como nos estados, as coligações mais absurdas são feitas. A finalidade é sempre a mesma: aumentar o tempo do horário eleitoral na televisão. Pequeníssimos partidos, sem nenhuma afinidade com aquele que encabeça a coligação, literalmente vendem seu apoio e seu tempo de TV. E aí tem valido de tudo: comunista se alia com liberal; socialista se alia com evangélico; feminista se alia com ultra-conservadores. Então, com esse sistema, quando o eleitor vota, pensando que seu voto ajudará a eleger um candidato, acaba elegendo outro, porque inicialmente o voto vai para a coligação e não para o candidato.

O problema não são as coligações e sim o que está nelas misturado. Arrisco-me a dizer que no Brasil as coligações não são ecletismo e sim sincretismo.  Isso porque elementos muitos diferentes e até contraditórios se misturam. PSB nunca poderia se coligar com DEM; PT nunca poderia se coligar com PRB; PC do B nunca poderia se coligar com PMDB. Parecem ligações químicas que, no final o eleitor jamais vai entender. É como se ele se perguntasse: “eu votei no hidrogênio para a água ser eleita, mas o meu voto no hidrogênio deu a vitória ao ácido sulfúrico.” Mas assim tem sido no Brasil.  E o eleitor, há muito vem sendo enganado por esse sistema, gerando um Congresso que politicamente não o representa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s