SÍRIA: GUERRA E A ESPERANÇA DA SELEÇÃO REFUGIADA

guerra síriasíria x irãNa última terça-feira, dia 5 de setembro, vários jogos foram realizados pelas eliminatórias da Copa de 2018. Mas nenhum trouxe tanta emoção e simbolismo como o confronto entre Irã e Síria, ocorrido em Teerã. A Síria perdia por 2 a 1 quando, no último minuto dos acréscimos do segundo tempo, Omar Al-Soma assinalou o gol de empate para os sírios. A derrota acabaria com qualquer chance de classificação da Síria. O gol de Omar Al-Soma fez renascer as esperanças de, pela primeira vez na história, a Síria participar de uma Copa do Mundo.

Parece que o drama da seleção síria é um reflexo do que vive o sofrido povo daquele país há 6 anos. A Guerra Civil da Síria, iniciada em 2011,  já entrou para a história como uma das maiores tragédias da humanidade. As estatísticas da tragédia já contabilizam cerca de meio milhão de mortos, 5 milhões de refugiados e quase 8 milhões de pessoas desalojadas. O sofrimento do povo sírio, a peregrinação dos refugiados e a falta de perspectiva para o fim do conflito enchem o mundo de ceticismo sobre o que ainda poderá acontecer. Três grupos que se odeiam estão na cena da cruenta guerra: as tropas leais a Bashar al-Assad, a oposição a Assad e o Estado Islâmico.

O gol da Síria marcado no último minuto do jogo nos levou a ver imagens que há tempos não víamos: sírios orgulhosos com suas bandeiras, felizes, emocionados com o gol que ainda lhes dá esperança. Apesar da guerra, das perdas, da destruição, aquele gol foi capaz de, por um momento, fazer a alegria de milhares de sírios e, por algum tempo, dar a esperança de que, em 2018, o país tenha motivos nobres para ser notícia, estando na Copa da Rússia. O futebol não é apenas ópio. Ele também é bálsamo. É paz. É harmonia.

As dificuldades são tão grandes que, se o povo sírio está refugiado, sua seleção também está. Desde quando estourou o conflito que a seleção da Síria não joga na Síria. Até essa vantagem de jogar ao lado do seu torcedor, os jogadores da seleção não podem ter. Quando a Síria tem o mando, está jogando na Malásia, bem longe dali. E essa seleção refugiada tem sido a esperança de milhares de sírios, que se orgulham do seu país e querem vê-lo na Copa do Mundo.

Como dissemos, além de ópio, o futebol é bálsamo. E a história mostra isso. Lembro-me do timaço do Santos de Pelé que, em 1969, parou uma guerra na Nigéria. Os separatistas de Biafra e as tropas do governo cessaram fogo para ver Pelé e Cia. jogarem. Naquele dia, na Nigéria, o futebol trouxe a paz, minimizando o sofrimento e até trazendo reflexões sobre o porquê de cada um estar naquele conflito. Mais recentemente, em 2004, a seleção brasileira realizou um amistoso contra o Haiti, levando para aquele povo um bálsamo para atenuar o seu sofrimento.

Parece que o futebol ainda tem o poder de fazer alguns milagres. Que a seleção refugiada da Síria consiga vencer as duas repescagens que ainda terá que enfrentar. Não será nada fácil. Como não tem sido nada fácil a vida dos sírios que sobrevivem a esta tragédia. Que o gol de Omar Al-Soma seja um “tiro” que, em meio a toda tragédia, leve muitas alegrias ao sofrido povo da Síria.

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