O LEGADO DA OLIMPÍADA DA VERGONHA

olimpíadafarra dos guardanapos A cidade do Rio de Janeiro amanheceu mais triste. Mais depauperada. Mais indignada. Hoje pela manhã veio a público o lamaçal que envolveu aquele que poderia (e deveria) ser o maior evento esportivo da história do Brasil. Mas, lamentavelmente, a Rio-2016 virou abóbora. Sinceramente, nunca me empolguei.

No dia 2 de outubro de 2009  o Rio de Janeiro era escolhido, em Copenhague, na Dinamarca, como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Na última rodada da reunião do COI, o Rio vencia Madrid por 66 votos contra 32. Lembro-me que, nos velhos tempos, uma vitória por mais do dobro dos votos era chamada de “capote”. Mas, conforme veríamos, não foi capote e sim rasteira.  Sinceramente, confesso que torci contra. Não queria que o Rio sediasse a Olimpíada de 2016. Sabia que seria a farra de empreiteiros e políticos corruptos. E que, no final, o evento nada traria de benefício à população. Pouco tempo antes da escolha do Rio, em setembro, a quadrilha do ex-Governador Sérgio Cabral reunia-se em Paris, na famosa “farra dos guardanapos”. Agora podemos dizer: aquele espetáculo dantesco já era a comemoração da Delta. Os votos já estavam comprados. A ida a Copenhague era apenas o protocolo e a apoteose. Sobre Carlos Arthur Nuzman, o Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, pairam todos os indícios de coordenar a escolha fraudada do Rio: ele teria pago a Lamine Diack, o senegalês que presidia a Federação Internacional de Atletismo e atualmente preso, os 2 milhões de dólares para a compra dos votos. Ele, por sua longevidade que beira a imortalidade no cargo que ocupa, tinha todo trânsito para comprar os votos. Hoje o Sr. Nuzman foi levado coercitivamente para depor na Polícia Federal. Sua prisão é mais do que uma questão de tempo. É uma questão de justiça.  A podridão começou antes mesmo da escolha da cidade como sede. Arthur Soares, o vulgo “Rei Arthur”, dono da “Facility”, forneceu quase toda mão de obra terceirizada. Ele ganhava tudo. Hoje está foragido.

Passada a Olimpíada, qual o legado? Quem lucrou? Empreiteiros, agentes públicos corruptos, bandidos de paletó e gravata.  Esses lucraram.  Acabaram com o Maracanã, que viraria um feudo dos “Odebrecht”.  O comitê organizador ainda tem dívidas estratosféricas. O velódromo é um elefante branco no maior estilo dos antigos reis tailandeses. Os equipamentos que não foram abandonados estão sub-utilizados. Os serviços públicos da cidade se deterioraram. O Estado hoje tem um governador em estágio terminal política e administrativamente. E a cidade tem um prefeito-pastor que ainda não assumiu.

Esportivamente, apenas um dado resume o legado olímpico: a seleção masculina de basquete não conseguiu se classificar nem para os Jogos Pan-Americanos de 2019, que acontecerão em Lima.

Mas há uma coerência em toda essa podridão subterrânea que marcou os jogos olímpicos do Rio. Se os votos foram comprados para a escolha da cidade, na abertura dos jogos o presidente-golpista Temer, vaiado no Maracanã, representaria bem toda a ópera da bandidagem “organizadora”. Exatamente um ano depois, ele também compraria votos no Congresso para continuar no poder e não responder pelos seus crimes. Mas naquele dia ele não pôde pagar para ser aplaudido. Nem vou falar da Marcela, que lá estava e, claro,  o aplaudiu. Ela já é muito bem paga.

 

 

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