AFONSINHO: O CRAQUE QUE DESAFIOU A DITADURA COMPLETA 70 ANOS

Afonsinho em 1971 - Revista PlacarAfonso Celso Garcia Reis é o nome de Afonsinho, o craque meio-campista nascido na cidade de Marília, São Paulo. Afonsinho é um dos poucos atletas que entrou não apenas para a história do esporte mas, especialmente, para a história do Brasil. Ele foi o primeiro jogador da história a conseguir, na Justiça Desportiva, o passe livre. Isso, muito antes de qualquer “Lei Zico” ou “Lei Pelé”.

Estávamos no início dos anos 1970 e o Brasil vivia o auge da ditadura militar, época em que os governos militares apropriaram-se até mesmo do futebol, para usá-lo como meio de propaganda do regime através da CBD. Nesse contexto, surge no Rio de Janeiro o craque Afonsinho, que veio estudar Medicina na então FEFIEG (atual UNIRIO). Afonsinho conciliava os estudos de medicina com o futebol. Além de craque, sempre foi contestador. Ele também cultivava uma vasta barba e cabeleira. Nos tempos da ditadura, era o suficiente para ser chamado de “comunista” e “subversivo”. Então no Botafogo, os cartolas o obrigaram a fazer a barba e o cabelo para que ele pudesse participar dos treinos e jogos. Claro que ele não obedeceu. Foi, então, transferido para o Olaria, onde participou da memorável campanha do time da Rua Bariri em 1971, quando o Olaria ficou em terceiro lugar. Naquele campeonato, Afonsinho ainda foi eleito o melhor jogador em sua posição. Era uma época em que muitos cartolas bajuladores do regime militar também dirigiam alguns clubes. Mas Afonsinho nunca se submeteu a nenhum deles. Ele foi o herói da resistência e da liberdade  porque, em sua luta, embora solitária, pelo passe livre, ele representava toda a categoria dos atletas profissionais. Ganhar, em plena ditadura, o passe livre na Justiça Desportiva, colocou Afonsinho não apenas na história do Brasil. Sua luta, seu engajamento pela justiça e liberdade, também o levou a ser fichado no SNI. Com o passe livre, numa época em que era muito difícil um jogador passar por vários clubes, ele tornou-se nômade: em pouco tempo passou por Botafogo, Olaria, Vasco, Flamengo e chegou até a jogar no Santos com Pelé em 1972.

Ontem, dia 3 de setembro, Afonsinho completou 70 anos de idade. Atualmente ele ainda faz um belo trabalho ajudando ex-colegas de profissão. Parabéns Afonsinho, o verdadeiro herói da resistência e do passe livre. E, muito especialmente, da Rua Bariri,  os olarienses enviam saudações!

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