A REBELDIA DO “JÂNIO DE GRIFE”

dóriaEstá circulando hoje a notícia de que o Prefeito Engomadinho do Tietê poderá deixar o PSDB para candidatar-se a presidente da República por outro partido. João Dória, desde o início de seu mandato como Prefeito, nunca escondeu, com seu populismo de direita, que queria ser algo além de alcaide da Paulicéia. Ele sempre foi a reencarnação do Jânio:  varreu as ruas com roupa de gari, viajou de ônibus, comeu pastel na lanchonete, fez grafite, andou de bicicleta,  mas foi cauteloso, sempre dizendo-se “apolítico”.  Só não comeu pão com mortadela porque o simbolismo provocativo seria muito forte. Não sei se mandou bilhetinhos para os funcionários da Prefeitura, mas se o fez, certamente foi por e-mail. E também não deu para proibir biquínis, porque na cidade não tem praia. Em relação à caspa no paletó, esse ardil janista hoje lhe tiraria votos. Ele tem que estar “limpinho”.  Apresentando-se como “gestor” e “administrador”, sempre falou que era alguém fora do mundo político. Talvez um ET gerado por Alckmin.

Mas ele preenche os requisitos da direita moralista “à la UDN”: um discurso bem articulado, de “limpar a cidade”, “limpar as ruas”,  limpeza essa que lembra muito “esconder pobres e pobreza”. Pereira Passos e Lacerda foram ícones dessa política no Rio de Janeiro. Apesar de sua pretensão de candidatar-se à Presidência não ser novidade, causa espécie o fato de ele poder abandonar o PSDB. Pensávamos (e, certamente, o Alckmin também) que o projeto político do “apolítico” fosse para mais tarde. Seu criador não esperava por isso.

Mas a criatura já vinha sendo uma sombra para Alckmin desde o primeiro dia de sua administração. Seu populismo barato, aliado a palavras como “ordem”, “limpeza”, “fiscalização”, em um momento de crise política que fez muitos eleitores perderem a referência em termos de representação, alçou-o a novos horizontes. Em poucas semanas, seu discurso já era “nacional”, uma grande oportunidade para sair do provincianismo, mesmo que da maior cidade do Brasil.  Os principais presidenciáveis estão fragilizados. Pela direita, Aécio acabou. Alckmin não decola.  E Bolsonaro, com a devida vênia de Afonso Arinos, “é o Plínio Salgado de porre”. Já na esquerda, o único candidato viável eleitoralmente, e que ocupa a primeira posição em todas as pesquisas, pode sair da disputa em uma eventual condenação em segunda instância. Dória candidato apostaria nisso. Lula aposta no indefinido tempo do Judiciário, e segue sendo um eterno fantasma para eles.

Tudo pode levar a uma campanha com novas simbologias. Em 1960, Jânio Quadros levou as vassouras para as ruas. Era para varrer a roubalheira do país. O Engomadinho do Tietê é a versão “fashion” do homem da vassoura. Ele, certamente, levará aspiradores de pó para simbolizar a limpeza em sua campanha. Acho que Dória já ganhou a adesão do Aécio. Mas aí já é outra história…

 

 

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