DEM: A DIREITA QUER SE CHAMAR “CENTRO”

pfldem 25Hoje, dia 3 de setembro de 2017, recebemos a notícia de que o Democratas (DEM) vai mudar o seu nome para “Centro”. Essa decisão segue a onda de muitos outros partidos de direita que estão mudando seus nomes e de  outros que estão surgindo com nomes vagos. O atual DEM, que quer virar “Centro”,  representa o que há de mais direitista e reacionário na história política do Brasil. Basta ver a epigênese desse partido: eles foram UDN, o partido do reacionário e golpista Lacerda até 1965, quando o AI-2 extinguiu os partidos existentes até então e implantou o bipartidarismo. Então, passaram para a ARENA, partido de sustentação da ditadura militar. A ARENA mudou para PDS em 1979. Em 1984, não aceitando Paulo Maluf como candidato à Presidência da República, um grupo deixa o PDS e forma a “Frente Liberal”, que em 1985 passaria a ser PFL. O PFL mudou o nome para “Democratas” em 2007. Agora,  eles vão novamente  mudar e se chamarão “Centro”.

O partido foi, por muito tempo, um “partido de caciques nordestinos”, tendo em Antônio Carlos Magalhães o seu grande ícone. Sempre foi um partido de direita, defendendo toda a plataforma do neoliberalismo. Analisando a gênese do partido, sua trajetória sempre foi alinhada ao direititsmo conservador. Os quadros do partido mostram, claramente, o seu viés conservador e direitista:  José Agripino, Rodrigo Maia, ACM Neto, Pauderney Avelino… Isso sem contar que a sigla ainda abriga os candidatos apoiados pelo ultra-reacionário pastor Silas Malafaia.

A mudança de nome soa claramente como um ardil para confundir o eleitorado, visando 2018. Sabe-se que as próximas eleições marcarão uma grande polarização direita/esquerda e o atual DEM, desgastado, vai querer apresentar-se como uma “terceira via” dentro dessa polarização. O discurso, já conhecemos: “não somos radicais nem de direita e nem de esquerda”. Mas nós sabemos o que eles apoiam. Herdeiros de Lacerda, da ditadura militar e de ACM, eles defendem a extinção dos direitos trabalhistas, a entrega do país ao capital estrangeiro, o “Estado mínimo” (para nós), as privatizações desenfreadas,  a reforma da previdência e os interesses do grande empresariado. Eles mudam de nome, de discurso, de roupagem. Mas representam as velhas ideias elitistas e de ataque aos interesses dos trabalhadores. O “Centro” é DEM, que foi PFL, que foi ARENA, que apoiou o golpe de 1964, que foi UDN e que foi Lacerda.

Quando as nomenclaturas direita, esquerda e centro surgiram, durante a Revolução Francesa, para designar espectros ideológicos, os da direita (girondinos) sempre votavam a favor da alta burguesia. Os da esquerda (jacobinos) sempre votavam a favor das camadas populares e os de centro (planície) oscilavam em suas votações: ora com a direita, ora com a esquerda. Mas esse “Centro” que está vindo aí não tem nada de oscilante: ele é totalmente direitista. Sua aparente nomenclatura não expressa a essência de seu posicionamento historicamente direitista.

 

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